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	<title>Direito à internet &#8211; Observatório da imprensa</title>
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		<title>Herculano Coroado: “Nosso jornalismo digital aparece como espaço de rebelião. Alternativa a media tradicional sob controlo”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2020 15:20:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direito à internet]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="177" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n-300x177.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n-300x177.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n-768x453.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n-1024x604.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n.jpg 2036w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>«É muito importante que nós entendamos que o jornalismo digital é uma forma muito mais sustentável de comunicação, na medida em que ele oferece custos muito mais reduzidos de intervenção e um sistema operacional que pode ser muito mais rápido e muito mais efectivo…» Domingos da Cruz &#8211; Está comigo Herculano Coroado responsável pelo canal ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="177" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n-300x177.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n-300x177.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n-768x453.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n-1024x604.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99269336_181204429806450_1352724736131465216_n.jpg 2036w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;"><strong>«É muito importante que nós entendamos que o jornalismo digital é uma forma muito mais sustentável de comunicação, na medida em que ele oferece custos muito mais reduzidos de intervenção e um sistema operacional que pode ser muito mais rápido e muito mais efectivo…»</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Domingos da Cruz</strong> &#8211; Está comigo Herculano Coroado responsável pelo canal TV Livre Angola. Gostaria de lhe agradecer pela sua disponibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Teremos uma entrevista monotemática, tal como é a linha das nossas análises. Falaremos sobre jornalismo digital e, claro, parece-me que o Herculano é uma das pessoas mais adequadas para se pronunciar sobre este tema, sendo certo que é nesta área sobre a qual ele se dedica há alguns anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Herculano gostaria de ouvir o seu comentário geral sobre jornalismo digital. Pode também contextualizar a análise no âmbito de Angola.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Herculano Coroado </strong>&#8211; O jornalismo digital é o ponto universal para onde se concentram todas as formas e forças da comunicação social. É bom lembrar que, ele só é possível dentro dum contexto da media pessoal. Ele responde à necessidade individual e pessoal da customização e do consumo da media, isto é o que tem sido o modelo de audiência, num universo em que nos movemos pela economia digital, portanto há, manifestamente, uma convergência de todas as forças da media para um ponto em que acaba por satisfazer o interesse cada vez mais individual e personalizado do consumo da media.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Herculano olhando para o contexto angolano, como vê em termos de qualidade e de quantidade?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Nós devíamos em primeiro lugar analisar como nos enquadramos no contexto global. Em segundo lugar, o jornalismo digital foi um jornalismo alternativo ao controlo, que se assistiu dos medias tradicionais — estou a falar da <em>mass media</em> — em que houve uma grande influência, um grande controlo por aqueles que detém o poder político na medida em que, quem quisesse desfrutar do espaço público, como veículo de comunicação, tinha que encontrar outras alternativas e esta forma alternativa era a Internet que naquela altura, era, portanto, nova e de alguma forma tinha muito fragilizada a audiência que se interessava pelos conteúdos angolanos.</p>
<p style="text-align: justify;">A audiência angolana na Internet era muito pequena, ela foi evoluindo, está a crescer, ainda não está no nível satisfatório. De quaisquer das formas, há cada vez maior apetite para se consumir informação <em>online</em> e isso cria um mar enorme de oportunidades, para nós os <em>players online</em> e para os medias tradicionais — e que vão perdendo cada vez mais esta influência do domínio público — e querem abraçar esta nova onda de estar na economia e comunicação que tem a ver com a partilha do espaço virtual de informação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Em termos de quantidade, não me parece que para um país que tem mais de vinte oito milhões de habitantes tenhamos espaços suficientes para trabalhar nesta área, não é?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; É verdade, mas isso também responde a um conjunto de pré-condições. A nossa academia ainda é muito pobre, o <em>framework</em> do trabalho online desenvolve-se num contexto de saber, de conhecimento, e nós todos sabemos que o nosso ambiente académico não tem sido capaz de doptar a nossa força de trabalho, a nossa juventude de ferramentas, que podem ajudar a alargar e melhorar a exposição na Internet. Portanto, nós temos um déficit muito grande de produção, de mão de obra que possa ajudar de forma consistente a alargar este espaço de comunicação. Por esta razão, este é um movimento crescente, é insatisfatório, pois não estamos completamente integrados ao movimento digital da comunicação, de quaisquer das formas como disse,  é crescente, vai depender da perícia que formos ganhando em termos do país que somos; vai depender da especialização que formos ganhando, mas de alguma forma nós teremos mais órgãos de comunicação, W<em>ebsite e</em> <em>bloggers</em> a partilharem este espaço, como é aqui, onde se oferece mais capacidade de intervenção na media e com a media, de forma muito mais sustentável na medida em que há racionalização de custos. Há cada vez mais menos dinheiro para os medias. Um outro desenvolvimento é o “jornalismo cidadão” que alarga o espaço de cobertura de eventos. Quer dizer que deixamos de estar sozinhos, como jornalistas, no negócio da “notícia”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Eu gostaria de colocar uma questão muito concreta relativamente à qualidade, que também tem relação como é óbvio, com a quantidade. Tem a ver com a estrutura gráfica, o design. Quando olhamos, por exemplo, páginas que fazem jornalismo digital, estou a falar do <em>Elephant</em> no Quénia, ou de outras plataformas na África do Sul, Namíbia, Brasil, (<em>Intercept</em>) por exemplo; em Portugal, o caso do <em>Fumaça</em>… tu notas que, de facto, nós deixamos muito a desejar do ponto de vista do design, da qualidade gráfica, da linguagem, dos conteúdos. Não sei se tem a mesma reflexão em relação ao que acabo de dizer?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; É de facto visível que há uma limitação na capacidade técnica e muitas vezes criativas daqueles que intervêm nestes espaços a nível de Angola. É de facto visível. Mas eu já disse que isso tem muito a ver com a nossa forma de educar, treinar, a nossa força de trabalho. Eu sei que nós estamos, enquanto <em>players</em> digitais, num universo em que estamos a intervir na perspectiva nacional porque estamos online, estamos na Internet, onde acabamos por actuar e aprender com os outros. Mas é bom lembrar que o <em>framework</em> da Internet mostra claramente a capacidade técnica, artística e tecnológica do Estado. Os Estados mais avançados vão ter certamente <i>Websites</i> e medias electrónicos muito mais sofisticados e os <span style="color: #333399;"><strong style="color: #333399;">Estados mais atrasados, menos evoluídos a nível digital, vão ter obviamente um déficit a esse nível, vão ter dificuldades de afirmação no plano da </strong><span style="color: #333399;"><b>Internet</b>.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> – Herculano, colocas a questão numa perspectiva macro, é verdade que o problema é macro, mas, tecnicamente, tem muito a ver com a equipa que compõe o órgão e as suas percepções do ponto de vista técnico, não é? Será que a estrutura das nossas plataformas, aquelas que nós gerimos em Angola, são fruto da nossa percepção estética? Porque temos que ser capazes de torná-las mais atractivas, isso é importante no mundo digital. Temos um grande défice estético no interface angolano comparado com o de outros países.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; É verdade, mas o mundo digital compreende a era tecnológica de informação e de conhecimento. Se nós tivermos deficit na transmissão de conhecimentos relevantes, que definem muitas vezes as bases estéticas, as bases operacionais, as bases de afirmação e as bases de comunicação a nível global, obviamente que os resultados vão ser esses que nós temos. Mas eu devo dizer que esse é um movimento jovem, um movimento que está a crescer, precisamos de melhorar a nossa capacidade de ensinar, treinar, e criar força de trabalho que pode produzir na era do conhecimento. Infelizmente, <span style="color: #333399;"><strong>nós ainda continuamos a produzir quadros e, força de trabalho, que é treinada para agir na era industrial quando estamos obviamente na era digital do século XXI e precisamos de outro tipo de recursos que pudessem ser produzidos pela nossa academia para elevarmos os níveis de competitividade do Estado.</strong></span> A academia em Angola devia ser o centro para a produção do cidadão digital e da mente criativa nesta era do conhecimento, mas não tem sido, felizmente. Temos igualmente défice no domínio do ensino técnico, nas artes e, geralmente, o acesso à tecnologia também é precário.</p>
<div id="attachment_3024" style="width: 1930px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3024" class="size-full wp-image-3024" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1.jpg" alt="" width="1920" height="1920" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1.jpg 1920w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1-150x150.jpg 150w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1-300x300.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1-768x768.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1-1024x1024.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1-75x75.jpg 75w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200519_140927731-1-36x36.jpg 36w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></a><p id="caption-attachment-3024" class="wp-caption-text">Foto/OI// Algumas plataformas de jornalismo digital focadas em Angola.</p></div>
<p style="text-align: justify;"> Há que desenvolver a capacidade tecnológica, técnica e artística do cidadão para estimularmos a criatividade que nos ajuda a melhorar o <em>framework</em> e o interface da nossa presença online, o nosso registo do pé na Web. Por outro lado, a tecnologia, a técnica, a arte e a criatividade são os recursos mais importantes para o desenvolvimento económico digital. Isso é o que devíamos estar a produzir, mas não estamos a fazê-lo, suficientemente. Repare que não é apenas por questão de imagem. É também um desafio de competitividade do mercado e da economia, além do nível de atracção do Estado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Que comentário gostaria de fazer relativamente ao impacto. Acha que o jornalismo digital em Angola tem o impacto de que é capaz?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC </strong>&#8211; Eu acho que nós não estamos sozinhos nisso, nós estamos num movimento que é global, universal e que compreende a era pós-verdade, que é a era em que o mais importante não é a tramitação de factos, ou da informação sobre factos, mas acima de tudo de elementos que sejam mais emocionais ou subjectivos e, que possam ter o domínio e influência, a manipulação das consciências públicas a nível dos Estados e, até mesmo, a nível global. E isso não se passa apenas no plano político. Não é apenas o plano político que usa a era da pós-verdade para obter influências e manipular acções no espaço público, mas também se assiste a isso noutros domínios do espaço público em relação às instituições que exercem esse tipo de actividades contamos as agências de relações públicas e institutos de pesquisa. Há também outros intervenientes, estamos a falar dos próprios jornalistas e do cidadão comum. Tudo isso nos leva à outra condição do jornalismo online.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual pode ser o nosso papel perante um quadro diferente daquele que operávamos na era industrial? Qual pode ser o papel do jornalismo digital? O que é que vamos fazer quando nós vivermos num quadro de excesso de informação e na era da fakenews?</p>
