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	<title>Articulistas &#8211; Observatório da imprensa</title>
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		<title>Anatomia da normalidade em tempos incertos:  (des)costurando a mulher e a loucura</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/anatomia-da-normalidade-em-tempos-incertos-descosturando-a-mulher-e-a-loucura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 22:56:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="171" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-300x171.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-300x171.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-768x439.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617.jpg 793w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Xenia de Carvalho* ǀ Não estou a localizar o futuro, mana, lhe perdi a direcção &#8211; lembras quando essa ideia derrapou no cimo do nosso entendimento, que nos fez impressionar o pensamento e intentar encontrar esse futuro ali mesmo, na esquina onde estávamos, e depois no google maps? Essa tecnologia não nos ajudou mesmo! O ...</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/anatomia-da-normalidade-em-tempos-incertos-descosturando-a-mulher-e-a-loucura/">Anatomia da normalidade em tempos incertos:  (des)costurando a mulher e a loucura</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="171" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-300x171.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-300x171.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-768x439.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617.jpg 793w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Xenia de Carvalho</strong>* ǀ Não estou a localizar o futuro, mana, lhe perdi a direcção &#8211; lembras quando essa ideia derrapou no cimo do nosso entendimento, que nos fez impressionar o pensamento e intentar encontrar esse futuro ali mesmo, na esquina onde estávamos, e depois no google maps? Essa tecnologia não nos ajudou mesmo! O futuro não estava localizável nisso d’googlar, nem mesmo nisso da esquina… Dizem que isso dá de acontecer quando a trama vai densa, a vida (des)cai, derrapa ali mesmo na curva da present’alidade. E eu de pensamento que esses tempos são estranhos são, descamam a alma assim, sem mesmo dar espaço a um entendimento da humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O futuro está deslocalizado, minha irmã, se perdeu nesse rumo feiticeiro em que nos tapamos, nos escondemos. Te levanto aqui a feitiçaria por um momentito, deixo de recant’ar e me exponho para partilhar o acontecido num desses dias aí, quando deram de me questionar, epa! e de que forma agrest’iva!, se “tu aí tu! és normal?”. Epa! (desculpa lá a repetição, mas expressa a minha emocionalidade torcida pela questão). Que respondes a esse questionamento?? Fui em busca da anatomia da normalidade, para me poder descrever no próximo questionamento, que creio será breve breve. Me desencaixei nisso da (a)normalidade e tive maningue dificuldade em encontrar o eixo. Dizem que a deslocalização da normalidade começou com esse Covid, com essa doença que se espalha maleficamente pelo meio da turba, das gentes misturadas. Lhe digo que não! Começou faz muito, muito tempo…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mana, partilho a história da anatomia da normalidade, gingo com essa sonoridade que peço que</p>
<p style="text-align: justify;">cliques aí <strong>EM CIMA &#8211; </strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MlMVagn-ZJw">(432) HAUSER & Ksenija Sidorova &#8211; Libertango &#8211; YouTube</a> &#8211; que te guie pelo</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3600" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais.jpg" alt="" width="1210" height="315" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais.jpg 1210w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais-300x78.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais-1024x267.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais-768x200.jpg 768w" sizes="(max-width: 1210px) 100vw, 1210px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">correr das palavras que uma mulher espanhola escreveu sobre a loucura e o assassinato do seu filho. Isto enquanto corria a guerra e depois de ter terminado.</p>
<p style="text-align: justify;"><u>História da anatomia da normalidade (*com o texto original partido em socalcos para cumprir o andamento musical)</u><strong>                                                                                                                              </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que tod@s se juntaram para silenciar a mãe de Frankenstein,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>porque não havia trincos nos quartos do manicómio</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que tod@s se juntaram para (des)costurar as possibilidades de ser mulher,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Acabou-se o porto de Sebastopol, o globo terrestre, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>as plantas da estufa, acabaram-se as palavras e os dicionários, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a música, acabaram-se os livros, as enciclopédias e as histórias, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>apagou-se a luz, foi o que aconteceu, apagou-se a luz </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e eu fiquei às escuras com o que me cabia, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a vida para a qual tinha nascido, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>lavar, limpar, engomar, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>o meu avô já me avisara, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>era esse o meu destino e foi o que encontrei, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>nem mais nem menos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que tod@s o fizeram, ah! isso ocorreu certo dia, já a guerra tinha terminado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com franqueza, se nós, as lúcidas, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>já pouco importamos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>imagine as loucas. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>São as últimas de qualquer lista. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sabe quantas das nossas residentes são mulheres </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>de homens poderosos que conseguiram pô-las aqui </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>para as tirar do caminho, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>privá-las de direitos e viver tranquilamente com as amantes? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mesmo que não fosse director de um manicómio masculino, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>uma autoridade como o Vallejo nunca aprovaria </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>que as mulheres beneficiassem do novo fármaco antes dos homens.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No manicómio feminino de Ciempozuelos, perto de Madrid, Gérman Velázquez, psiquiatra espanhol exilado na Suíça desde 1939, regressa ao seu país na década de 1950, para exercer a profissão de (re)construtor de almas. A Guerra Civil (1936-1939) em Espanha estava oficialmente encerrada. Mas tu o sabes, mana, na realidade do passar dos dias as guerras civis não se fecham por decreto ou data assinalada.</p>
<p style="text-align: justify;">Na casa das loucas, Gérman assume funções de especialista num tal medicamento que controla a alienação. Ou assim o dizem. Nesse manicómio de mulheres &#8211; porque as mulheres tinham, ou ainda têm?, manicómios específicos &#8211; Gérman reencontra uma das mulheres de seu pai, Aurora Rodríguez Carballeira. Num desses dias do passado, Aurora matou a filha e foi ao encontro do pai de Gérman, também ele psiquiatra, tendo essa visita ficado marcada na memória do filho-suíço-espanhol-que-a-guerra-civil-exilou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 9 de junho de 1933, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a campainha do consultório do meu pai </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>soou às nove e meia da manhã.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(…)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A partir daquela manhã, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>daquela campainha, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a minha memória dividir-se-ia para sempre em duas metades opostas. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Até aquele momento, evocaria uma cena luminosa, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>o reflexo de um sol ainda jovem, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas já ambicioso, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>inundando a entrada através das vidraças do escritório, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a sensação de calor sobre a pele. E depois abri a porta </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e é impossível que fizesse frio, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas é assim que em lembro do momento. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(…)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Papá, papá! </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Corri para o gabinete e abri a porta sem bater. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(…) papá, são visitas. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>São um senhor normal e uma senhora muito… estranha. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aurora tinha morto a filha. Explicou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Hildegart foi uma obra minha, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>explicou a dona Aurora, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e não me saiu bem. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Demorei demasiado tempo a perceber, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas agora tenho a certeza. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Todo os meus esforços foram em vão e depois… </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fiz aquilo que faz qualquer artista </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>quando compreende que se enganou </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e destrói a sua obra para poder recomeçar. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A mãe que assassinou a filha foi catalogada e internada num manicómio de mulheres, onde as freiras se assumem poderosas e os médicos se lixam – ou alienam-se &#8211; para a recuperação ou desenlace dos nós que alheiam as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Até que Gérman traz o medicamento-maravilha-milagre-que-permite-descansar-das-vozes-paranóias-para-dar-lugar-a-uma-cura-tentativa? Com o medicamento há espaço para tranquilidade, as pacientes conseguem uma quase-normalidade. O filho do psiquiatra que encontrou o frio na memória, reencontrou a mulher que o causou e empenhou-se em compreender o sofrimento e lho travar. Não creio que quisesse contribuir para a normalização de Aurora, até porque a normalidade é categoria desentendida e des’finida, não se lhe encontrando um significado encaixante nisso do ser em si. Mana, a normalidade veio depois descrita, ah! veio sim!, quando uma das mulheres-que-ajudam-os-médicos, com estatuto menor naturalmente, lhe conta, a Gérman, como o avô dela e @s outr@s mataram o filho de Aurora já no manicómio. Ouve a história, percebe a natureza do filho e do acto. Percebe essa normalidade des’finida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A porta do quarto estava fechada, embora não no trinco, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>como eles sabiam, obviamente, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>porque não havia trincos nos quartos do manicómio, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>claro está, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas o meu avô deu um pontapé na porta, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>arrancou-a dos gonzos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>entrou no quarto como um cavalo desembestado, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e, como a dona Aurora não estava na salinha, continuou para o quarto, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>onde a viu, sentada na cama, a falar com o boneco grande, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>porque na altura já tinha começado a fazer-lhe um irmão, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>para ver se teria mais sorte com aquele, imagino, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas ainda não estava acabado, tinha cabeça, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas não mais do que uma bola de trapos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e faltavam-lhe os dedos das mãos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>embora tivesse um pénis ainda maior que o primeiro. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para o meu avô pouco importava. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sacou da navalha que trazia sempre no bolso </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e cortou-lhe o pescoço como se ele estivesse vivo, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>enquanto os serventes seguravam a dona Aurora, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>que a princípio ficou atordoada, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>como se não compreendesse o que se passava, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas depois largou a gritar como uma possuída, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>pedindo socorro aos médicos, às freiras, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>chamando-lhes assassinos, criminosos, ladrões, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>até que um dos serventes libertou uma mão </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e lhe deu uma bofetada que nos fez chorar às duas, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>embora ninguém reparasse em mim. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chorei em silêncio, mas ela não parou de gritar </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>enquanto o meu avô acabava de esfaquear o boneco pequeno </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e se lançava ao grande, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>cortando-lhe a cabeça, os braços, as pernas, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>tal como se fosse uma pessoa, para o esventrar a seguir com as mãos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e a minha avó começou a fazer a mesma coisa, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e as outras mulheres imitaram-na, ainda as consigo ver, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ajoelhadas no chão, formando uma roda, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>cercando os bonecos como se fossem animais, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>era o que pareciam, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>um bando de bestas devorando uma carcaça </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e, em menos de cinco minutos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>não havia senão trapos no quarto da dona Aurora, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e então alguém disse que era preciso trazer um saco </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>para levar aquele lixo todo, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>para que ela não os pudesse fazer novamente (…)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E foi assim que se apagou a luz e Aurora não mais ensinou a mulher-auxiliar, María Castejón, sobre o globo terrestre, a música, os livros e tantas outras coisas mais, que com elas pretendia elevar María acima do que lhe estava destinado por ser mulher em condição d’ser social. Mana, a anormal era Aurora.  O avô de María e tod@s os que o seguiram no acto do esventramento eram os normais. Essa é a anatomia da normalidade em tempos incertos, porque nas casas d@s louc@s não há certezas, apenas na dos sãos o tempo corre de forma ordeira e certa. Não, mana, não digo que Aurora estivesse bem, matar a filha é acto que carece de explicação, mas a turba esventrar os filhos-bonecos-em-raiva-descontrolada?? Isso é a normalidade? Porque esses estão cá fora, e aguçam a intensidade do acto de perseguição quando se vêm acossados, rodeados, retirados da sua <em>normalidade</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><u>Breve nota sobre quem escreveu a história (*que a escreveu em prosa e não texto quebrado)</u></p>
<p style="text-align: justify;">Almudena Grandes (1960-2021), escritora madrilena, escreveu esta história, “A Mãe de Frankenstein”, edição da Porto Editora de 2022, publicada em Espanha em 2020. Entre a publicação em língua espanhola e a chegada à língua portuguesa passaram dois anos, já Almudena tinha falecido. Deixo a sua voz e o contar da história por detrás da história no correr da sua intenção ao ir buscar Aurora e o manicómio feminino (clica aí, mana, e ouve no link que te deixo): <a href="https://www.youtube.com/watch?v=X7aDUzdMvuI"><strong>(432) «A Mãe de Frankenstein» de Almudena Grandes &#8211; YouTube</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>U</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>V</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>I</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>S</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>T</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mana, manda lá a resposta para saber o que vou responder quando me questionarem aguerridamente, será breve breve, sobre o que é isso da <em>minha normalidade</em>. Porque Aurora e o seu filho não sei não, entenderão?</p>
<p style="text-align: justify;">*<em>Antropóloga, PhD. Investigadora associada, CRIA/ISCTE-IUL.</em></p>
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		<title>A pergunta errada que tem séculos de história</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/a-pergunta-errada-que-tem-seculos-de-historia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2021 23:51:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Domingos da Cruz]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="163" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-300x163.png" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-300x163.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-1024x557.png 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-768x417.png 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-1536x835.png 1536w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-2048x1113.png 2048w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Domingos da Cruz*ǁ Pais, outros parentes e instituições, desde muito cedo martirizam e confundem as crianças com a seguinte pergunta: o que queres ser? Em virtude da inteligência inquestionável das crianças, é comum responderem com uma pergunta que revela «o erro e a contradição interna» da questão: «como assim?» E continuam: «não entendi…!» Uma vez ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="163" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-300x163.png" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-300x163.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-1024x557.png 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-768x417.png 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-1536x835.png 1536w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/07/1_v8SWnsAfR-zE4PB3Bg3vRg-2048x1113.png 2048w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;"><strong>Domingos da Cruz*</strong>ǁ Pais, outros parentes e instituições, desde muito cedo martirizam e confundem as crianças com a seguinte pergunta: o que queres ser? Em virtude da inteligência inquestionável das crianças, é comum responderem com uma pergunta que revela «<strong>o erro e a contradição interna</strong>» da questão: «como assim?» E continuam: «não entendi…!»</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;">Uma vez que o adulto moldado, ou melhor, destruído pelos padrões e referenciais sociais, vê nestas duas questões/respostas a expressão da confusão de sentido ou incompreensão da pergunta. Por isso, é comum repetir a questão com as mesmas palavras. Devagarinho: «o-que-que-res-ser?». Para dar força à estupidez, acrescentam outras perguntas: «Vais fazer o quê na vida? Queres ser bombeiro, informático, pedreiro? Por exemplo, o teu tio é professor e ele vai continuar a fazer isso a vida inteira. É mais ou menos isso que eu gostaria que dissesses».