<p style="text-align: justify;">Muitas vezes o mais importante, não é a informação como tal, como elemento factual que deve ser comunicado ao público, mas um conjunto de instruções para levar o público a se manifestar, comportar e a proceder de acordo com o interesse de quem emite esses códigos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Voltando à questão do impacto, gostaria de apresentar exemplos comparativos. Nós vimos a influência do <em>Intercept</em> no contexto brasileiro. A informação que é veiculada e vinculada ao <em>Intercept</em> tem uma grande repercussão do ponto de vista político e isto demonstra claramente, o impacto do <em>Intercept</em>, do jornalismo digital, de forma mais geral, a <em>Agência Pública</em> por exemplo. O mesmo sucede no Quénia, o <em>Elephant</em> faz reportagens que depois são retomadas pela media tradicional e têm um grande impacto. Nós, em Angola, temos sido capazes de fazer das nossas plataformas digitais um espaço que impacta a sociedade, que transforma a realidade, que inverta o curso dos factos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Eu acho que nós temos um movimento crescente, do ponto de vista de qualidade e, também, de quantidade. O espaço tem sido de inclusão. Mas é bom lembrar que [também] foi sempre no plano da informação, denúncias e jornalismo, sendo sempre um espaço de rebelião, um espaço que resistiu à enorme pressão que foi exercida por quem controlava o poder político sobre a <em>mass media</em> e, como alternativa, o espaço era de comunicação virtual, pois  usava a Internet. É nesse <em>framework</em> que devemos entender.</p>
<p style="text-align: justify;">Se há um impacto, obviamente que há, pois existe cada vez mais pessoas a consumirem media através da Internet. Portanto, esse movimento é imparável na medida em que nós estamos a assistir os medias tradicionais a nível de Angola a correrem imediatamente para Internet para poderem ser relevantes ao público, que é cada vez mais crescente, seja através de <i>Websites</i> ou até mesmo de redes sociais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong>&#8211; Olhando para o futuro, acha que nós teremos, nesse campo, um grande crescimento não só em termos de nascimento de grandes plataformas, mas sobretudo de leitores que muito carece em Angola, uma vez que, possivelmente, teremos novas operadoras na área da comunicação e prestação de serviço de Internet? Será que as duas próximas operadoras podem ajudar a baixar preços e tornar a Internet mais acessível?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; A integração económica digital não é um desafio do futuro, mas sim do presente. Devia ter sido adoptado ontem. É uma questão vital da economia hoje, tal como temos vindo a ver em todo mundo. Por essa razão, urge criar as condições agora para que se baixe o custo no acesso à Internet para o cidadão e as empresas e se propicie um ambiente de cidadania inclusiva e de negócios digitais para as iniciativas do país. Geralmente mais inovadora, a juventude faz grande parte do trabalho tanto no consumo quanto na produção de aplicativos e negócios digitais. Os altos custos das telecomunicações em Angola que prejudicam principalmente a população mais jovem e desempregada, nos remete à margem da economia digital nesta era pós-industrial e obstrui a diversificação económica de Angola. O país não pode continuar a dar benefícios com os altos custos da Internet e prejudicar a maioria geralmente excluída, deixando o país sem capacidade de competir na era digital. No período dos &#8220;petrodólares&#8221;, a exclusão social e económica penalizou a maioria da população e em última instância atrasou o país. A exclusão digital tem o potencial de fazer a mesma coisa, ou pior ainda. Os níveis de capacidade da economia dependem hoje da integração económica digital dos Estados. Como vimos, a resiliência dos Estados perante à pandemia da Covid-19 residiu na Internet. Observamos a fragilidade das nossas instituições internas. Muitas fecharam as portas com a declaração do Estado de Emergência. Quem se integrou mais cedo, aumentou as vendas e dominou o mercado. Hoje, o mundo mudou. A Internet tornou-se no espaço mais seguro e acessível para o convívio em massa e os negócios, sem sair de casa. O pós-Covid-19 vai fechar os Estados ao turismo e à emigração e vai apressar o desenvolvimento tecnológico, a inteligência artificial, a Internet de Todas as Coisas, etc, por medo da guerra biológica com vírus, bactérias, medicamentos e vacinas. Ficou provado que o contacto humano é um meio de profundas vulnerabilidades aos estados. O mundo jamais será o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> – Mas, eventualmente, o facto de haver possibilidade para novas operadoras, novos prestadores de serviços na área de Internet, pode viabilizar preços menores e isso catapultar também o número de internautas e o número de leitores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Eu acho que esse não é o ponto mais importante. O ponto mais importante deve ser o interesse do Estado, o interesse público. Ora, a nossa integração deve ser na perspectiva da economia digital, em que vamos bastante atrasados.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é que funciona a economia digital? Nós, de facto, estamos expostos a essa economia, mas duma forma muito restrita, por exemplo, vamos analisar o contexto angolano em que havia duas operadoras e uma a funcionar de forma mais efectiva que a outra, em que a forma de fazer dinheiro era e tem sido pelo custo dos acessos à Internet e às telecomunicações. Os outros países o que fizeram?</p>
<div id="attachment_3026" style="width: 568px" class="wp-caption alignright"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612682221245444.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3026" class="wp-image-3026 size-full" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612682221245444.jpg" alt="" width="558" height="559" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612682221245444.jpg 558w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612682221245444-150x150.jpg 150w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612682221245444-300x300.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612682221245444-75x75.jpg 75w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612682221245444-36x36.jpg 36w" sizes="(max-width: 558px) 100vw, 558px" /></a><p id="caption-attachment-3026" class="wp-caption-text">Foto/OI.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Eles removeram as dificuldades de acesso à Internet e telecomunicações, treinaram as pessoas e incluíram muita gente dentro da plataforma electrónica, não somente reservada à de comunicação, mas acima de tudo, aos negócios, produção de bens e serviços e, além de  estimular a criatividade, desenvolveram as suas economias de outras formas, não somente através do acesso às telecomunicações.</p>
<p style="text-align: justify;">O que nós fomos tendo em Angola? É que, elevou-se o custo de acesso ao sistema e isso limita a capacidade do país de se integrar à economia digital, limita a capacidade do país de criar a sua própria capacidade de economia digital, pois a economia digital é baseada na capacidade de inclusão dos mais diferentes e variados <em>players, empresas e cidadãos</em> para criar valor da Internet.</p>
<p style="text-align: justify;">A criação do valor, no caso angolano, tinha e tem sido maioritariamente por um número muito limitado de pessoas. Estou a falar dos donos das empresas operadoras de comunicação, são esses maioritariamente que ganham dinheiro com a economia digital em Angola. Por esta razão nós estamos atrasados, e vamos continuar a estar ressentidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós não podemos pensar o futuro da forma como colocas a tua questão, porque isso significa ignorar os fenómenos que estão a ocorrer agora. A necessidade de inclusão é agora e está acontecer principalmente com a pandemia global do covid-19, toda gente sobrou nas redes sociais para a comunicação e interligação seguras, para fazer negócios. Os Estados fisicamente fecharam as portas às pessoas, as instituições foram paralisadas, as empresas foram encerradas, as pessoas são somente livres de circular e fazer troca de valores através da Internet, duma forma ilimitada. Daí que fomos forçados a entrar para este universo por esta pandemia, logo, não podemos pensar isso no futuro, isto é uma realidade, temos que agir agora, não devemos que esperar por novas operadoras para um dia termos o custo de acesso à Internet reduzido.</p>
<p style="text-align: justify;">O Estado responde à uma exigência do momento, a uma força maior que se aplica ao país que devia estar a trabalhar para imediatamente reduzir os custos e fazer com que as empresas e cidadãos angolanos, construíssem uma maior presença na Internet e fossem criando valor na sequência desta influência que teriam no espaço digital de comunicação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Percebo essa perspectiva, que é bastante interessante e integradora, na medida em que viabiliza a inclusão e faz com que este espaço digital de facto beneficie a todos e não só a alguns tal como, infelizmente, foi até agora no contexto angolano.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; A actividade é agora. Está a fazer-se de tudo na Internet e nós não podemos ficar à margem disso sob pena de sermos penalizados economicamente, uma vez que o paradigma mudou, a economia mudou, e é digital.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Que relação se pode estabelecer entre o jornalismo digital e o jornalismo de investigação? Nós podemos estabelecer uma relação entre esses dois polos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Há obviamente um mar de oportunidades neste sentido, mas também, claro, a perícia técnica é fundamental. Nós vivemos num universo em que a <em>fake news</em> domina em toda parte, o papel do jornalismo e do jornalista é distinto, e surgem aqui oportunidades de comunicação do jornalista não somente verificar, mas também apressar os factos, validando, digamos assim os factos. Apesar de termos a capacidade de produção de tanta informação, ou até  da tecnologia digital, que estamos a observar a emergir em toda parte, o jornalista vai continuar a ser importante porque ele pode verificar e pode certificar a informação. Daí que a perícia técnica é importante, mecanismos de investigação <em>online</em> devem ser aprimorados para que os jornalistas possam fazer o seu trabalho com zelo nessa nova era de comunicação digital. Obviamente, um dos grandes desafios do jornalismo investigativo tem a ver com o financiamento; os recursos materiais e financeiros para a realização do trabalho porque ele não é imediato. Ele toma tempo, paciência, toma um esforço enorme usando a Internet. O jornalismo online diminui os custos de investigação e também nós entendemos as limitações da publicação do material de recolha que vem do jornalismo investigativo. E a Internet acaba por ser um instrumento facilitador, na medida em que ela está no espaço público de informação, que muitas das vezes não é controlado pelo Estado, em que o operador se encontra. Pode obviamente fazer a publicação em estado de anonimato, sem exposição pessoal, e isso dá alguma segurança em ambientes em que ainda há alguma pressão sobre a liberdade de expressão e de imprensa. Portanto, há de facto, não só uma interligação entre o jornalismo digital e o jornalismo investigativo, como também existe aqui um mar de oportunidades que devem ser exploradas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Qual é o comentário que faz sobre o jornalismo de investigação em Angola em termos de quantidade e qualidade?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Na verdade, fazendo uma observação, <span style="color: #333399;"><strong>o jornalismo investigativo, em Angola está morto</strong></span>, praticamente não existe, está profundamente adormecido, até porque esse tipo de jornalismo depende muito da capacidade de financiamento para operacionalidade e para a sua eficiência. Depende de um conjunto de pré-requisitos que, provavelmente, hoje estão desintegrados, mas acredito que ainda seja possível recuperar este modelo de intervenção da media porque ela é muito útil, é muito importante para que a gente consiga trazer diversos aspectos relevantes da vida pública que não são explorados pela <em>mass media</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Acha que o jornalismo de investigação também tem a ver com a qualidade académica dos profissionais?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Também é verdade, mas eu acredito que a nossa academia também ensina os estudantes a investigarem, ou pelo menos, devia ensinar os estudantes a investigarem. Daí que é fundamental que as escolas de jornalismo possam atiçar o interesse e a habilidade dos novos formandos, e os potenciais jornalistas, a se dedicarem ao jornalismo investigativo, ele é muito importante no contexto em que vivemos. Principalmente, no caso angolano em que, por exemplo, há assumidamente uma guerra contra a corrupção e essa luta só pode ser bem-sucedida se tivermos o jornalismo investigativo a atuar, vibrante, em quase toda parte. Sem este pressuposto, eu não creio que a luta contra a corrupção possa ter muita força para ser bem-sucedida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Numa altura em que estamos a comemorar o dia dedicado mundialmente à liberdade de imprensa, qual é a caraterização geral que faz sobre a situação em Angola?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; É aquilo que eu tenho feito como referência, as liberdades, hoje, estão muito relacionadas com a capacidade económica das instituições do Estado e dos cidadãos. Se os Estados, as instituições e os cidadãos estiverem frágeis economicamente, isso afecta a capacidade de expressão na medida em que o <em>framework</em> de intervenção da comunicação é muito técnico, porque a intervenção no espaço digital de comunicação envolve tecnologia, e técnicas cada vez mais modernas e para aquisição destes instrumentos é necessário que haja algum tipo de poder económico. E também, se os órgãos de comunicação estiverem economicamente fragilizados, não terão capacidade de operar, não terão capacidade de informar o público satisfatoriamente e todas as limitações se colocarão. Daí é que eu vou ver que essas limitações operacionais, decorrentes das fragilidades financeiras e económicas dos Estados, das instituições e dos cidadãos, vá contribuir para uma fragilização, digamos assim, do movimento da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, essa é a minha observação acima de tudo.</p>