</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;">É óbvio que estas perguntas adicionais não esclarecem nada. A razão do <em>desesclarecimento</em> é simples: nós, os humanos, já <em>somos</em> desde a concepção. O <em>ser </em>enquanto categoria ontológica, nada tem ad ver com o fazer; o papel social não é construtor do <em>ser</em>. Os humanos simplesmente já <em>são porque são</em>. Não carecem de nenhum papel ou atributo acidental e externo para que possam incorporar a categoria <em>ser</em>. O reconhecimento da independência do ser, não significa negar a influência de factores externos sobre a concepção que cada indivíduo tem sobre o mundo. Por isso, este ser também é um constructo quando colocado no plano da liberdade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;">O erro da pergunta que corrói o <em>ser</em>, cujas implicações éticas e sociais são conhecidas e, se levada até às últimas consequências, é possível identificar nela mais um problema cuja solução está na antropologia, na biologia e psicologia. Estas ciências e outras correlativas, permitem-nos compreender a singularidade de cada indivíduo. Uma vez que nos é reconhecida e garantida a unicidade ─ ser único e irrepetível ─ a nossa presença e condição no mundo deve obedecer às forças e energias internas que brotam da nossa singularidade; devemos caminhar nesta terra a construir uma história que se adequa com as nossas disposições singulares e não aos ditames da família, da escola, da igreja ou outro qualquer, sob pena de obliterar esta singularidade e que com ela desça cova abaixo a criatividade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;">A propósito da escola, é frequente os professores colocarem a mesma questão acima referida. Forçam os estudantes a encaixarem num esquema de disciplinas pré-estabelecidas institucionalmente, mesmo que a sua disposição interna não se adequem a nada do que lhes é proposto. Por isso, no contexto educativo, talvez as perguntas chaves para o nosso tempo, e que devem ser colocadas aos estudantes são: que problemas deste mundo gostarias de resolver? Que conhecimentos gostarias de estudar e re/construir?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;">Identificado o problema, de qualquer natureza, que o aluno desejasse resolver, os professores ajudariam a identificar caminhos e saberes necessários à solução dos problemas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;">Imagina que o aluno gostaria de criar uma vacina contra o HIV? Se é este o seu projecto de vida, não vale a pena forçá-lo a estudar as constelações, nem as rochas magmáticas. Excepto quando é por vontade própria para fins de cultura geral. Neste sentido, é razoável afirmar que nem todo o conhecimento deve visar necessariamente a resolução de um problema. Pode servir para que algum colega de outra área resolva questões que se lhe coloca a realidade, enquanto a outro não. Há ainda casos cujo cultivo do conhecimento tem como fim, o saber pelo saber sem qualquer fim instrumental. Somente por subjectivação gnosiológica, cujo valor do conhecimento, só aquele que o experimenta pode explicar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;">Finalmente, é preciso lembrar que o neoliberalismo se apropriou da pergunta «o que queres ser?», replantou-a na escola e criou raízes profundas. Estas raízes moldaram o nosso imaginário colectivo a uma dimensão quase universal, de tal modo que hoje parece que não somos capazes de pensar a escola e o conhecimento à margem do mercado de trabalho. Esta escola como a conhecemos, instalou no fundo dos corações e mentes, a cultura da competição selvagem, e inviabiliza o despertar de habilidades necessárias ao nosso mundo e a nossa humanidade ─ o cuidado ao outro, a cooperação, a contemplação estética, o pensamento crítico e a criatividade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;">* <em>Pesquisador no Centro de Estudos Interdisciplinares em Cultura e Sociedade, Universidade de Concórdia, Canadá (em curso), Pesquisador no Programa de Doutoramento em Filosofia Política, da Universidade de Zaragoza, Espanha (em curso). Pesquisador convidado no Departamento de Comunicação e Media, Universidade de Johannesburg, África do Sul (em curso). Mestre em Ciências Jurídicas pela Universidade Federal da Paraíba, Brasil, e graduado em Filosofia e Pedagogia pelo Instituto Dom Bosco de Estudos Superiores, Angola. Jornalista e Professor, venceu o Prémio Nacional de Direitos Humanos Ricardo de Melo. Publicou dez livros e duas centenas de artigos. Coordenador do Observatório da Imprensa de Angola.</em></span></p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/06/modulo-logo-80x30cm_300dpi-1-scaled.jpg"><img class="size-full wp-image-3420 aligncenter" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/06/modulo-logo-80x30cm_300dpi-1-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="960" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/06/modulo-logo-80x30cm_300dpi-1-scaled.jpg 2560w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/06/modulo-logo-80x30cm_300dpi-1-300x113.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/06/modulo-logo-80x30cm_300dpi-1-1024x384.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/06/modulo-logo-80x30cm_300dpi-1-768x288.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/06/modulo-logo-80x30cm_300dpi-1-1536x576.jpg 1536w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/06/modulo-logo-80x30cm_300dpi-1-2048x768.jpg 2048w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a></p>
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  <a class="title post_title"  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">
        Como fazer uma revolução?  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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  <a class="title post_title"  title="Julgamento de Rafael Marques de Morais a 15 de Dezembro" href="https://observatoriodaimprensa.net/julgamento-de-rafael-marques-de-morais-15-de-dezembro-2/">
        Julgamento de Rafael Marques de Morais a 15 de Dezembro  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    O juiz Adriano Cerveira Baptista, do Tribunal Provincial de Luanda, presidirá, a partir de 15 de Dezembro, ao julgamento de Rafael Marques de Morais. O réu é acusado de denúncia <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/julgamento-de-rafael-marques-de-morais-15-de-dezembro-2/"> Leia mais</a>  </p>
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		<item>
		<title>Uma voz feminina na pandemia: “Cidadã de segunda classe”</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/uma-voz-feminina-na-pandemia-cidada-de-segunda-classe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 20:45:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="200" height="300" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664-200x300.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664-200x300.jpg 200w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664.jpg 267w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /></p>
<p>Xénia de Carvalho │A pandemia me devastou, mas não me quebrou não. Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). &#8220;Eight to the bar&#8221;, há quem lhe chame. Usam-se oito notas. De quê? Falo do boogie-woogie, blues, a música, em que se utilizam oito colcheias, as tais notas, que entram assim num bar, oito de uma só ...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="200" height="300" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664-200x300.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664-200x300.jpg 200w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664.jpg 267w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Xénia de Carvalho</strong> │A pandemia me devastou, mas não me quebrou não. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong><em>&#8220;Eight to the bar&#8221;,</em> há quem lhe chame. Usam-se oito notas. De quê? Falo do <em>boogie-woogie</em>, blues, <em>a </em>música, em que se utilizam oito colcheias, as tais notas, que entram assim num bar, oito de uma só vez… <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Venho contar a história de uma mulher nigeriana com banda sonora de um homem norte-americano exilado, um que swinga. Clica aí no <a href="https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=aN2nLAnMFY0">(53) Bill Coleman &#8211; Afromotive In Blue &#8211; YouTube</a> e escuta lá, porque ler isso sem som nos descama a alma e descasca a cabeça. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O trompetista que swinga assim, Bill Coleman (1904-1981) – clicaste aí? Está tudo na net, esse texto que lês e o Coleman, swinga, troca, clica e lê, estás em casa, te covid’o. Repito: o trompetista norte-americano que swinga desse jeito <em>&#8220;Eight to the bar&#8221; </em>mas com toques de funk, partilha com a escritora nigeriana, Florence Onyebuchi &#8220;Buchi&#8221; Emecheta (1944-2017), o percurso migrante de quem sonha e se vê aprisionado no querer ser em sítio-que-não-deixam-ser. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Coleman se exilou dos <em>States</em> para a terra da liberdade, Emecheta rumou da Nigéria à terra prometida. Do seu lado, o músico explicou que “Vários músicos negros se tornaram expatriados para escapar à segregação racial nos Estados Unidos” (<em>The New York Times</em>, 26 de agosto de 1981), indo ele para França em 1948, onde veio a morrer, enfraquecido e doente, mas tocando trompete mesmo que sentado. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Florence Emecheta diz nessa história que vou contar daqui a nada que a terra prometida era o Reino Unido, que <strong>“devia ser uma espécie de Paraíso”</strong>, se justificando assim do seu sonho em emigrar. Isso tudo porque o pai de Adah, a personagem da história da nigeriana, quando falava em Reino Unido o fazia em tom grave e misterioso, contido,<strong> “com uma expressão tão respeitosa no rosto que até parecia estar falando de Deus Santíssimo”</strong>. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong>E entramos na história, no enredo de seu nome “Cidadã de segunda classe”, escrito em 1974 (traduzido por Heloisa Jahn, Editora Dublinenese). Nos introduzimos na história acompanhados dos oito que entraram num bar… Depois explico a conectividade com a pandemia <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/13.0.1/72x72/1f609.png" alt="😉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Cidadã de segunda classe” – Emecheta se autobiografando</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Adah, ou Emecheta-em-formato-personagem, nasceu mulher e <strong>“ninguém pensou em registrar seu nascimento”.</strong> Daí que pense que terá sido durante a Segunda Guerra Mundial que ocorreu seu nascimento. <strong>“Sentia-se com oito anos quando estava sendo guiada por seu sonho”.</strong> Seu nome se deve à sua avó paterna, que se deu por falecida quando o seu pai entrava nos cinco anos, prometendo regressar. Promessa de avó é promessa de Mulher. Se cumpre. Só que – nessas histórias em que o protagonista é mulher, há sempre os “só que…” – repito: só que o pai de Adah deixou uma <strong>“única ressalva [que] era não querer que o primeiro filho fosse uma menina”</strong>. Mas nisso do querer e determinar… “<em>Eight to the bar”</em>, nesse caso foi de fugida, para apagar as mágoas… <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro filho de Pa foi mulher. Não cumpriu sua ressalva. Pa lhe deu tantos nomes! Defendeu que ela era a sua <strong>“mãe voltando”</strong> … Mas primeiro filho mulher?? Não registou não. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete) </strong>– não esquece o ritmo, swinga com Coleman, lê na cadência dos <em>&#8220;Eight to the bar&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Dos vários nomes, a mãe, Ma, simplificou para Adah. Lhe deu vantagem: <strong>“quando passou a frequentar o Ginásio Metodista para Meninas de Lagos, onde entrou em contato com missionários europeus, seu nome foi um dos primeiros que eles aprenderam e que pronunciavam corretamente”</strong>. Lá lembra ela que as outras raparigas tinham nomes muito compridos, maiores do que o conhecimento dos missionários, que lá na Europa e nessa em que o <em>English </em>prevalece, nome que é nome pronuncia-se de uma só vez, não há cá nomes com mais do que três sílabas! Está de se ver, né? Adah ou <strong>“Oluwafunmilayo Olorunshogo!”</strong>. A língua dos missionários se enrolava e se perdia ainda no início do Oluwafu… Mary, Liz, Emily – tudo aí com o <strong>i</strong> bem acentuado – é a cadência dos estrangeiros. Naturalmente, Adah lhes soava bem. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A mulher que encarnou sua avó tinha esse sonho que falava… Não contei não? Aiii, vai de seguida. Lê no parágrafo abaixo. Abaixinho mesmo! <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A história se inaugura no cruzamento do sonho de Adah com a chegada do primeiro <em>lawyer</em> de Ibuza, de seu nome Nweze. Esse moço nigeriano tinha ido lá, na terra em que o reino diz que está unido, e se tornou <em>lawyer</em>. Advogado mesmo. O primeiro advogado de Ibuza, terra natal dos pais de Adah. E isso não é motivo de celebração?? <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escuta lá a importância do <em>lawyer</em>: independência, qualificações <em>British,</em> regresso e riqueza. Não captaste não? Emecheta-em-formato-personagem explica: Nos finais de 1940, nigerianos (homens) da classe média começaram a ir para a terra de Sua Majestade Unida, ainda a Nigéria era colónia. Era gente com instrução, vinha e ocupava cargos administrativos coloniais. “<strong>Esses homens estavam a par da situação política mundial e sabiam que o colonialismo (…) em breve se tornaria caro demais para os amos coloniais; que o desenlace seria a independência – num movimento semelhante ao da libertação dos escravos quando sua manutenção se tornara excessivamente cara”</strong>. Com a independência viria a <strong>“prosperidade (…) dinheiro à beça”</strong>.  Mas isso só para quem era devidamente certificado, se entenda <em>English certification</em>. Daí terem antecipado o progresso e foram lá na Inglaterra se certificarem. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mulheres? Pois, isso só de sonho. Repegando na narrativa, que desviei para falar dos antecipadores da independência, certificados pelo Reino Unido – naturalmente -, Nweze, <em>First Lawyer </em>de Ibuza, regressava na altura em que Adah sonhava. Enquanto a miúda se perdia no nevoeiro da realidade, as mulheres lhe prepararam, ao <em>First Lawyer</em>, uma recepção que só vista! Cantaram, coseram roupa nova e o foram receber ao porto. Adah ficou proibida de acompanhar, não ia não. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isto porque nos entretantos tinha feito um acto de guerrilha: aproveitando a conversa das mulheres, saiu desapercebida e se apresentou na escola sozinha. Uns tempos antes da chegada do ilustre Certificado. Adah cansou de ficar ouvindo histórias entre mulheres, de assistir sua mãe a “a desmanchar o penteado para em seguida retrançá-lo”, de não ter nada para fazer. E como todos sabemos, as escolhas têm consequências, em especial se se nasceu mulher e meio pobre ainda… A mãe lhe disse: <strong>“Agora que demos escola a você, você quer ir para o porto [esperar Nweze]. Não, não vai. Você escolheu escola. E vai ter que ir para a escola a partir de hoje e até seu cabelo ficar branco”</strong>. E foi nesse regresso do Certificado que Adah virou estudante para sempre. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E como conta a avó regressada, uma Presença passou a viver do lado dela: o sonho de ir um dia para o Reino Unido. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esse dia chegou. Já Adah casara e sustentava o marido, estudante fracassado (isso porque na Nigéria não tinha como se concentrar, em <em>English Unido </em>a coisa ia, em <em>English</em> Nigeriano não procedia), religioso pouco dado a consistências de crença, mas</p>
<p style="text-align: justify;">P</p>
<p style="text-align: justify;">O</p>
<p style="text-align: justify;">R</p>
<p style="text-align: justify;">Q</p>
<p style="text-align: justify;">U</p>
<p style="text-align: justify;">E</p>
<p style="text-align: justify;">HOMEM, o primeiro a poder ir para o Reino Unido. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Epa, as voltas que essa Adah deu, como deu!, para convencer a família do marido (a mulher é bem, passa de não ter benefício fiscal para benefício adquirido na família adquirente)! Levou maningue tempo, pagando a estadia do marido, sustentando filhos e casa, mas seus sogros se deram por vencidos. A avó regressada podia emigrar, a família do marido lhe deixava. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Adah desembarcou no Reino Unido. <strong>“Pa, estou no Reino Unido, cantava seu coração para o pai morto”</strong>. Mas como faz frio!!! E nem uma recepção deram aquando da sua chegada… <strong>“o navio fora acolhido com alegria e animação em portos como Takoradi, Freetown e Las Palmas. Se Adah fosse Jesus, teria ignorado a Inglaterra”. </strong>A terra dos sonhos parecia esvaziada de seres humanos… Se o <em>First </em>Lawyer se aguentou em terra cinza, Adah com certeza o faria também! Decisão tomada. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Surpresas sempre vêm acompanhadas. Não sei bem explicar o porquê disso. Vem uma, segue-se outra e para que não nos habituemos à tranquilidade, cai-nos outra em cima. Para Adah não foi diferente não. Seu marido, Francis, a foi buscar. Xiii, como mudara! <strong>“O Francis que veio recebê-los era um novo Francis”</strong>. A beijou em público e tudo! O que não diriam lá em Ibuza… E depois deu em dizer piada, assim que viu a filha que não conhecia (lembra que ele foi para a terra Unida estudar porque lá na Nigéria a concentração o incapacitava), quando viu sua filha disse que podia <strong>“morrer em paz”</strong>. Adah não entendeu não! <strong>“Como assim, <em>morrer em paz?”</em>. </strong>Francis lhe explicou: na terra Unida tudo tem piada, até a morte. Os habitantes Unidos <strong>“fazem piada com tudo, até com coisas sérias como a morte. As pessoas acham graça nisso”</strong>. Adah inquietou, olhou em volta, rematou que o marido a estava enganando, inventando essas histórias – <strong>“Os brancos que via não pareciam pessoas capazes de fazer piada com coisas como a morte”</strong>. Dessa refutação veio a outra surpresa, a terceira. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Homem marido de Ibuza, da Nigéria, não entende isso de a mulher pôr em dúvida o que macho africano afirma. <strong>“Os machos africanos têm o direito de vir para a Inglaterra para ficar civilizados, só que esse privilégio ainda não foi concedido às fêmeas”</strong>. Adah ainda pensou em rematar, mas a separação ia longa e discussão não era forma de entrar nessa nova vida não. Emecheta-em-formato-personagem <strong>“rezou para que os dois tivessem forças para acolher a civilização em seu relacionamento”</strong>. E lá seguiram para casa, uma casa Unida, com certeza. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu lhe disse que essa história era assim com vertentes dentro de variáveis? É dessas mesmo, de uma contadora de histórias porreta! Nisso me veio à lembrança a pandemia – é que iniciei a recontagem com o <em>“eight to the bar”</em>, exilado, como Emecheta-em-formato-personagem, e descurei de explicar a conectividade com a pandemia. Vou só de rematar essa “cidadã de segunda classe” e já conecto. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A casa Unida não deixava ter filhos em habitação conjunta e mulheres que tinham emprego de branco &#8211; Adah teve o desabuso de ir trabalhar numa biblioteca (disse que ela tinha ido na escola lá na Nigéria, trabalhado no consulado dos Unidos? Pois foi, e quando chegou no Reino tinha <em>English certification</em> e vai disso arranjou trabalho como os nativos). Os</p>
<p style="text-align: justify;">H</p>
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<p style="text-align: justify;">M</p>
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<p style="text-align: justify;">S</p>
<p style="text-align: justify;">lá do gueto, acompanhados do coro de suas esposas, reprovavam essa Adah, mulher que se achava branca! Que desse os filhos para serem criados por mãe de adopção (costume dos brancos) e fosse trabalhar nas fábricas. Era esse o papel destinado para mulheres nigerianas. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emecheta-em-formato-personagem recusou de seguir essa via, foi na luta e se conseguiu independentizar de um Francis estudante-permanentemente-reprovado-desempregado e religioso-inútil-fanático. Mas levou tempo, como levou tempo! <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei quando Adah deu de perceber que estava na hora de se independentizar, mas creio que quando Francis lhe queimou o manuscrito, esse acto despoletou o processo de afastamento. Certo dia, a avó regressada escreveu um livro e o mostrou aos colegas da biblioteca, que lhe disseram que tinha talento. Aí, Adah deu de pensar que podia colectar a opinião de Francis, que lhe disse sem demoras: <strong>“Você sempre se esquece de que é mulher, e negra. O homem branco mal consegue nos tolerar, a nós, homens, isso para não falar em mulherzinhas desmioladas que nem você” … </strong>O marido da avó regressada riu, como riu! <strong>“Uma mulher escritora na própria casa dele, e isso num país de brancos?”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">P</p>
<p style="text-align: justify;">A</p>
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<p style="text-align: justify;">S</p>
<p style="text-align: justify;">A .</p>