<div id="attachment_3025" style="width: 595px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612595532613915.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3025" class="size-full wp-image-3025" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612595532613915.jpg" alt="" width="585" height="585" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612595532613915.jpg 585w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612595532613915-150x150.jpg 150w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612595532613915-300x300.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612595532613915-75x75.jpg 75w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/612595532613915-36x36.jpg 36w" sizes="(max-width: 585px) 100vw, 585px" /></a><p id="caption-attachment-3025" class="wp-caption-text">Foto/OI.</p></div>
<p style="text-align: justify;"> Há outros pré-condicionalismos, o condicionalismo político a ser revisto, há também as desigualdades sociais, há ainda aqueles que detêm o poder político, o poder económico e controlam os órgãos de comunicação social. O jornalista intervém nesses órgãos num mar de fragilidades, sendo submetido aos ditames dos interesses dos donos destes órgãos, que tem profundos interesses políticos, e que muitas vezes, nós sabemos quais são. Na medida em que nós estamos economicamente fragilizados, temos menor capacidade de empreender, especialmente na comunicação social.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu conheço um conjunto de iniciativas de media que não consegue ir para lá e não consegue operar de forma eficiente, porque não há fontes de financiamento para estes projectos, não há sustentabilidade económica, há uma fragilidade na sua operação e, obviamente, isto vai condicionar a liberdade de imprensa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Herculano estamos a chegar ao fim, há uma questão que eu acho importante colocar numa perspectiva comparativa. O anterior presidente era tratado ao nível da imprensa, sob o controlo do Estado (TPA, RNA, Jornal de Angola e ANGOP), de uma forma especial, como se fosse uma espécie de entidade divina. Na nova era, que alguns dizem ser uma era melhor, que parece haver sinais de liberdade de imprensa, não é esse o meu ponto de vista como é óbvio, mas o novo presidente também nunca é alvo de críticas desses órgãos de comunicação. Qual é a análise que faz sobre isso? Portanto, parece que o padrão em relação a esse aspecto não mudou. Os dois têm um tratamento de entidade angélicas, não?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Há um modelo operacional dos órgãos de comunicação social público em Angola e o tratamento é em função da proeminência das fontes de informação, na medida que há sempre a tendência de se tratar de forma muito similar como se tratou no passado as figuras do Estado. <span style="color: #333399;"><strong>O presidente da república, a figura mais alta do Estado e do governo, detém o controlo destes órgãos de comunicação social. </strong><span style="color: #333333;">Hoje, sem</span></span> obviamente ignorar a maior integração de outras fontes de informação na cobertura destes órgãos, ainda há uma protecção da figura do chefe de Estado quando esses órgãos de comunicação social fazem reportagens dos eventos decorrentes, ou não,  em Angola. Portanto, isso é indiscutível.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Isso é um sintoma de que a liberdade de imprensa continua condicionada, quando há alguém que é intocável. Numa verdadeira democracia não pode haver intocáveis, não é?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Nós estamos a viver um momento crescente de abertura, nós notamos abertura a nível da comunicação social, na sequência da transição pacífica de poder que nós tivemos em Angola. Obviamente que, ainda não é satisfatório o ponto em que estamos, vai se trabalhar muito mais, mas também entendemos que isso envolve uma sociedade com cerca de 30 milhões de pessoas, milhares de instituições, muitos órgãos de comunicação social e este movimento não é imediato, não é automático, é um movimento de descoberta dos limites próprios. Creio que esse movimento vai continuar a alargar-se na medida em que a construção dos polos de poder continuam também a se alargar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós agora temos a meta da instituição das autarquias locais, do poder local, também vai trazer um outro ar à conjuntura política, à relação política e ao espaço político, à compreensão do poder das instituições, à “checkcagem” dos limites — até onde podem ser estabelecidas. Portanto, é um movimento crescente de abertura, é apenas um ponto em que estamos não é necessariamente o fim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Gostaria de pedir-lhe um comentário final, que lhe parece relevante no seu ponto de vista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>HC</strong> &#8211; Para mim é relevante entendermos que, quando falamos do jornalismo digital, estamos a falar precisamente da nossa capacidade de empreender, da capacidade de criarmos valor fora do contexto tradicional da economia, logo há uma inovação, e toda inovação para ser bem sucedida deve apresentar instrumentos aceitáveis de qualidade e também de quantidade e isso é só possível se nós tivermos capacidade técnica e tecnológica que nos ajude a chegar a este nível.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante que naveguemos numa era de informação e de conhecimento logo, a nossa academia deve preparar força de trabalho capaz, não somente de navegar nesse cosmo novo, mas de explorar as oportunidades que se nos apresentam no universo digital, e através da criatividade, criarmos valor e criarmos a nossa economia digital, é importante essa integração económica  digital, o que só vai ser efectiva quando nós elevarmos o nosso nível de criatividade, além dos conhecimentos técnicos e operacionais da nova media.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;"><strong>É muito importante que nós entendamos que o jornalismo digital é uma forma muito mais sustentável de comunicação, na medida em que ele oferece custos muito mais reduzidos de intervenção e um sistema operacional que pode ser muito mais rápido e muito mais efectivo</strong>,</span> embora hajam riscos muito grandes porque a era da comunicação digital, também potenciou um outro fenómeno extremamente negativo que tem a ver com a <em>fake news</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A <em>fake news</em> sempre existiu no contexto físico, sempre houve a propaganda no sentido de se denegrir figuras, Estados, seja isso no plano nacional ou internacional, mas a era digital, a era da informação magnetizou a capacidade desta informação falsa influenciar o público de uma forma global, embora usando muita das vezes a media pessoal, pois o cidadão já intervém na criação da media e na partilha desta media, aliás, o segredo do sucesso do jornalismo <em>online</em> tem muito a ver com a capacidade da partilha daquilo que é exposto, o que torna o movimento viral e o movimento viral torna a informação influente.</p>
<p style="text-align: justify;">A meta do comunicador <em>online</em> muitas vezes é ter um nível muito alto de influência, e isso passa pela capacidade de partilha, pela capacidade do público <em>online</em> consumir e partilhar, ao mesmo tempo criando uma bola de neve na projecção da informação.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós precisamos de compreender, que este universo em que intervém a <em>fake news</em> e em que a <em>fake news</em> se potencializa, é cada vez mais influente e o jornalista tem a missão de  averiguar os factos, onde repousa a verdade no domínio público.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DC</strong> &#8211; Herculano gostaria de agradecer-lhe pela disponibilidade.</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
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        Angola está abaixo da média no acesso à Internet  </a>

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    Por Rui Seamba ||  A democracia é um bem imensurável. Democracia pressupõe abertura, informação, formação, publicação, cidadania e outros elementos nos quais um cidadão deve se sentir, verdadeiramente um cidadão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/breve-abordagem-sobre-esfera-publica/"> Leia mais</a>  </p>
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        A Liberdade de uso da Internet desce em Angola  </a>

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<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/herculano-coroado-nosso-jornalismo-digital-aparece-como-espaco-de-rebeliao-alternativa-a-media-tradicional-sob-controlo/">Herculano Coroado: “Nosso jornalismo digital aparece como espaço de rebelião. Alternativa a media tradicional sob controlo”</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O jornalismo digital em África: uma oportunidade relativa</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/o-jornalismo-digital-em-africa-uma-oportunidade-relativa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2015 17:16:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Direito à internet]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="287" height="300" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa-287x300.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa-287x300.jpg 287w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa.jpg 300w" sizes="(max-width: 287px) 100vw, 287px" /></p>
<p>&#160; Por Serge Katembera&#124;&#124; As novas tecnologias são uma oportunidade para os jornalistas africanos. Uma oportunidade relativa. A chamada (r)-evolução tecnológica está modificando radicalmente os hábitos de consumo tanto dos jornalistas quanto dos leitores e telespectadores. Se durante muitos anos a África parecia ser o continente mais atrasado em termos de uso da tecnologia numérica ...</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/o-jornalismo-digital-em-africa-uma-oportunidade-relativa/">O jornalismo digital em África: uma oportunidade relativa</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="287" height="300" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa-287x300.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa-287x300.jpg 287w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa.jpg 300w" sizes="(max-width: 287px) 100vw, 287px" /></p><div id="attachment_1248" style="width: 297px" class="wp-caption alignright"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-1248" class="wp-image-1248 size-medium" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa-287x300.jpg" alt="Internet Africa" width="287" height="300" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa-287x300.jpg 287w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/Internet-Africa.jpg 300w" sizes="(max-width: 287px) 100vw, 287px" /></a><p id="caption-attachment-1248" class="wp-caption-text">[Pt| rmc]</p></div>
<p><strong><em>Por Serge Katembera||</em></strong><strong> As novas tecnologias são uma oportunidade para os jornalistas africanos. Uma oportunidade relativa. A chamada (r)-evolução tecnológica está modificando radicalmente os hábitos de consumo tanto dos jornalistas quanto dos leitores e telespectadores. Se durante muitos anos a África parecia ser o continente mais atrasado em termos de uso da tecnologia numérica como afirmou Manuel Castells no terceiro volume da sua trilogia sobre a <em>Sociedade em Rede</em>, está claro que hoje o “continente negro” se tornou uma oportunidade para todos.</strong></p>
<p>Mas, os jornalistas africanos estão mesmo aproveitando essa oportunidade? Há alguns anos decidi sair da rotina do jornalismo clássico que havia estudado na escola de jornalismo e procurei investir no numérico. Abri um primeiro blog – que posteriormente fechei – onde comecei a treinar o domínio da plataforma Blogger. A experiência que não deixava de ser lúdica me levou a participar de um concurso organizado pela<strong> Radio France Internationale</strong>, uma das rádios mais importantes do mundo, tendo me tornado um dos seus blogueiros mais experimentados em muito poucos anos.</p>
<p>Em várias ocasiões tive a oportunidade de visitar países como a Costa do Marfim e Senegal e observei de perto a dinâmica na área das novas tecnologias da informação e comunicação. <em>“Novas tecnologias trouxeram a necessidade de novos usos”</em>; os jovens desses países entenderam que as novas tecnologias poderiam ajuda-los a abrir novas portas, a criar comunidades de blogueiros fortes, activistas influentes ao ponto que os políticos desses países integraram a ideia de que um diálogo com essa nova elite numérica é imprescindível para o avanço das suas democracias.</p>
<p>O que observei nesses cinco anos em que me envolvi com as novas mídias foi uma estratificação no nível continental de tal forma que a África central parece estar atrasada em comparação com o sul, norte e leste. A <em>Primavera árabe</em> mostrou que o Egipto tinha uma grande cultura digital. <strong>Manuel Castells chegou a escrever em Redes de indignações que 80 % dos egípcios tinham uma conexão à Internet no início das revoltas</strong>. Acredito que na Tunísia a situação não era muito diferente.</p>
<p>Contudo, países como a República Democrática do Congo continuam atrasados na implementação de uma infraestrutura consequente nessa área. Recentemente, o governo congolês bloqueou as comunicações via celulares e Internet, numa das medidas mais controvérsias dos últimos tempos. Isto não pode ocorrer. É politicamente insustentável e o custo é muito grande.</p>
<p>Não me parece tão-pouco que os jornalistas africanos estejam investindo maciçamente nas novas tecnologias e consequentemente no jornalismo digital.</p>
<p>Como eu disse no início, as novas tecnologias são uma oportunidade relativa. Essa relatividade se dá por um paradoxo: a oportunidade existe, mas apenas será útil para quem souber aproveitar o mercado.</p>
<p>Os números são gritantes. O crescimento na África alcança número que daria inveja a potências económicas como o Brasil, a Índia ou a China. O Ruanda cresce anualmente mais do que o gigante asiático. A R.D. Congo cresce 7 % por ano, Angola está com um crescimento de dois dígitos. Não quero discutir a dimensão social desse crescimento, apenas pretendo apontar que se os africanos não souberem aproveitar outros irão fazê-lo.</p>
<div id="attachment_1249" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/JD.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-1249" class="wp-image-1249 size-medium" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/JD-300x165.jpg" alt="JD" width="300" height="165" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/JD-300x165.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/JD.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2015/03/JD-546x300.jpg 546w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-1249" class="wp-caption-text">[Pt| rmc]</p></div>Recentemente, o jornal francês <em>LeMonde.fr</em> abriu uma versão digital do seu site integralmente dedicado à África. O investimento é imenso tendo como um dos principais accionistas <em>a Fundação Bill e Melinda Gates</em>. O projecto é ter uma notícia produzida para e pelos africanos. Alguns dos meus amigos blogueiros camaronenses e beninenses foram contratados para produzir uma “informação local”.</p>
<p>É uma tendência do mercado. Da crise do jornalismo na Europa nasce uma oportunidade em África, mas somente para aqueles que souberem investir na área, isto é no uso das novas tecnologias. Somente o jornalista 2.0 será adaptado par o novo mundo do jornalismo digital.</p>
<p>Não estou falando de um futuro revelado e hipotético; trata-se da realidade tal como está acontecendo no ritmo da vida conectada&#8230;</p>
<p>Também, o rigor académico me obriga a apontar para uma realidade escondida atrás desse tipo de investimento como o do jornal Le Monde, a saber, a problemática da terceirização da informação. O mercado do jornalismo digital está submetido às mesmas mazelas da economia real onde a busca por novos mercados mais baratos parece ser a única estratégia para o futuro. Desta vez, o mercado é a África. Para bem ou para o mal.</p>
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    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/o-jornalismo-digital-em-africa-uma-oportunidade-relativa/">O jornalismo digital em África: uma oportunidade relativa</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
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		<title>“Não há desenvolvimento sem comunicação”, afirma Pe. Maurício Camuto</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/nao-ha-desenvolvimento-sem-comunicacao-afirma-pe-mauricio-camuto-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2014 14:25:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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<p>O Observatório da Imprensa e da Comunicação/OI, ouviu o Pe. Maurício Camuto, antigo director da Rádio Ecclesia. Durante a conversa discorreu sobre vários assuntos ligados a midia, comunicação, democracia, liberdade artística entre outros de interesse nacional e universal. Em relação a rádio que dirigiu, afirma que hoje não se identifica com os sem voz, perdeu ...</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/nao-ha-desenvolvimento-sem-comunicacao-afirma-pe-mauricio-camuto-2/">“Não há desenvolvimento sem comunicação”, afirma Pe. Maurício Camuto</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="199" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-300x199.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-300x199.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL.jpg 603w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL.jpg"><img class="size-medium wp-image-916 alignright" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-300x199.jpg" alt="MC FINAL" width="300" height="199" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-300x199.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL.jpg 603w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
<p><strong>O Observatório da Imprensa e da Comunicação/OI, ouviu o Pe. Maurício Camuto, antigo director da Rádio Ecclesia. Durante a conversa discorreu sobre vários assuntos ligados a midia, comunicação, democracia, liberdade artística entre outros de interesse nacional e universal. Em relação a rádio que dirigiu, afirma que hoje não se identifica com os sem voz, perdeu o seu rosto e está descaracterizada. Quanto a imprensa estatal, entende que ela está claramente contra democracia e o desenvolvimento. Entre várias ideias marcantes da entrevista proferiu esta: “quem veda o teu acesso à informação este não pode ser teu amigo no século XXI, é um inimigo”. Para além das facetas acima expressas, o Pe. Maurício é Mestre em Ciências da Comunicação, pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma, Itália, pelo que tem autoridade técnica e experiência profissional para pronunciar-se sobre as questões que propusemos.</strong></p>
<p><strong>Observatório da Imprensa – </strong><em>Que comentário faz sobre a liberdade de expressão e de imprensa de uma forma geral.</em></p>
<p><strong>Padre Maurício Camuto – </strong>Acho que mesmo aos olhos dos menos interessados e os mais inocentes dá-se logo conta à primeira vista que ainda não estamos muito bem, à medida que aqueles órgãos que deveriam servir uma maioria, neste caso a pública, nem respeita sequer estes ditames, este desiderato que está até e encontramos na constituição do país. Nem sequer respeita isso porque nós vemos que fazem mais o jogo de quem está lá em cima, na mó de cima. E o que está na mó de cima, pois, faz tudo para que esta mesma liberdade de imprensa e de expressão seja praticamente anulada na sua acção, não tenha peso, não tenha força, e quem se atrever a partir para posições contrárias encontra dificuldades, tem problemas. Assistimos um dos espaços onde se manifesta grandemente a liberdade de expressão é nas manifestações. Vimos as manifestações onde as pessoas querem exprimir os seus sentimentos em relação a algo e não são autorizados. São reprimidos, são violentados, são agredidos. Então, só por esses dados nós podemos dizer que há aqui um problema em relação aquilo que a constituição prevê ou exara como lei e aquilo que é a prática no dia-a-dia da parte dos que detêm o poder e também da parte daqueles que têm os meios para permitir o exercício dessas liberdades, neste caso os órgãos de comunicação que, como vemos, são manietados. Esses que deviam dar abertura, permitir que as pessoas se exprimam, manifeste as suas ideias e seus pensamentos, estes não permitem pura e simplesmente.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>O padre acaba de fazer uma caracterização que nos parece inadequada para o contexto de Angola em relação a liberdade de expressão e de imprensa. Fala particularmente da imprensa que chamam de pública, tal como acabou de caracterizar, mas do ponto de vista técnico acha que efectivamente temos uma imprensa pública? Essa que a chamamos de pública, tendo em conta o papel que ela desempenha? Porque parece haver uma contradição na medida em que diz que ela porta-se de uma maneira inadequada, de acordo com as exigências constitucionais e democráticas, mas o serviço que ela presta não podemos considera-lo público. Nesse sentido talvez não poderíamos dizer que Angola tem uma imprensa pública. Talvez seria estatal. Não?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Exactamente. Tecnicamente dizendo seria mais estatal porque está mais voltada para os interesses do Estado e, até indo mais pormenorizadamente, está mais interessada aos interesses de um partido, neste caso o partido maioritário. Mas é preciso salientar que a imprensa pública mesmo em qualquer parte do mundo tem sempre essa dificuldade. Há a tutela do Estado ou, aliás, o Estado procura sempre tutelar aquilo que é a imprensa pública, aquilo que é público. E vamos ler, a gente lê, vê, acompanha situações, por exemplo, na América, na Inglaterra, em que quando o Estado não quer também tem dificuldade. A imprensa tem dificuldade. Muita coisa vem à luz que parece ser de facto expressões democráticas mas não é. Não é. É qualquer coisa que já passou pela censura do Estado. Pronto. É pública. E a imprensa é pública. Há sempre este perigo.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Esse comentário comparando com realidades que não da Angola pode condicionar as pessoas a achar que aqui o ambiente é normal. Portanto, se na Inglaterra acontece isso, é a mesma coisa.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Não. Nem sequer chegamos lá. Não é a mesma coisa.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Há vozes que afirmam que não há liberdade de imprensa no país. Partilha a mesma opinião?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Dizer também que não há liberdade de imprensa, digamos a cem por cento, também é exagero, porque vemos até certo ponto que há jornais privados que saem, embora alguns, digamos, privados entre aspas que saem, onde as pessoas têm a possibilidade de exprimir os seus pensamentos. Jornalistas fazem o seu trabalho e achamos de maneira honesta e profissional, não é. Há jornais que saem. Uma ou outra rádio vai neste domínio. Então não podemos dizer que taxativamente não há liberdade de imprensa. Não podemos.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>A exigência no cumprimento das normas jornalísticas do ponto de vista ético, no contexto de Angola, podemos considerar que estamos bem ou nem tanto? Isenção, rigor, distanciamento em relação ao tratamento das matérias, e tudo mais.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Infelizmente não. Assistimos a muitas aberrações aqui, em Angola. Sabe porquê? Porque se diz, e nós até dizíamos enquanto estudante, e os professores diziam que o jornalista é como um sacerdote ou como um médico, pode exercer a sua profissão em qualquer parte do mundo, se for de facto um jornalista profissional. Em qualquer parte do mundo. Desde que domine a língua do país.</p>