<p style="text-align: justify;">A trama se adensa. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Francis queimou o manuscrito, única cópia de Adah, sem ler. Copiou o que aprendeu, deu andamento à tradição. Agiu sem tolerar &#8211; na casa dele?? <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora sim, conecto com a pandemia. Cidadã de segunda essa Adah, vírus esse que nos trouxe de regresso à realidade, soprou o nevoeiro, afastou os sonhos e nos devolveu o retrato do que somos. De segunda. Eu posso, tu não. Eu tenho direitos, tu não. Separar, hierarquizar, distinguir, nos-Covid’a a exercer a distinção.  <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Espero que no final dessa história, porque foi no meio da pandemia que me deparei com Emecheta-em-formato-personagem, repito: espero que no final mesmo, no derrapar da pandemia, não estejamos tão distintos e consigamos reagir e terminar como Adah – escrevendo, ou exercendo o que quer que tenhamos escolhidos, independentizados, desrotulando e seguindo no sonho. Com Coleman. Que terminou tocando sentado, mas tocando. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (despede-se o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Xénia de Carvalho</p>
<p style="text-align: justify;">12 Janeiro de 2021</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Governo paternalista e o exercício da cidadania</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/governo-paternalista-e-o-exercicio-da-cidadania/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2020 18:03:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Muata Sebastião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="143" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489-300x143.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489-300x143.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489-768x366.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489-1024x488.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489.jpg 1891w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Os objectivos não estão longe daqueles defendidos pelo poder colonial. Pois, no nosso caso, além do sistema reproduzir as desigualdades impossibilita também a crítica.  Muata Sebastião│ A velocidade da informação, no mundo actual, tem feito com que sejam trazidas para o debate público reflexões de âmbito social, político, económico, etc. Essas reflexões privilegiaram as novas ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="143" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489-300x143.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489-300x143.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489-768x366.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489-1024x488.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/07/1594661490489.jpg 1891w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Os objectivos não estão longe daqueles defendidos pelo poder colonial. Pois, no nosso caso, além do sistema reproduzir as desigualdades impossibilita também a crítica.  </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Muata Sebastião</strong>│ A velocidade da informação, no mundo actual, tem feito com que sejam trazidas para o debate público reflexões de âmbito social, político, económico, etc. Essas reflexões privilegiaram as novas gerações que, de uma forma ou de outra, sentem a necessidade de reflectirem sobre os seus problemas e buscar pontos de convergência. Um momento ímpar, sobretudo, para uma geração com poucas referências, o que torna a luta destes num desafio enorme e, em muitos casos, tem sido responsabilizados pelas suas iniciativas, nalgumas vezes objecto de tortura psicológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao propormos esta reflexão queremos apontar vias possíveis para tornar efectiva o exercício da cidadania que, segundo o nosso entendimento, passará por compreender o percurso histórico de uma Angola que há muito tem lutado para garantir a afirmação da maioria social. Essa garantia permite, por sua vez, <strong>estabelecer um novo compromisso social onde valores como a democracia, a justiça social são possíveis</strong> pelas lutas que tornam irrelevante a presença de governos paternalistas, que na verdade podem, para o nosso contexto, significar alguma ameaça ao pleno exercício da cidadania.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa reflexão surge num momento em que muita gente permanece céptica em meio a vários discursos políticos, sobretudo, nos dias que correm. Assim como as outras nações, Angola enfrenta a pandemia da COVID-19 que, apesar de ser grave tem desmascarado a ineficiência do nosso sistema de saúde.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos nós nascemos de um pai e de uma mãe. À medida que fomos crescendo, fomos nos acostumando com a ideia de acreditar e confiar no que os nossos pais diziam. E, ao longo da vida, fomos aprendendo que os nossos pais querem sempre o melhor para nós. Daí  que, não poucas vezes, nos vimos obrigados a concordar com o que diziam ou decidiam sobre nós. Permanecemos firmes acreditando nos conselhos, nas orientações. Conforme crescemos, acostumámo-nos com a ideia de que os nossos pais querem o melhor para nós.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18px;"><strong>«Um governo que se vangloria com a construção de um cemitério, independentemente do tamanho, precisa ser levado a sério?»</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Esta crença relativamente aos pais termina somente quando nos tornamos adultos e, a partir desse momento conseguimos compreender coisas que uma criança ou um adolescente não compreendia.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta analogia permite-nos compreender os estágios sobre os quais Angola passou até à conquista da independência. A experiência da criança repete-se e configura-se ao ponto de algumas vezes tomarmos atitudes que nos reportam à infância.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim com Angola, no contexto das lutas pela independência. Tão logo despertaram, os angolanos ganharam consciência e viram na luta pela libertação uma das formas de mostrar que já haviam entendido a real missão portuguesa no território angolano. Portanto, <strong>o único propósito a ser concretizado era a liberdade e desmascarar a falsa ideia paternalista do colono que, além de segregar, tornava cada vez mais consolidada a política da exploração e escravidão dos angolanos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nascia uma geração de jovens que, de forma destemida enfrentaram o poder real de Salazar, colocando as suas vidas em risco pois, já sabiam que era a hora de resgatar a liberdade e a independência de seus povos.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, logo <strong>após a conquista da independência os nacionalistas não foram capazes de impedir que certos comportamentos coloniais fossem replicados na Angola independente.</strong> Um destes comportamentos foi a autoridade paternal que rapidamente se foi enraizando entre os angolanos e muitos começaram a ver o poder dos governos da mesma forma que viam e acreditavam no poder paternal nas famílias. Infelizmente, isso foi implementado tão logo Angola alcançou a independência.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse comportamento foi se tornando cada vez mais presente na mesma proporção em que se afirmava uma Angola comunista e isso foi marcando também o surgimento de líderes messiânicos, que aos poucos foram assumindo de forma intensa a posição de “pai” ou “mãe” do povo fazendo valer as suas vontades sobre a maioria.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa falsa ideia de pai é perigosa pois, tal como imperou no colonialismo, para o contexto da Angola independente os objectivos não estão longe dos ideais imperialistas, através do qual era necessário fazer valer a falsa ideia de pai para manter e ampliar o seu poder, custe o que custar para melhor dominar. Trata-se de um propósito que, embora lento, vai manifestando a vontade de governantes despóticos das lideranças messiânicas que só sabem dominar e fazer valer as suas vontades por meio da força ou de outras vias de dominação. Foi assim em toda a história da civilização, foi assim durante o período colonial e continua sendo, 45 anos depois.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas isso não é somente uma questão de querer ser, é acima de tudo um acto de “inteligência” da parte dos líderes de modos a encontrar formas seguras para impedir possíveis oposições.  <a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2018/02/28459281_2071388169545884_1541820214_n-1.jpg"><img class="size-full wp-image-1892 aligncenter" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2018/02/28459281_2071388169545884_1541820214_n-1.jpg" alt="" width="960" height="720" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2018/02/28459281_2071388169545884_1541820214_n-1.jpg 960w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2018/02/28459281_2071388169545884_1541820214_n-1-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E, para que um governo possa ter certeza de que não haverá contestatários, nem insurreições da população, a medida imprescindível a tomar é controlar as instituições, públicas e sociais dentre as quais a família, de uma forma a que ninguém possa perceber e dando algumas vezes, por meio dos discursos, a ideia de que existe abertura e liberdade das pessoas e instituições para se posicionarem sobre várias matérias. Porém, nalgumas faz-se também passar a ideia de que há uma voz que deve ser ouvida e contra ela ninguém se pode opor, é a voz dos governantes. Foi nesta perspectiva que surge entre os angolanos a famosa frase: “menino não fala política”, a única forma de fazer imperar a mentalidade do medo entre os angolanos. Isso inibe o exercício da cidadania, um direito fundamental, fazendo passar a ideia de que apenas alguns podem falar de política.</p>
<p style="text-align: justify;">Como já temos apresentado em outros textos, insistindo na necessidade do senso crítico, percebe-se que a incapacidade crítica é fatal e uma sagrada oportunidade para a nulidade das garantias e liberdades fundamentais dos cidadãos. Pois, quando todas as possibilidades estiverem sob o comando do governo, ele poderá fazer qualquer coisa com o seu povo, sem nenhuma resistência, sem nenhum risco de ser deposto ou combatido. Ou seja, o controlo das instituições e de certas pessoas tem um único objectivo: o controlo social, ter domínio de tudo. Parece algo difícil de acreditar? Parece exagero ou uma teoria conspiratória?</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, um pouco de história pode ajudar a esclarecer a questão.</p>