<p>Mas aqui, em Angola, há muitas… A gente vê… Sei lá. Pessoalmente digo que <strong>se eu fosse ministro da comunicação social amanhã, por exemplo, e o Estado democraticamente organizado, colocaria na rua muitos jornalistas que hoje dizem que são jornalistas, quer na imprensa do Estado e também alguns na imprensa privada.</strong> Estariam na rua porque constituem uma vergonha para a classe profissional jornalística. Porque nem sequer respeitam a ética do jornalismo, nem sequer respeitam os elementos básicos fundamentais do jornalismo, como vários aspectos: as questões das fontes, confrontar as várias partes para, digamos, fazer uma notícia que tenha o cunho de notícia como tal. Não são capazes de ir às várias partes. Contactar as fontes, digamos, trazer as notícias com uma distância que se requer. Não são capazes.</p>
<div id="attachment_920" style="width: 269px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-4.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-920" class="wp-image-920 size-medium" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-4-259x300.jpg" alt="MC FINAL 4" width="259" height="300" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-4-259x300.jpg 259w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-4.jpg 589w" sizes="(max-width: 259px) 100vw, 259px" /></a><p id="caption-attachment-920" class="wp-caption-text">“[…] se eu fosse ministro da comunicação social amanhã, por exemplo, e o Estado democraticamente organizado, colocaria na rua muitos jornalistas que hoje dizem que são jornalistas, quer na imprensa do Estado e também alguns na imprensa privada.”</p></div>E muitas vezes que estão também ou como se eles fizessem já parte da notícia tomando partido da tal notícia. Esse é um aspecto. O outro aspecto é a promiscuidade que vemos também dos jornalistas e a questão das publicidades aqui, em Angola. Já houve até quem também falasse sobre isso. É jornalista, por exemplo está a fazer a apresentação de um jornal na televisão, depois, às tantas, no mesmo jornal está a fazer publicidade de um produto. Isso já é anormal. Temos o sindicato dos jornalistas, temos o Conselho Nacional da Comunicação Social que deviam, talvez, chamar um pouco atenção. Tentar colocar ordem no “poleiro” já que não há ninguém que fala. Isso continua assim, a arrastar-se e isso não é bom para a classe jornalística angolana porque o nosso país é visitado por muita gente, e muitos comentam. Muitos são amigos nossos, conhecidos nossos, e comentam sobre como os nossos fazem o jornalismo, mesmo a maneira como apresentam a notícia vê-se logo se ele está do lado de quem deu a notícia, do lado da oposição, ou do lado de quem deu informação, quer dizer, nota-se logo. Não há aqui aquela distância entre o indivíduo que noticia e o próprio facto, a própria notícia. Não há.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Embora a liberdade de expressão e de imprensa seja fundamental para as sociedades, as liberdades comunicativas de uma forma geral, mas fala-se da necessidade de limites. Quais são os critérios para que haja limites no exercício da liberdade de comunicar, particularmente na imprensa? </em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – A Constituição da República de Angola dá limites, mas há países onde não há limites. Aqui temos a questão do bom nome, da reputação, do segredo de justiça, do segredo de Estado, segurança nacional. Na constituição isso está, mas há países que conhecemos, democráticos, onde esses aspectos não são tidos em conta. Parecem-nos não ser tidos em conta, mas os factos… Por exemplo aconteceu na guerra do Iraque. O que os americanos mostravam ao mundo não era aquilo que na realidade se passava no terreno em relação aos jornalistas. Houve até jornalistas que morreram lá. E porquê que morreram? Até essas são sempre questões assim, digamos…Talvez porque também eram parte do conflito e podiam trazer à tona ou revelar informações que não interessava à América ou que podia prejudicar a imagem da América. Então, esses limites normalmente os Estados procuram colocar balizas para o exercício desta profissão porque, como disse, pode pôr em causa a segurança nacional, a segurança do Estado, pode pôr também, no nosso caso, por exemplo a imagem. Aqui falamos muito de imagem. Os angolanos preocupam-se muito com a sua imagem. O Chefe de Estado aqui, em Angola, há esta preocupação, por isso acho que por causa disso é que colocaram na nossa constituição a questão da reputação e o respeito ao bom nome como limites do exercício da profissão jornalística. Mas como disse, noutros países nem tanto assim. Eu estive na Itália e os jornalistas vão e vão ao fundo. Colocam o prego ao fundo de tal maneira que os senhores viram com as coisas do Vaticano vêm muitas vezes à tona porque são jornalistas e o Estado não põe limites.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Aborda o problema do limite numa perspectiva muito técnico-jurídica, mais no plano legal. Do ponto de vista da contradição no plano teórico, qual é a posição do padre? Prefere os que defendem a ausência de limites, teoricamente, ou aqueles que defendem que efectivamente tem de haver limites e que esses limites têm de se traduzir em leis? Por exemplo, Raoul Vaneigem<strong>,</strong> um teórico que tem uma obra interessante em que ele defende liberdade absoluta no âmbito da comunicação, outros partilham de posições diferentes. Só que o grande problema em determinadas realidades, como é o caso do contexto angolano, por exemplo, quando se evoca a problemática da segurança nacional como uma das razões para limitar a liberdade de expressão e de imprensa muitas vezes não é propriamente a segurança nacional mas o interesse de determinadas personalidades, ou seja: “vamos evocar a razão de Estado mas o interesse é pessoal”. Um exemplo simples está ligado à questão da terra. A terra é do Estado, mas na verdade há pessoas aqui que estão a ocupar terrenos, como é o caso da metade do município do Mussende, outros ocuparam terrenos com dimensão de 34 centralidades do Kilamba, mas o argumento era que a terra é do Estado. É só um exemplo para as questões dos limites.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> –É um pouco difícil dizer que estou deste ou daquele lado, mas o é certo é que o exercício desta profissão sem limites o grande problema é depois… Há dias vi um filme sobre este senhor do Wikileaks Julian Assange. O filme termina mais ou menos mostrando que ele usa esses furos que ele teve, essa possibilidade de descoberta de grandes segredos, usava isso também para manipular as sociedades, manipular até mesmo Estados e grupos. Aí está o perigo também. O exercício desta profissão sem limites pode se cair também neste erro de aproveitamento pessoal ou de grupos também. Esse é o problema.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Há realmente censura na midia estatal e privada?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> –Olha, cada órgão de comunicação social deve obedecer ao seu patrão, e os patrões, pois estamos aqui a falar de limites, e muitas vezes sem querer até, determinam limites. Acho que isso é normal. Agora, falar de censura como tal, não sei. Mesmo na estatal não sei se há censura. Nunca ouvi assim casos concretos de censura. O grande problema é que, e até já falamos disso em vários encontros, os próprios jornalistas fazem a auto-censura. Já sabem o que agrada ao Estado, o que não agrada. O que agrada o patrão e o que não agrada e pronto, vai fazendo os seus cortes. Esse é o problema. Por isso é que vemos depois matérias não totalmente trabalhadas, não bem elaboradas porque nota-se que houve cortes. Nota que houve aí ingerências para a matéria passar assim.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Mas auto-censura não é baseada no nada. Se um indivíduo estiver num ambiente de liberdade mínima claro que ele não vai olhar qualquer factor de pressão externa para auto censurar-se. Achamos que os jornalistas angolanos auto censuram-se porque sabem que estão num ambiente hostil e chegam até onde é possível, onde não ponha em causa interesses. Pelo que mais uma vez há sempre alguma força, mesmo que seja invisível.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Então temos de dizer que há censura e a auto censura.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Acrescentando, a auto censura é fruto da prévia censura.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Pode ser. Ou de experiências, infelizmente. Nos encontros que houve aqui de jornalistas falou-se muito disso, deste aspecto de auto censura. O jornalista já vê o que vai e o que deve fazer. O que deve ir ao ar e o que não deve. O que o chefe gosta e o que não gosta. Há isso. E mesmo na midia privada também há limites. Também há certas…O jornalista também não pode fazer tudo. Eu estava na Ecclesia. Claro que os jornalistas também não iam fazer tudo. Há uma certa, podemos dizer assim, ética jornalística. Tem de fazer isso. Não pode chocar contra os interesses do patrão, dos chefes.</p>
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<p><strong> Chinês que criou sistema de controlo de redes sociais esteve em Angola. Talvez&#8230;</strong></p>
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<p><strong>OI</strong> – <em>O que tem a dizer sobre o papel das redes sociais na pluralidade de expressão?</em></p>
<div id="attachment_921" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-921" class="wp-image-921 size-medium" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-300x199.jpg" alt="MC FINAL 1" width="300" height="199" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-300x199.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-1024x679.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-765x510.jpg 765w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-1.jpg 1029w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-921" class="wp-caption-text">“[…] os protagonistas das artes têm de aproveitar também esses espaços e não se deixar sufocar pela pouca vontade política do regime ou do Estado.”</p></div><strong>Pe. MC</strong> – Se há coisa que a gente deve agradecer hoje no mundo da alta tecnologia é justamente a criação de redes sociais.</p>
<p>Pessoalmente estou muito grato com o aparecimento das redes sociais porque permitem, digamos, acho que actualmente é o espaço onde há mais liberdade. Infelizmente muitas vezes alguns usam tão mal, mas pronto, como disse, onde não há limites depois corre-se o risco de manipulações e de maus usos, e todo o lixo pode passar por aí. Mas até ao momento é o espaço que considero mais vasto das liberdades de expressão onde as pessoas podem exprimir as suas ideias e os seus pensamentos. Estamos bem com as redes sociais. Mas também é claro há um certo risco porque se cada um pode dizer o que sente, se cada um pode escrever o que pensa, depois o risco é haver também atentados morais, à ética e ficamos assim, depois sem sabermos o que é e o que não é, onde está a verdade, porque todo o mundo fala, não há confrontos. Eu apanho uma notícia, só o meu lado, não vou confrontar aquela notícia com outros dados para enriquece-la ou para trazer de facto a verdade. Não faço isso. Trago só a minha parte e pronto.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Exactamente pelo facto das redes sociais darem-nos essa possibilidade, talvez, como acaba de dizer, comunicarmos o que pensamos, de alguma maneira também tal comunicação alastra-se e põe em causa determinados interesses. E no contexto angolano, há bem pouco tempo, nasceu uma pretensão de controlo do mundo…</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Isso era normal. Era de esperar até. Cheguei a ouvir que esteve cá em Angola o técnico informático chinês que conseguiu criar um sistema de controlo que há na China. Esteve cá, em Angola, também. Com que objectivo? Não sabemos.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Mais uma vez inviabilizar então a possibilidade dos angolanos trocarem ideias e comunicar…</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Infelizmente. Trocar ideias, trocar opiniões de maneira livre. Sim. Espero que não seja verdade. Que ele não tenha vindo cá para fazer ou ajudar a fazer esse controlo. Espero que não.</p>
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<p><strong>“A rádio Ecclesia está desfigurada e já não se identifica com os sem voz”</strong></p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Qual é a visão do padre em relação àquelas sociedades onde há menos possibilidades das pessoas comunicarem? Isso inviabiliza o desenvolvimento?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Hoje não há desenvolvimento sem comunicação, sem informação. Não há. É impossível. E estas limitações que o Estado faz em relação à liberdade de expressão e de imprensa atrasam o nosso desenvolvimento. Por exemplo, quando saio de Luanda e estou no interior caio nas estrevas. O indivíduo fica sem informação. Há locais onde vou como o responsável missionário, não tens energia. Não tens internet. Não tens nada. Estás fechado do mundo. E então o povo que vive lá não sabe se há esta ou aquela doença. Se há este ou aquele problema que o Estado tem de resolver e que pode ameaçar as suas vidas. Não sabe. Não têm informação. Não têm comunicação. Este é um atraso para o desenvolvimento, ao progresso dos povos. A não comunicação. Aliás, já chegamos de fazer um artigo sobre isso na rádio Ecclesia. Uma crónica sobre isso. <strong>Quem não te garante, quem veda o teu acesso à informação este não pode ser teu amigo no século XXI, é um inimigo</strong>. E falamos isso em relação à rádio Ecclesia que é só limitada a Luanda, naquela altura, porque hoje também a rádio Ecclesia parece que não interessa há muitos. Mas naquela altura em que a rádio fazia o seu papel de voz dos sem vozes. Voz daqueles que não tinham voz. Havia aí uma expressão que a gente sempre dizia. Então a necessidade de levar a informação lá na Angola profunda para que todos os angolanos saibam o que se está a passar. Fala-se do VIH. Agora está a se falar outra vez da pólio. Fala-se do ébola. Muita gente no interior não sabe. Isso é um atraso. É contra o desenvolvimento das pessoas. Hoje um órgão de comunicação é um instrumento de suporte para o desenvolvimento de qualquer povo.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>A rádio Ecclesia ainda é apontada como estando a passar por um retrocesso na sua real missão.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Também constato isso, infelizmente. Não é porque estive lá que não posso falar, mas nós ajudamos a construir uma rádio e a dar um rosto à rádio da igreja que hoje, infelizmente, já não tem esse rosto. <strong>Está a ficar portanto desfigurada</strong>. E vai custar muito à igreja recuperar esse rosto que teve antes, infelizmente. E era aquela rádio que a gente queria que se estendesse a toda Angola. Agora esta rádio actual não sei se… Bom, pode ser do interesse de alguns que se estenda por toda Angola, mas se não leva a informação real do país, se não leva a verdade ao país, se não leva esse compromisso com a verdade, com a justiça e com a paz e até com a unidade nacional, se não leva o compromisso com o desenvolvimento não interessa a ninguém.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Parece-nos que o padre subscreve a tese de muitos angolanos e também de católicos de que de facto ultimamente a Ecclesia se identifica claramente com o poder instituído.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Infelizmente. Se não se identifica, também não se identifica com o povo. Infelizmente.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Padre falava das redes sociais como um espaço privilegiado para o alargamento dessa dimensão comunicativa que nos é humano. O que dizer da liberdade comunicativa no âmbito das artes? Por exemplo no âmbito da escultura, da música, da pintura. Acha que a liberdade de comunicar influencia também nas artes, na qualidade do tipo de arte que um povo pode fazer, que os artistas fazem?</em></p>
<p><strong>Pe.  MC</strong> – Absolutamente. Sim. Porque é comunicando que vamos mostrando aquilo que sabemos fazer. E é também na comunicação que vamos aprendendo com os outros o que eles já caminharam a nível da arte, a nível da música, a nível da escultura. Infelizmente nas redes sociais, esse espaço a que chamo já nobre da comunicação que hoje temos, infelizmente só encontramos mais é a música como expressão artística. A escultura ainda não encontramos assim em grande presença, nem a pintura. Mas é comunicando que mostramos aos outros aquilo que nós já sabemos, que somos e que nós sabemos fazer, e também lá apanhar aquilo que os outros já sabem e, bebendo da experiência dos outros, podemos melhorar. É o tal desenvolvimento. É o tal progresso. Bebendo o que os outros sabem fazer vamos fazendo cada vez melhor.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Mas as expressões artísticas do ponto de vista da cultura no sentido civilizacional, no sentido acadêmico, digamos um pouco elitista, parece que essas expressões culturais – a cultura, o próprio teatro ou a ópera, por exemplo – estão muito ligadas ao nível cultural ou espiritual de um povo. Parece o nível de estágio civilizacional em que nos encontramos não nos abre muito a esse tipo de expressões comunicativas.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Sim. Aí há que ver os acadêmicos, os protagonistas desta área. Saber explorar talvez as facilidades que as tecnologias nos oferecem. Por exemplo, vi alguém a falar da questão do ébola. Houve essa preocupação em fazerem teatro para demonstrar ao povo o que é o ébola, causas e consequências desta doença. Mas isso vamos ver mais nas cidades, aqui, em Luanda e sei lá. E até se pode promover isso lá no interior, nas aldeias. Naquele tempo havia também já expressões teatrais. O povo fazia também teatro. Trabalhei muitos anos em Cabinda e quando fosse às aldeias e tivéssemos alguma festa lá fazia teatro, e povo que faz facilmente teatro. Era interessante. Então hoje também se pode fazer. Se pode aproveitar este lado para divulgar as situações delicadas, situações críticas, situações que ameaçam a vida do povo.</p>
<p>Mas ainda voltando às redes sociais, hoje os grupos podiam organizar-se para fazer teatro e colocar numa rede social o seu teatro. Seria muito bom. Não esperar só que as salas de cinema estejam abertas para eles e seus trabalhos, ou então outros lugares, mas aproveitar esses lugares. E é um modo de se dar a conhecer não só a Angola mas ao mundo. E em Angola é importante porque cada vez mais jovens aderem a isso. Estou a vir agora do Lubango e fiquei admirado de ver a quantidade de jovens que pelo móvel já seguem as redes sociais. Seguem o facebook. Já estão no facebook, estão no twitter. Isso é interessante. <strong>Então, os protagonistas das artes têm de aproveitar também esses espaços e não se deixar sufocar pela pouca vontade política do regime ou do Estado</strong>. Não pode. Tem de criar espaços. Tem de se abrir.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Achamos que o problema da liberdade artística muitas vezes condiciona também o tipo de narrativa, o tipo de obras que os artistas fazem. Um exemplo: Há uma obra famosíssima chamada o “Beijo da reconciliação ou Beijo Mortal”que foi feita por um pintor Russo-alemão,  Dmitri Vrubel aquando da queda do Muro de Berlim e deu-se a união da Alemanha do Leste e a Alemanha democrática, e quando olhamos para o contexto americano tem um poema famosíssimo, o “uivo”, que enquadra-se perfeitamente no âmbito da liberdade artística e aí podíamos falar da literatura como fonte de liberdade comunicativa, em que os artistas dessas sociedades usam a arte para narrar e construir narrativas. Questionar a realidade. Propor novos caminhos. Nos livros daqui vê-se obras de arte que não têm nada a ver com a nossa realidade. É como se o artista estivesse a pensar a partir do céu. Quer dizer, ele está numa realidade mas as obras não retratam a realidade. Está relacionada a falta de liberdade ou é incapacidade ou formação desses artistas?</em></p>
<div id="attachment_922" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-922" class="wp-image-922 size-medium" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-300x199.jpg" alt="MC FINAL 2" width="300" height="199" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-300x199.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-1024x679.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-765x510.jpg 765w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2.jpg 1029w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-922" class="wp-caption-text">“Parece que está sendo hábito do angolano de falar de coisas que não sabemos se viveram alguma vez já num outro mundo ou quê e agora estão aqui e vão exprimindo ou vão falando desse mundo onde eles viveram, mas não falam da realidade. Os políticos não falam da realidade. Falam de outras coisas.”</p></div>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Acho que a nossa experiência como povo, o nosso caminhar político nos está a coarctar um pouco ou a inibir um pouco nas nossas acções. Porque os artistas normalmente, em qualquer parte do mundo, são homens livres. O que nos falta muitas vezes é liberdade. Liberdade de pensar, liberdade de ir mais além. Que na falta não é liberdade, é sentirmo-nos livres. A liberdade não é o outro que te virá dar. Tu mesmo tens de te sentir livre. É como o jornalista. Tem de se sentir livre para fazer o seu trabalho. Se não há esta liberdade interior no indivíduo é difícil crescer, porque você vai ficar fechado depois a padrões estruturais, esquemas já padronizadas e ficas por aí. Não sais desses esquemas. Acabou.</p>
<p>É o que vemos pelo que acabou de falar. Obras aqui de gente que escreve que não tem nada a ver com nossa realidade. Infelizmente esse depois não ajuda sequer as nossas culturas a crescer. Não ajudam o nosso acervo a dar um passo mais além. Andamos sempre a girar na mesma coisa. Parece que já é um hábito do angolano. A gente vê o discurso do Presidente da República sempre a girar na mesma coisa. <strong>Nós não avançamos</strong>. Não saímos daí. Um político diz alguma coisa… Estava aí a ver o debate da tv Zimbo de anteontem e estava a comentar com um colega que parece que há gente que fala parece que não vive em Angola. Fala de uma outra realidade. <strong>Parece que está sendo hábito do angolano de falar de coisas que não sabemos se viveram alguma vez já num outro mundo ou quê e agora estão aqui e vão exprimindo ou vão falando desse mundo onde eles viveram, mas não falam da realidade.</strong></p>
<p><strong>Os políticos não falam da realidade. Falam de outras coisas.</strong> Porquê? Não sabemos. Talvez é preciso ver a nível da educação, a nível do ensino. E também é porque começamos muito tarde a despertar para a arte, para a cultura, para esses aspectos todos. Começamos muito tarde e também isso não é bom. A gente tem de ter cada vez mais bagagem. As escolas deveriam investir mais nisso. No teatro, na música, na dança até. As escolas a partir do ensino primário e desenvolver nas crianças o gosto por aquilo que é nosso e é bom.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Por exemplo, do ponto de vista artístico hoje há um movimento no âmbito da arte contemporânea que são os movimentos urbanos que saem a pintar paredes de cidades e muitas dessas pinturas são pinturas que questionam valores da sociedade, que solicitam reformas. Porquê isso não chegou aqui?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Você vai fazer isso aqui e vai morrer como o jovem Ganga. Por colocar um panfleto na rua foi baleado. Só isso já inibe qualquer um de fazer uma coisa dessa. Acabou. Esse é o problema.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>E em determinados países, isso agora está a ter um valor económico. Por exemplo em Portugal atrai turistas</em>.</p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Claro. Como não? Vi na Itália isso. Chamam graffiti. Os jovens que fazem isso… Antes, de facto, a polícia estava sempre contra eles mas depois tiveram de aceitá-los. Eles se impuseram. Hoje são artistas reconhecidos. É o tal espírito livre que eu dizia. <strong>O artista tem de se sentir um homem livre. Não esperar que alguém te dê liberdade. Tu tens de ser livre.</strong></p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Parece que também está mesmo relacionado com o nosso nível de compreensão da realidade e do mundo. Somos relativamente atrasados, usaríamos essa expressão um pouco mais dura. O que se passa?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Podes ter razão porque nós, aqui ao nível da nossa congregação, estamos sempre a falar de que o país está a cair numa mediocrização. Temos aqui um colega que é decano e dá aulas na católica [Universidade Católica de Angola], e até a católica está baixando de nível, é a nossa apreciação. A universidade Católica que já no passado foi referência até a nível de África, está baixando de nível. Isso porquê? Por causa do… À medida que você vai recebendo grupos cada vez mais fracos, mesmo estando lá em cima, vocês são obrigados a baixar. Porquê? Porque depois vai ter muitas reprovações. Vão ter problemas de acumulação de estudante que andaram sempre a reprovar todos os anos. É este o problema. E também está a entrar esse problema, infelizmente, nos seminários. <strong>Há uma mediocrização dos estudos, da intelectualidade, do rigor. Tudo medíocre</strong>. Até nos seminários. Infelizmente. E nós, por exemplo, eu tenho a responsabilidade de chamar atenção aos colegas. Estou constantemente por cima deles. Os colegas que estão na formação para evitar. Nos seminários ou se sabe ou não se sabe. Mas isso vem da base. Vem do ensino primário onde actualmente não se reprova.</p>
<p>Depois vem de métodos ou qualidade de ensino péssima, onde até vimos a televisão uma vez, nem sei porque mostraram aquilo, se calhar nem se aperceberam, houve uma vez passou uma informação no noticiário que uma criança corrigiu o professor na sala, e o professor bateu a criança. E a criança depois a chorar e a explicar na televisão. Aquilo foi uma vergonha porque os professores não sabem. O que é que vão ensinar às crianças? E como é que as crianças vão aprender com os professores que não sabem? E vão passando de classe. Vão avançando. Depois estão no médio e continuam com essa mediocrização, com esse minimalismo. Tudo mínimo a avançar mesmo assim e pensa que é normal. E depois viram também professores. Querem dar aulas e fazer como o professor fez, porque o professor de qualquer maneira é modelo, e vai fazer como o professor fez também.</p>