<p style="text-align: justify;">Angola foi ocupada pelos portugueses, numa expedição comandada por Diogo Cão. Uma dominação que durou quase 500 anos. Passados 45 anos, desde que Angola deixou de ser colónia portuguesa, o país vive a pior miséria, superando o período do conflito armado.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que, não muito diferente do que acontecia na era colonial, as restrições no acesso aos serviços sociais, sobretudo ao ensino, continua a ser uma regra do governo, mesmo que de forma indirecta. Angola continua dividida entre os privilegiados e os não privilegiados, igual ao período colonial, entre os assimilados e os não assimilados e/ou indígenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabemos, que o termo assimilado tinha a sua importância no contexto da colonização, foi “um tipo específico de sujeito criado pela colonização portuguesa”, uma pessoa  para ter privilégios precisava “ se destribalizar”, abrindo mão da sua cultura, ou seja, negando a sua identidade e, tornando-se inimigo dos seus co-irmãos, nalgumas vezes oferecendo ou vendendo-os como escravos.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18px;"><strong>«Se na era colonial muitos preferiram “destribalizar-se”, para o nosso contexto, e porque as pessoas se tornaram ventríloquas, as suas auto-negações colocaram em cheque as suas liberdades pois, tornaram-se manipuláveis.»</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Hoje, vivemos as mesmas situações, as segregações intensificam-se. Vemos um grupo que tomou de assalto o património dos angolanos, um grupo que é capaz de escolher quem pode e quem não pode, levando a que muita gente se torne bajuladora em troca de benefícios e alguns até em sipaios, infiltrando-se nos grupos opositores, apenas para merecerem favores e regalias. <strong>Se na era colonial muitos preferiram “destribalizar-se”, para o nosso contexto, e porque as pessoas se tornaram ventríloquas, as suas auto-negações colocaram em cheque as suas liberdades pois, tornaram-se manipuláveis. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se para o período colonial, a necessidade de restringir as liberdades e, sobretudo, o acesso ao ensino tinha como objectivo dificultar a produção de conhecimentos, inviabilizar a formação de grupos que pudesse ameaçar o poder colonial, para o nosso contexto, os objectivos não estão longe daqueles defendidos pelo poder colonial. Pois, no nosso caso, além do sistema reproduzir as desigualdades impossibilita também a crítica.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo que sabemos, houve no período colonial um maior controlo no acesso à instrução académica, ainda assim, e porque diz a história, isso não foi suficiente para impedir o surgimento de movimentos que, mais tarde, se empenharam nas lutas contra a dominação. Um controlo que foi incapaz de impedir, por exemplo, o surgimento da Liga angolana, a Liga Nacional Africana, o Grêmio Africano e muitas outras Associações Culturais que influenciaram as lutas e que culminou com a conquista da Independência Nacional, no dia 11 de Novembro de 1975.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta reflexão é importante? Sim, pois vivemos momentos difíceis e a busca pelos arquivos da história fazem-se importante para melhor compreendermos de onde viemos e onde estamos, por um lado. Por outro lado, esta reflexão impõe-se como forma de combater as falsas histórias sobre o país e, sobretudo, a vontade defendida de se resolverem os problemas do povo, pois como notamos as condições de vida dos angolanos pioram significativamente. Cresce o número de desempregados, piora os sistemas de saúde e de educação. Enfim, volvidos 45 anos não foi possível um plano de Nação.</p>
<p style="text-align: justify;">No momento áureo da nossa economia, e na lógica da segregação, vimos a insensibilidade do governo que foi incapaz de resolver os problemas das populações, mesmo quando o lema da campanha eleitoral de 2012 foi: “ produzir mais para melhor distribuir”. Tudo isso não passava de mero populismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Quantas mortes por malária, febre-amarela e, outras enfermidades foram evitadas? O que foi feito para tornar o sistema de saúde adequado às nossas doenças? Diante de toda incompetência foi construído o maior cemitério ─ o do Benfica ─, que segundo os dirigentes daquela época era o maior feito para a Província de Luanda, por ter sido o maior do continente! <strong>Um governo que se vangloria com a construção de um cemitério, independentemente do tamanho, precisa ser levado a sério?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esta é a nossa realidade e, por isso não nos deveríamos esquecer da história e dos problemas que vivemos todos os anos.  <a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Rebecca-Africa-Uprising.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2849" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Rebecca-Africa-Uprising.jpg" alt="" width="1410" height="421" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Rebecca-Africa-Uprising.jpg 1410w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Rebecca-Africa-Uprising-300x90.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Rebecca-Africa-Uprising-768x229.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Rebecca-Africa-Uprising-1024x306.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1410px) 100vw, 1410px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A nossa história, deve ser tida em conta sempre que nos colocamos a reflectir sobre o país, na intenção de encontrarmos soluções. Foi por isso que nos propusemos a escrever este texto que procurou apresentar pontos de convergência entre o colonialismo e o momento pós-colonial, uma analogia importante para entendermos onde queremos chegar como povo e como chegar lá.</p>
<p style="text-align: justify;">Somente olhando para isso será possível ressignificar a luta, fazendo valer o poder da cidadania, muita das vezes confundida com militância política. Daí que, para nós, pensar Angola é fundamental e, é também fundamental a imperiosa necessidade à luta pela transformação da maioria social para a maioria política. Isso é extremamente relevante se quisermos vencer a batalha dos monopólios e da segregação.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18px;"><strong>(…) estabelecer um novo compromisso social onde valores como a democracia, a justiça social são possíveis…</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Tal como se tem dito “todo povo ou nação que perde uma guerra é obrigado a entregar as armas ao vencedor”, sem excepção. E isso tem um grande significado para o país que há muito tem vindo a reclamar pela forma como o país tem sido gerido, pela ineficácia das políticas públicas fruto ainda da partidarização do aparelho do Estado que, no fundo, tem estado na base da descriminalização do angolano pelo angolano que com ela vão aos poucos ressurgindo as acções de intolerância e outros, colocando a maioria social em desvantagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Será que consegue ver isso? Consegue ver que há ainda um lado que perde sempre e, é a maioria? Não há perdedores do lado dos governantes, pois eles contam com um aparato de segurança muito superior e exclusivo, tornando-a partidária, quando ela deveria ser republicana. Perdemos a luta quando admitimos que faltam medicamentos nos hospitais por receberem pouco ou quase nada do OGE. Perdemos a luta quando, em pleno século XXI muitos angolanos ainda estudam debaixo das árvores.</p>
<p style="text-align: justify;">É nisso onde começamos a perder a batalha! Ou, será que é desta vez que a história será revertida?</p>
<p style="text-align: justify;">Pense nisso!</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
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        A Lei de Imprensa  </a>

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    A Lei de Imprensa é um diploma que visa estabelecer os princípios gerais que devem enquadrar a actividade da comunicação social, na perspectiva de permitir a regulação das formas de <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/"> Leia mais</a>  </p>
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    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
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  <a class="title post_title"  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">
        Como fazer uma revolução?  </a>

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    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>A raça, o novo amanhecer e a autenticação do ser</title>
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		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2020 22:05:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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<p>Xénia de Carvalho│ Dizem-me aqui que raça é tema de debate aceso, coisa científica e necessária para o entendimento das desigualdades sociais e económicas que grassam nesse mundo vasto. Dizem-me aqui que raça é para derrubar, ainda mais nestes tempos pandémicos que nos assolam, em que as diferenças se acentuam. Dizem-me aqui que raça é ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="169" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/racismo-300x169.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/racismo-300x169.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/racismo.jpg 660w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Xénia de Carvalho</strong>│ Dizem-me aqui que raça é tema de debate aceso, coisa científica e necessária para o entendimento das desigualdades sociais e económicas que grassam nesse mundo vasto.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem-me aqui que raça é para derrubar, ainda mais nestes tempos pandémicos que nos assolam, em que as diferenças se acentuam.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem-me aqui que raça é assunto para tratar.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou de começar.</p>
<p style="text-align: justify;">Já fui loura, ruiva e de cabelo encaracolado, agora está esbranquiçado e meio acobreado. Ah, velhos tempos esses em que era morena de cabelo preto! Ah, como brilhava esse meu cabelo – e não havia cá produtos abrilhantadores das raízes e derivados (dessas coisas, infelizmente, pouco sei, deixo-vos o Google – diz que tem lá tudo).</p>
<p style="text-align: justify;">Foi nesse passado de moreneza que me encontrei frente ao mistério do ser e o desvendei. “<strong>It&#8217;s a new dawn/It&#8217;s a new day/It&#8217;s a new life for me/And I&#8217;m feeling good”. </strong>Peço que parem o trânsito, desliguem os semáforos, metam os polícias sinaleiros na casota, porque Nina Simone canta: <strong>“Sleep in peace when day is done, that&#8217;s what I mean”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Epa, como se conta a história da descoberta do ser? Nina canta <strong>“Birds flying high you know how I feel”</strong>. Essa senhora ginga, como ginga! E traz essa música lá dos anos 60, escrita pela dupla britânica, Leslie Bricusse e Anthony Newley.</p>