<p>Então vamos sempre avançando, quer dizer, um avançar que na verdade é recuar. E não há esforço. Por exemplo há pouco empenho para as questões matemáticas, para as questões científicas. Há pouco empenho.</p>
<p>Conheço jovens que estão decepcionados com o Estado porque são cientistas e não têm o apoio do Estado. Estão por aí perdidos. E muitos jovens que vêem isso… “epá, ele que sabe tanto, é técnico não tem apoio”, isso desmoraliza, mas se verem que há uma classe de jovens que é apoiada pelo Estado para fazer as investigações que eles acham que devem fazer os outros jovens também vão aplicar-se.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Como analisa a imprensa online que tem surgido ultimamente no panorama angolano?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> –A gente segue. São também meios por onde se pode pôr em prática a tal liberdade de expressão. Tenho acompanhado. Parece-me que, por exemplo em relação ao Club-K, parece que algumas informações carecem de mais ou melhor elaboração, cuidado técnico e não só, ao contraditório. Parece-me que falha um pouco aí. Mas é bom. Ao menos dão a conhecer os problemas que temos. Levantam problemas. E isto já é bom. Quem está atento pode depois de ler aquilo ir ver de facto o que se está a passar em relação a essa questão. Já é bom.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Há pouco falava de um técnico chinês que esteve aqui para controlar ou bloquear algumas redes sociais. Ainda quanto aos órgãos de comunicação online, como encara o futuro desse segmento comunicacional?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> –<strong>Em sistemas como o nosso onde o poder ou o Estado fez uma Constituição à sua medida tudo também é possível. Amanhã podemos vermo-nos de facto limitados na nossa inserção neste mundo da comunicação ou das redes sociais. </strong>Podemos nos ver limitados. Tudo é possível num sistema como o nosso.</p>
<p>Mas acho que o Estado não vai até aí porque também poderá estar a dar um tiro no seu próprio pé à medida que as redes sociais também permitem ao Estado conhecer muita coisa que na imprensa pública, nos órgãos de comunicação seja estatal ou privada não passa. Vimos situações como por exemplo daqueles presos, daquelas agressões ou violências feitas contra aquelas senhoras, os prisioneiros também como foram violentados ou agredidos pelos guardas prisionais. O Estado tomou medidas. Então há coisas também que passam pelas redes sociais que o Estado precisa conhecer e se colocar limites, como disse, pode estar a dar tiro contra o próprio pé.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Nota interesse por parte do Estado em conhecer as informações que as redes sociais algumas vezes publica?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Acho que sim, porque há coisas que são postadas na internet, por exemplo no facebook, que vimos e depois houve evolução, houve qualquer coisa que se passou reagindo justamente àquela informação que foi veiculada.</p>
<p><strong><em>OI</em></strong><em> – O acesso à internet ainda é bastante deficitária…</em></p>
<div id="attachment_922" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-922" class="wp-image-922 size-medium" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-300x199.jpg" alt="MC FINAL 2" width="300" height="199" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-300x199.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-1024x679.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-765x510.jpg 765w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-2.jpg 1029w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-922" class="wp-caption-text">“O artista tem de se sentir um homem livre. Não esperar que alguém te dê liberdade. Tu tens de ser livre.”</p></div>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Há dias estava a ler uma informação de que Cabo Verde é o primeiro nos PALOPs [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa]. É o nono em África e primeiro nos PALOPs em relação ao uso da internet. E Angola ainda está muito longe. E estamos longe sobretudo porque acho que o Estado não fornece uma banda suficiente que permita a todos, embora se tenham criado mediatecas e mais outras estruturas para facilitar aos jovens o acesso à internet, esta internet ainda não tem nem abertura nem a velocidade desejada, o que aborrece muitos jovens. Para além disso é muito cara. Mesmo para aqueles que usam no telefone.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>O padre dizia que encontrou miúdos no Lubango com acesso à internet, mas essa internet que eles têm acesso nem sequer conseguem ver imagens. Mas é propositado também. O pessoal limita-se a ver frases.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Eles liberalizam uma banda muito fraca. Não é uma banda de grande velocidade. Não podem ver vídeos no youtube, por exemplo.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Fazendo jus de que a imagem tem mais força que mil palavras.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Pois claro. A imagem fala mais. Um dos jovens nosso… Eu recebo sempre informações, nem sei quem me manda aquelas comunicações, mas prontos, são notícias gerais de Angola e vem com imagens também e envio para os colegas. Um dos jovens nosso, um dos colegas, tinha aquilo e disse “mas como é, o padre manda-me sempre essas notícias e olha como aparece aqui então”, de facto não aparece as imagens, só o texto.</p>
<p><strong>“A imprensa estatal está do lado do autoritarismo e não da democracia…”</strong></p>
<p><strong>OI</strong> – <em>De acordo com a concepção liberal do ponto de vista teórico sobre a imprensa, efectivamente a comunicação social é um factor fundamental para o nascimento e aprofundamento de uma democracia. Essa é a visão liberal. Mas a teoria crítica da liberdade sobre a comunicação diz que não – a imprensa é uma faca de dois gumes – e diria que esse é um pensamento bem presente dentro da igreja. Ela é um instrumento de moralização ou de desmoralização. É um instrumento de democratização ou de autoritarismo, dependendo da forma como ela é usada. Então, por exemplo: para o contexto de Angola nós diríamos que a imprensa angolana está ao serviço do autoritarismo ou do aprofundamento do Estado democrático?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Mas é preciso fazer a distinção entre a imprensa estatal e a privada. Se for assim de maneira geral, o grande peso está na midia estatal que tem os maiores meios e que pode fazer tudo, e que sufoca praticamente os outros. Mas esta não podemos dizer que esteja, actualmente, ao serviço da democracia. Não podemos dizer. Então tem de estar do lado… <strong>A tendência, o que a gente vê é estar do lado do autoritarismo.</strong> Claramente. Uma coisa que me choca bastante é ver as manifestações que se passam aqui. Se mostram imagens é onde os jovens talvez estejam a fazer algo de mal, mas quando é a polícia que está a agredir isso não passa, nunca passou na televisão. Aí já se vê que estão de um lado. E depois é o poder da imprensa enquanto faca de dois gumes. É que os políticos conhecem, e seria estupidez se não conhecessem, conhecem a força da imprensa. Então tem de fazer tudo para manietar ou ter a imprensa do seu lado. Um governo, um regime tem de fazer tudo para ter a imprensa do seu lado.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Mas os políticos de outros países também conhecem. Obama também sabe a força da imprensa. David Cameron também sabe. Por exemplo: recentemente o congresso norte-americano publicou um relatório com mais de cinco mil páginas sobre o comportamento da CIA no tratamento que deram aos prisioneiros em Guantánamo, e nem por isso o governo norte-americano interferiu, pelo contrário, aliás, é um órgão do Estado americano que elaborou o relatório que põe em causa determinados sectores do governo americano. Eles também conhecem. Será que eles são diferentes do ponto de vista humano comparativamente connosco? O que se passa aqui? É mesmo problema civilizacional? Nesse momento nos Estados Unidos nove Estados abriram processos contra a administração Obama. Seria equivalente, por exemplo, a nove governadores provinciais de Angola a abrirem processos contra a Presidência da República porque entendem que determinado acto do presidente fere a constituição, e este processo não vai pôr em causa o poder deles. Eles não vão ser ameaçados de morte. Não vão perder o pão. O que é que se passa? Nós somos menos homens? Menos civilizados? Porquê custa agir como eles?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Mas dentro dessas aberturas ou desses espaços dados por essas instituições é preciso ver os interesses políticos que há. Mesmo nos Estados Unidos entre republicanos e democratas. É preciso ver os interesses. Quem está a fazer o quê e para quê? Qual é o seu objectivo? Porque agora a tendência é denegrir a imagem do Obama.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Diria que é ao contrário porque nesse momento até a lei que atribuiu poderes à CIA para torturar foi assinada por um republicano, pelo que nesse momento só afunda ainda mais a imagem dos republicanos. Nem sequer põe em causa…</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Mas querem mostrar que Obama não fez nada para travar isso. Mas de qualquer maneira há sempre jogos de interesse na imprensa. Infelizmente nem sempre são visíveis a olho nu. É preciso muito trabalho de investigação para a gente chegar lá. É o que dizíamos de Assange. O mesmo trabalho que ele fez há interesses também.</p>
<p><strong>Dentro do nosso contexto de Angola a gente vê que a midia estatal ou a midia pública está absolutamente ao serviço do poder. E o poder nosso, aqui, em Angola, tal como temos visto a actuar, é autoritário, infelizmente. Está do lado do autoritarismo e não do desenvolvimento, da democracia.</strong> Ainda não. Para mim ainda não, infelizmente.</p>
<p><strong>OI</strong> – Padre, há também um conceito que é muito levantado aqui no contexto angolano, sobretudo de personalidades que visam defender os interesses do grupo hegemónico, quando alguém acusa de não haver liberdade de expressão e de imprensa dizem assim: “Não. Há cinco, dez anos atrás nós não tínhamos o mesmo número de órgãos de comunicação social que temos hoje”. E a questão que colocamos é: tecnicamente, a liberdade de expressão e de imprensa é uma questão quantitativa ou qualitativa?</p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – É qualitativa absolutamente. Multiplicaram-se os órgãos de comunicação, por <strong><em>exemplo os jornais multiplicaram-se mas esses jornais se fores a ler de facto assim de fundo coisa substancial não tem nada. Tudo está a jogar a favor do poder. Então, se não há qualitativamente um avanço nesse lado, a liberdade de imprensa também continua manietada.</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong>“A comunicação poderia facilitar a divulgação da desobediência civil…”</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_924" style="width: 209px" class="wp-caption alignright"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-6.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-924" class="wp-image-924 size-medium" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-6-199x300.jpg" alt="MC FINAL 6" width="199" height="300" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-6-199x300.jpg 199w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/MC-FINAL-6.jpg 266w" sizes="(max-width: 199px) 100vw, 199px" /></a><p id="caption-attachment-924" class="wp-caption-text">O critério de avaliação se existe ou não a liberdade de expressão e de imprensa é qualitativo e não quantitativo.</p></div>