<p style="text-align: justify;">Bricusse e Newley escreveram <strong>“Feeling Good”,</strong> que Nina explode no mundo quando canta &#8211; oh! se explode!-, para acompanhar o musical, também escrito por eles, <em>The Roar of the Greasepaint – The Smell of the Crowd</em>, em que se pautam em tons graves, agudos ou intermédios, o estado das classes sociais, do poder e da raça na Inglaterra dos anos 60. E raça &#8211; o assunto que me fez vir aqui hoje &#8211; é poder e classe social, mas também memórias do ser e do cabelo. Anda tudo ligado: Nina, “<strong>Feeling Good”</strong> e a humanidade, essa por Mia Couto. Bem sei, retorno a Moçambique, esta sina pa…. É que é de lá que trago a humanidade e o desvendamento do ser, esse desraçado.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, Mia? <strong>“River running free, you know how I feel”, </strong>oh yeh, mama! Sei, sei, ó se sei. O SER… Descobri o ser na multiplicidade, nessa coisa dos cabelos e por isso iniciei com essa narração: <strong>“Era uma branca, de longos cabelos loiros”. </strong>Não, não! Não são minhas essas palavras, não são não. Mas podiam ser. Já fui loira e percebo disso mais do que o dito, mas não são não, não são não! Confesso. São do Mia &#8211; <strong>“And I&#8217;m feeling good”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Meus pais me puserem esse nome que carrego (já habituei, ganhei-lhe estima), e eu encontrei-me noutro, o de Ezequiela, a do Mia. Aí me libertei e encontrei o SER, chutei isso da raça, não tem o meu tamanho, nem as minhas medidas. Desracei-me.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem é essa Ezequiela? Espera lá, já vou contar…. Primeiro, vou desvendar esse homem, que é animal assumido, e escreve como lhe apetece, desentranha palavras como quem cospe caroços de azeitona preta (as outras não prestam, nem temperadas). Esse homem bicho desorganiza a escrita, torce as palavras e acrescenta superlativos ou inventa verbos que não há não nesse dicionário da Língua Portuguesa (porque está mesmo a ver-se que português português só há um, o que todos falam, mas no livro só vem a versão oficial, o português engravatado, com brilhantina no corno do bigode). Nessa desorganização desraça-se e desraça o leitor &#8211; eu, que já tive <strong>“longos cabelos loiros”</strong>. Vós? Pois, isso já não sei. Vou Mia’grafar, mostrar o bicho que há no homem. Talvez isso explique isso do “<strong>It&#8217;s a new dawn/It&#8217;s a new day/It&#8217;s a new life for me/And I&#8217;m feeling good</strong>” (escuta aí, Simone…).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Breve acto de Mia’grafar </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mia Couto, nascido em 1955, é biólogo e escritor moçambicano e usa nome de gato. <strong>“Eu era miúdo, tinha dois ou três anos e pensava que era um gato, comia com os gatos. Meus pais tinham que me puxar para o lado e me dizer que eu não era um gato. E isto ficou. Eu lá fora, sou sempre esperado como preto ou como mulher.  (…) Isto me diverte. Essas questões de identidade me divertem muito, quer seja do sexo, quer seja da raça. Eu não tenho raça. Minha raça sou eu mesmo”</strong> (em entrevista à Folha de S. Paulo, 2002). Desraçou-se, portanto. Também não é de estranhar: homem que se acha gato e desconstrói o dicionário, que tanto trabalho dá nisso da organização justificada das palavras – esses organizadores merecem reconhecimento pela tentativa de uniformização de tanta gente a usar uma língua, cuspindo variações, e eles “que não, essa variação não entra aqui, é corruptela, na escola não se ensina calão não”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não só de animal é feito o escritor, também é doente incurável. Explico então: em 1974, seguindo o legado familiar (o pai foi jornalista e poeta – “doença hereditária”, segundo lhe dizia a mãe), inicia-se no ofício de jornalista. Foi director da <em>Agência de Informação de Moçambique</em> (AIM), director da revista <em>Tempo</em> até 1981 e trabalhou no jornal <em>Notícias</em> até 1985. Nesse ano, deixa o jornalismo e vai tirar biologia na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. É nos anos 80 que começa a publicar contos, como o de “Ezequiela, a Humanidade” (1987), esse que me liga ao cabelo loiro, à Nina Simone “<strong>And I&#8217;m feeling good” </strong>e me deixou desraçada. Esse conto está junto de outros “Na berma de nenhuma estrada” &#8211; daí que não sejam necessários os policias sinaleiros, mantenham-nos nas casotas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Da autenticação do ser e da desnecessidade da raça</strong></p>
<p style="text-align: justify;">“<strong>Um certo moço apaixonou se por uma moça, de cujo nome Ezequiela. O jovem se designava de Jerónimo. Foi amor de anel e altar. Em prazo fulminante ajuntaram destinos, ele e ela, os dois e ambos”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Começa assim o conto do Mia e Nina canta <strong>“Birds flying high you know how I feel”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não há conto que comece e fique logo tudo resolvido. <strong>“It&#8217;s a new life for me yeah”</strong>, Nina, a voz que imobiliza o trânsito e anuncia essa nova vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Jerónimo deu de casar, Mia disse. Mas certo dia acordou e deu com <strong>“a branca, de longos cabelos loiros”, </strong>ali mesmo, ao lado dele. <strong>“Ele cismalhou: quem é esta?”. </strong>É que essa não é a mulher dele! Grita por ela, “<strong>Ezequiela!”</strong>. Às vezes podem-se perder as mulheres… Nada! Ela lhe explica, é ela, Ezequiela, mas Jerónimo não está crente, e lhe desafia: <strong>“Como, se você é branca retinta e minha mulher é negra? Como, se os cabelos…”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A moça lhe explica que <strong>“mudava de corpo de cada vez em quando. Ora de um tamanho, ora de uma cor. E ora bela, ora feia. Actualmente, branca e posteriormente, negra. Que ela se convertia, vice versátil”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ezequiela procura aceitação: <strong>“O problema sendo mesmo esse, o da identidade exacta dela mesma, a autenticada Ezequiela”</strong>. Mas Jerónimo não caí não, não foi com essa que casou. E a mulher lhe propõe que se deixem estar, <strong>“vir o porvir”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Simone, “<strong>Butterflies all havin&#8217; fun, you know what I mean”</strong>. Oh yeah, sabemos sim. Jerónimo não resistiu e <strong>“tricotou seus dedos pela seda dos cabelos dela”</strong> …. Voltaram ao estado de graça. Só que…. Conto tem dessa paragem sincopada, vai o leitor já lançado e mudam-lhe o rumo. Mia brinca, como se fosse novelo os olhos de quem segue os destinos de Jerónimo e Ezequiela…</p>
<p style="text-align: justify;">Jerónimo tricotava os cabelos dela, a tecelagem foi até ao remate final e regressaram ao estado primeiro – ela de loira, ainda, mas mulher. Só que, lembrem lá a questão da identidade…. Dou um segundo, sim. Identidade? Pois. A autenticada acordava versatilisada, convertida: <strong>“acordou esquimó, peles amareladas, olhos repuxados em ângulo e esquina. E, numa outra vez, ela se indianizou, pele aperdizada, cabelos azevichados”. </strong>Jerónimo depois de ficar no <strong>“vir o porvir”</strong> acabou aceitando-a, <strong>“transitável mas intransmissível”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Diz o escritor que o <strong>“acerto e reacerto”</strong> não foi assim fácil no começo, levou tempo, até que Jerónimo <strong>“encontrou gosto nesse jogo de reencorpagem”</strong>. Nina – esse trânsito continua parado? – <strong>“Sun in the sky you know how I feel”</strong>, yeah! Sei, sei. Sorte a desse gajo, todas mulheres numa só!</p>
<p style="text-align: justify;">Disse sorte? Nada, esquece isso, azarou, Jerónimo azarou, Ezequiela reencorpou certo dia em <strong>“homem, barbalhudo e provido de músculo”</strong>. E isso é que não: <strong>“A sua mulher: um homem? Já se vertera em branca e em preta, baixa em alta, tudo isso, sim. Mas sempre mulher”</strong>. Homem, não. <strong>“Seria ela, integralmente, um ele?”</strong>, Jerónimo deu de verificar, espreitou lá, escondido, e <strong>“estremecimento geral: era mesmo” </strong>um ele, sua esposa era um homem!</p>
<p style="text-align: justify;">Não aceitou essa reencorpagem não, casou com mulher – que virasse loira, morena, ruiva ou careca, mas de género feminino. Agora gajo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“- Desculpe, mas agora é de mais. Enquanto você for Ezequiel eu fico fora…”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Jerónimo botou o pé na estrada e foi dormir lá onde calha ficar quem se perde. Só que (Mia, o novelo, e Nina – “<strong>It&#8217;s a new dawn, it&#8217;s a new day, it&#8217;s a new life for me”</strong>) … Jerónimo caiu doente. E quem se adoece regressa a casa e <strong>“deparou ainda com a esposa em fase de macho”</strong>. Mas o macho tomou conta dele, <strong>“lhe trouxe toalha fresca e uma aguinha benigna”</strong>. E Jerónimo lá foi caindo no adormecimento, <strong>“mesmo estranhando um raspar de barba em seu pescoço”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">E agora sim, Nina e o momento da libertação, o fim da opressão: <strong>“It&#8217;s a new life /For me /And I&#8217;m feeling good”</strong>. Jerónimo <strong>“despertou reanimado e se olhou no espelho”</strong>. Só que não era espelho não, <strong>“do outro lado da moldura era um outro trajando seu próprio corpo”</strong>. Jerónimo <strong>“avançou a pergunta: &#8211; Ezequiela?”. </strong>A voz do outro lhe devolveu na resposta: <strong>“-Como Ezequiela? Você, Ezequiela, não reconhece o seu marido?”. </strong>Desracei-me <strong>“And I’m feeling good”</strong> (tira lá os polícias da casota, já pode haver trânsito).</p>
<p style="text-align: justify;">25 de junho de 2020.</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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    A Lei de Imprensa é um diploma que visa estabelecer os princípios gerais que devem enquadrar a actividade da comunicação social, na perspectiva de permitir a regulação das formas de <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>A ESCOLA E A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA CRÍTICA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2020 15:18:11 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="225" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010571-300x225.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010571-300x225.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010571-768x577.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010571.jpg 1022w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Muata Sebastião*</strong>│Sou adepto da experiência em sala de aulas, pertenço a esse lugar chamado escola, mesmo não compactuando com a forma como ela é pensada e encarada pelos seus idealizadores, assim como os estudantes que participam do processo educativo. Ambos não pensam a escola como um espaço ideal e necessário da consciência crítica. Pensando desta forma, me vem em mente o pensamento atribuído ao filósofo alemão, Immanuel Kant, ao dizer que, é por esse motivo que se mandam as crianças à escola; não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que, depois, não pensem mesmo que têm de por em prática as suas ideias.</p>