<p><strong>OI</strong> – <em>Padre, qual é o comentário que faz, embora tenha feito referência de forma muito sub-reptícia, sobre a geopolítica e a influência da economia nas questões da comunicação? E aproveitamos dar o exemplo de que ultimamente o pessoal do poder vai controlando órgãos de comunicação social em Portugal e por isso preciso de um comentário sobre a geopolítica da comunicação.</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> –É isso mesmo que eu queria dizer, recuando um pouco na questão anterior, muitos órgãos de comunicação, bom, não são tantos, um ou outro canal televisivo, a Zimbo, depois rádios um pouco, jornais muito mais ainda, mas esses todos têm um patrão. Têm dono. E o patrão ou o dono já sabemos de que lado está. Aqui em Angola quem é que tem muito dinheiro para patrocinar esses órgãos? Não é um tipo da oposição. Não é um empresário livre, que há poucos até. É só alguém do Estado ligado ao partido. Infelizmente é assim. Então o órgão está aí, e já sabemos que esses órgãos todos que foram criados muitas vezes veiculam uma ou outra informação que sabe que parece pouco mais democrática, mais livre, talvez até mais do campo da oposição, mas estão à espera dos grandes momentos que são as eleições. Já sabemos que é isso. Estão à espera dos grandes momentos. Agora, claro há todo o interesse do Estado em estender a sua influência lá fora, e se tem o dinheiro que tem, se tem o poder económico que tem pode estender essa influência lá fora. Estender ou melhorar a sua imagem lá fora. Claro que faz tudo. É o que nós vemos.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Mas à custa de falta de seringas em hospitais pode-se fazer isso?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> –Infelizmente.  É claro que não se devia fazer. Moralmente isso é condenável. Mas infelizmente é o que está a acontecer. E a tanta coisa que acontece. Nós que giramos por essa Angola, vocês não imaginam o quanto ficamos com o coração apertado de vermos o que estamos a ver enquanto o país faz isso lá para fora e aqui os próprios nacionais a comerem terra, a rastejarem. Infelizmente.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Os namibianos, apesar de serem referências a nível da região austral, ainda assim procuram melhorar a sua imagem e agora instituíram o voto electrónico. Tal como se vota na Alemanha e no Brasil, a última eleição na Namíbia foi por voto electrónico. </em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Isso é a vontade de crescer de um povo. E o povo namibiano não tem tantos meios, recursos naturais como Angola tem. Você vai para Namíbia e vê que as pessoas vivem um nível de paz, de tranquilidade, de serenidade muito maior que o nosso.</p>
<p>Olha Moçambique. É o mesmo partido desde a independência mas quantos presidentes já passaram? Isso também ajuda a mudar um pouco a ideia das pessoas, a visão das pessoas em relação a política, em relação a sociedade, em relação as expectativas do povo. Ajuda também a mudar. É preciso haver mudanças. Sem isso vamos continuar sempre a girar. É o mesmo disco. Já está gasto, já está roto. Sempre a girar com a mesma agulha e nunca mais vamos para frente. Pensamos que estamos a avançar, na realidade não. Já alguém me dizia que a vinda dessa quantidade exagerada, até ameaçadora de chineses para Angola, é tudo para salvaguardar a imagem da Presidência. A imagem do partido. Porque fazem coisas que daqui a alguns anos vamos pagar caro. Estamos a gastar dinheiro em investimentos que daqui a alguns anos vamos pagar caro porque não tem sustentabilidade nenhuma. Não tem solidez nenhuma, infelizmente.</p>
<p><strong>OI</strong> – <em>Há relação entre comunicação e desobediência civil?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – A comunicação poderia facilitar a divulgação da desobediência civil, mas já apresentamos aqui o caso de desobediência civil. Nem sei até se podemos à isso chamar de desobediência civil. Em Angola o que seria desobediência civil? Os que fazem manifestação não estão a desobedecer a nada. Está na lei constitucional. Ainda não vimos aqui caso de desobediência civil. Não sei.</p>
<p><strong>OI</strong> –<em> Mas é possível caracterizar a desobediência civil como uma forma de comunicar?</em></p>
<p><strong>Pe. MC</strong> – Exactamente. Isso também é verdade. Uma forma de comunicar algo.</p>
<p><strong>Entrevista conduzida por</strong>: Sedrick de Carvalho & Domingos da Cruz</p>
<p><strong>Texto:</strong> Sedrick de Carvalho</p>
<p><strong>Foto</strong>: Teófilo de Oliveira [Gentileza]. Por esta razão o OI manifesta gratidão.</p>
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<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/nao-ha-desenvolvimento-sem-comunicacao-afirma-pe-mauricio-camuto-2/">“Não há desenvolvimento sem comunicação”, afirma Pe. Maurício Camuto</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
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		<title>A Liberdade de uso da Internet desce em Angola</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/liberdade-de-uso-da-internet-desce-em-angola/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Dec 2014 08:46:29 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
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<p>Redacção OI &#124;&#124; A liberdade de utilização da internet no mundo continua a cair e Angola não é excepção, diz relatório da Freedom House. A liberdade de utilização da internet no mundo continua a cair e Angola não é excepção, diz relatório da Freedom House. Pelo quarto ano consecutivo a liberdade de utilização da internet ...</p>
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<p>Angola está pela segunda vez no relatório, com um desempenho pior do que em 2013. Para os investigadores o país desceu quatro lugares no ranking geral de países (passou de 34.º para 38.º). O relatório tem ainda em contra outros três critérios: os obstáculos ao acesso, limites ao conteúdo e violações aos direitos do utilizador.</p>
<p>Na secção dedicada a Angola, a Feedom House reconhece uma melhoria nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), sobretudo desde 2005, resultado do investimento feito pelo governo; a penetração da Internet junto da população é agora de 19 por cento (17 em 2013).</p>
<p>O relatório faz depois referência às ingerências do poder no controlo de informação: “Ao mesmo tempo que o conteúdo on-line e as aplicações de comunicação são de acesso livre, o governo parece cada vez mais intencionado em perseguir dissidentes, através de meios legais e extra-legais”.</p>
<p>Tendência essa que tem sido seguida no resto do mundo. De acordo com a organização, mais de metade dos 65 países analisados endureceram as suas políticas de censura desde Maio de 2013, data de publicação do último relatório. O número de detenções provocadas por comunicações na internet também aumentou significativamente, sobretudo nas regiões do Médio Oriente e Norte de África.</p>
<p>Madeline Earp, investigadora da Freedom House, organização baseada em Washington, sumariou assim o relatório: “Existe definitivamente a noção de que a Internet oferece uma verdadeira alternativa aos media tradicionais e os governos começaram a acelerar um pouco o passo”, disse ao New Yorker.</p>
<p>O documento dá como exemplo a Rússia, cuja pontuação tem vindo a descer nos últimos cinco anos, em especial desde 2012, ano em que Putin chegou à presidência, e autorizou o bloqueio de determinados conteúdos na Internet. A Turquia é outro dos países que regista uma das maiores descidas no ranking (de 49º em 2013 para 55º), o resultado óbvio das posições do Primeiro-ministro Recep Erdogan, que em Março prometeu “erradicar” o Twitter. Irão e Síria foram outros dos países com a pior classificação. Em sentido contrário estão Birmânia, Tunísia, Cuba e Índia, onde o controlo foi aligeirado. Europa e Estados Unidos são os continentes onde os internautas estão mais à vontade. [F/ REDE ANGOLA.]</p>
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  <p class="excerpt post_excerpt">
    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
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  <p class="excerpt post_excerpt">
    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>Angola está abaixo da média no acesso à Internet</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/angola-esta-abaixo-da-media-no-acesso-a-internet/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2014 13:47:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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		<category><![CDATA[Domingos da Cruz]]></category>
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<p>Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="190" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/10/internet-300x190.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/10/internet-300x190.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/10/internet.jpg 660w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p>Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%, noticia a agência Angop, a propósito de um Fórum que decorreu em Luanda. Os dados relativos a Angola são da União Nacional das Telecomunicações e foram divulgados pelo porta-voz do 2.º Fórum para Governação da Internet da África Austral, João Leão, citado pela agência angolana Angop. Segundo o responsável, o número de utilizadores em todo o continente africano representa 6% da população, enquanto em Angola ronda os 10%. &#8220;Os meios mais usados pelos angolanos para acederem à Internet ainda são os computadores e os telefones celulares&#8221;, explicou, defendendo que é necessário promover os acessos, a conectividade e a capacitação das pessoas para utilizarem cada vez mais as novas tecnologias, além de reduzir custos de equipamentos e serviços. O representante de Moçambique no mesmo Fórum, Adilson Gomes, afirmou por seu lado que apenas 12% da população da região da SADC tem acesso à Internet, o que considerou &#8220;muito pouco&#8221;. Para o responsável, aumentar o acesso à Internet na região &#8220;é o caminho [para] atingir o sucesso económico, político e social projectado&#8221;.</p>
<p>Na sua opinião, a região tem de encontrar formas de acesso mais baratas e outras soluções para massificar os serviços e diminuir os preços. Acrescentou que a outra questão que influencia nos preços da Internet é o facto de não haver conteúdos locais. Nas conclusões do mesmo fórum, que decorreu entre terça e quarta-feira em Luanda, os Estados-membros da SADC apontaram a necessidade de aumentar as capacidades dos cidadãos na área das Tecnologias de Informação e Comunicação.</p>
<p>Garantir a segurança dos utilizadores da Internet e promover a cooperação dos Estados-membros da SADC no combate ao cibercrime são outras recomendações do Fórum.</p>
<p>Na sua intervenção no encerramento do evento, o secretário de Estado angolano para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Aristides Safeca, defendeu que a oferta de serviços na Internet, a segurança no espaço cibernético e a consulta e manuseamento de dados são os grandes desafios da governação eletrónica na região da SADC.</p>
<p>Já Adilson Gomes afirmou que os africanos estão cada vez mais consciencializados sobre a necessidade de uso das tecnologias de informação e insistiu que o desenvolvimento dos povos africanos está dependente em parte da evolução das tecnologias de informação.</p>
<p>&#8220;Se quisermos ser competitivos e melhorar a vida dos nossos povos devemos assegurar que haja tecnologias de qualidade em todo o lugar e para todos&#8221;, referiu. A reunião, que decorreu sob o tema &#8220;Governação da Internet como Base de Sustentação para a Integração Regional da SADC&#8221;, abordou temas como &#8220;Princípios da governação da Internet e reforço da cooperação&#8221;, &#8220;Acesso e diversidade&#8221;, &#8220;Governação da Internet pelo desenvolvimento&#8221;. Participaram no encontro peritos ligados às telecomunicações de Angola, Moçambique, Tanzânia, República Democrática do Congo, Malawi, Zimbabwe, Suazilândia, Namíbia, Maurícias, Zâmbia e do Lesoto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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  <a class="title post_title"  title="A Lei de Imprensa" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/">
        A Lei de Imprensa  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    A Lei de Imprensa é um diploma que visa estabelecer os princípios gerais que devem enquadrar a actividade da comunicação social, na perspectiva de permitir a regulação das formas de <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/"> Leia mais</a>  </p>
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    <a  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">

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  <a class="title post_title"  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">
        Como fazer uma revolução?  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
        </div>
              <div class="item">
            <div class="thumb post_thumb">
    <a  title="O povo angolano deveria sair a rua para erosão do regime" href="https://observatoriodaimprensa.net/o-povo-angolano-deveria-sair-a-rua-para-erosao-do-regime/">

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  <a class="title post_title"  title="O povo angolano deveria sair a rua para erosão do regime" href="https://observatoriodaimprensa.net/o-povo-angolano-deveria-sair-a-rua-para-erosao-do-regime/">
        O povo angolano deveria sair a rua para erosão do regime  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
     Insurreição popular em Ouagadougou Por Nuno Dala Os angolanos estão certamente diante de um grande dilema: continuar a ser (des)governados por um regime tirânico-ditatorial e cleptocrático, <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/o-povo-angolano-deveria-sair-a-rua-para-erosao-do-regime/"> Leia mais</a>  </p>
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