<p style="text-align: justify;">Falar sobre o papel da escola na formação da consciência crítica é um desafio reflexivo que se impõe, sobretudo, numa época em que é constante a banalização de valores e que a educação, enquanto instrumento de construção intelectual, não foi poupada. Trata-se de um desafio que, além de envolver tempo, é importante que se conheça o lugar a partir do qual a análise é feita. Cada escola representa um tipo de sociedade e forma os seus membros em função da concepção de sujeito que pretende construir. Logo, é necessário repensar e recontextualizar uma educação que atenda as demandas da nossa sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">O tema da nossa reflexão é desafiador, mas para tornar fácil a compreensão achamos conveniente reflecti-lo ao nível do ensino médio, 2º ciclo, uma vez que é nele em que temos estado a desenvolver a nossa docência, já há algum tempo. Isso não significa dizer que o assunto não possa ser aplicado a outros níveis de ensino.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensar a educação requer o apoderamento de diversos recursos interdisciplinares, tomando as contribuições históricas, pedagógicas, psicológicas e não só. Mas, é na análise social que podemos enxergar a multiplicidade do espaço vivencial do ensino e aprendizagem que se manifestam no seio familiar, nas instituições religiosas, entre outros espaços que reúnem características pedagógicas. Todavia, é na educação escolar que se estabelece a responsabilidade de proporcionar o ensino formal, por meio de actividades que permitam aos alunos desenvolverem habilidades, dentre as quais o senso crítico.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora a escola possua essa responsabilidade, não poucas vezes deparámo-nos com situações em que ela é transformada num espaço de assimilação forçada de ideologias.  Não entendida — tal como Tracy defendia na sua obra “Elementos da Ideologia” — como a ciência das ideias, mas sim a partir da percepção de Marx e Engels, de que a ideologia aparece sempre como instrumento de dominação da classe burguesa, que dela se utiliza para manter a “ordem estabelecida” e impedir a mudança social”. Como se pode notar, é clara a dominação e a inversão dos valores da escola o que compromete em grande medida, não somente o processo formativo, como também retira toda e qualquer possibilidade dos estudantes serem eles mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem algumas práticas que tem estado a comprometer o sucesso da escola no nosso contexto e, uma destas é a presença partidária, sobretudo na elite dos gestores escolares que, além das suas funções, fazem o papel de fiscais, controlando e inibindo algumas práticas, por mais positivas que sejam. O outro factor comprometedor é a concepção neoliberal da educação, que sendo um sistema de doutrina que se define como modo de governo de um estado mínimo, da livre iniciativa privada, dos maiores resultados em menores custos, do lucro empresarial e pessoal, do individualismo e da redução de distribuição de rendas para camadas sociais vulneráveis, utilizado no contexto da educação, tende a objectivá-lo num mecanismo de formação de dinheiro. Este modo de encarar o papel da escola, segundo entende Mbembe (2014,p.13), caracteriza-se também pela produção da indiferença, da codificação paranóica da vida social em normas, categorias e números, assim como por diversas operações de abstracção que pretendem racionalizar o mundo a partir de ideologias empresariais.</p>
<p style="text-align: justify;">Por esta razão, há toda uma necessidade de se reflectir a formação da consciência crítica na escola, sobretudo, entre os estudantes do ensino médio, partindo sempre do princípio de que há uma estreita relação entre a escola e a sociedade e esta relação traduz também o tipo de interesses que a sociedade persegue, que são interesses de várias ordens, tais como: económicas, políticas, sociais e outros factores que traduzem na sociedade o tipo de escola que se tem ou se quer ter.</p>
<p style="text-align: justify;">Desenvolver a crítica neste nível de ensino significa dar possibilidades para que o estudante consiga olhar além do convencional, consiga tomar distância do senso comum e tome parte, enquanto cidadão nos negócios da <em>pólis.</em> Para tal, é preciso que a educação tenha a qualidade necessária para permitir aos agentes (professores, alunos e a comunidade) as vias da participação cidadã.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18px;"><strong>“o pensamento crítico não provém, portanto, da simples discussão, ou da confrontação de posições contrárias, ou da doação de soluções pelo professor. A crítica pode ser avaliada pela capacidade dos alunos em formular questões e objecções de maneira organizada, estruturada rigorosa.”</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Não poucas vezes vimos pessoas a reclamarem sobre a má qualidade da educação, não só porque os alunos estão constantemente a fazer cábulas ou têm deficiência de ler e interpretar textos, mas também, porque poucos não têm dificuldades de exercitar o raciocínio. Quando estas reclamações surgem, é claro que se está a expor uma situação política pois, a educação, além de ser uma questão de cidadania, <span style="color: #333399;"><strong>é obrigação do Estado  garantir qualidade, criando políticas educativas que tornam possível não só o direito das pessoas frequentar uma escola, mas, sobretudo o direito de serem livres, pois, é para isso que as escolas existem, e que pela crítica os estudantes possam ter noção da sua autonomia. Essa qualidade passa por proporcionar condições aos estudantes de participarem da vida social e política do país.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Nesta perspectiva, a escola constitui-se num espaço favorável para aprendizados críticos e autónomos pois, é por via disso que os estudantes, além de saber ler e escrever, engajam-se de forma activa nas questões das suas comunidades, lutando pela justiça social e na defesa dos seus direitos como é o caso da educação.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa escola é ainda carente de formação autêntica, aquela que, além de possibilitar a auto-estima dos alunos, dá-lhes saberes que os permita lutar pelos seus direitos. E isso é em função do que mencionamos anteriormente. Daí que, ao reflectir na escola como um lugar em que se desenvolve a crítica, pretendemos que a acção pedagógica seja ressignificada pois, somente isso permitirá que a escola observe mudanças positivas melhorando o clima de liberdade, participação, responsabilidade e que por via destes elementos os estudantes consigam dar o salto de qualidade não somente em relação ao saber sistemático, mas pela qualidade do raciocínio trazendo para o espaço público e, com alguma qualidade, os problemas das comunidades e da escola.</p>
<p style="text-align: justify;">É na escola que deve ter início o exercício da cidadania pois, é lá onde se formam as bases para a actuação futura da sociedade. O aluno precisa aprender a ser actuante, pensando de forma rigorosa porque é isso que significa aprendizagem crítica. <strong><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010559.jpg"><img class="size-full wp-image-2578 aligncenter" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010559.jpg" alt="" width="1022" height="768" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010559.jpg 1022w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010559-300x225.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/P1010559-768x577.jpg 768w" sizes="(max-width: 1022px) 100vw, 1022px" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A cidadania não está fora da pessoa, ela começa na relação que a pessoa faz consigo mesma e depois vai se expandindo para o outro e para a sociedade como um todo. Desta relação entra também em jogo o papel da educação familiar pois, é lá onde tudo começa e a escola é apenas uma sequência, se bem que em alguns casos a escola precisa fazer também o papel da família. <span style="color: #333399;"><strong>Todo este processo, tanto familiar quanto escolar, devem concorrer para a formação da consciência crítica do indivíduo, disso depende a qualidade da sua participação em questões sobre a sociedade em que vive.</strong></span> Neste conjunto de obrigações a escola tem a maior responsabilidade que de acordo com Lima (2002, p.17) “a educação escolar para a cidadania só é possível através de práticas educativas democráticas, desta forma, promove valores, organiza e regula um contexto social em que se socializa e se é socializado”</p>
<p style="text-align: justify;">Os alunos precisam conhecer, para aprender a gostar, precisam entender os significados e as suas respectivas importâncias para praticar. A cidadania aprende-se na prática e se a escola favorece a aprendizagem da cidadania, a primeira coisa a fazer, é tornar possível entre os alunos, o exercício da cidadania.</p>
<p style="text-align: justify;">As sociedades projectam o tipo de escola e de cidadãos que querem, mas para que este desiderato tenha os efeitos positivos é preciso envolver todos aqueles que fazem parte do quotidiano escolar, isso permite que as decisões sejam tomadas de forma democrática, pois, só se consegue o bem comum e avançar nos propósitos, quando todos estão imbuídos dos mesmos objectivos.</p>
<p style="text-align: justify;">As decisões devem ser tomadas de forma participativa e democrática. Isso irá permitir com que cada minuto do aluno na escola seja para direccioná-lo para a formação de uma práxis de cidadão crítico, responsável e transformador. Isso permite também devolver à escola a sua real missão social, olhando para os pontos nevrálgicos que precisam ser atacados e corrigidos, seja no próprio processo de ensino e aprendizagem, como na forma de ensinar, de aprender e avaliar. A intenção é ir além do conhecimento intelectual que proporciona ao aluno ferramentas para a actuação profissional, se quer que este seja uma pessoa feliz, com boa auto-estima, considerado pela sua sensibilidade, solidariedade e respeito ao seu semelhante, que seja um ser humano convicto da sua responsabilidade perante a sociedade. É preciso garantir habilidade crítica, pois, somente isso permite que o cidadão participe de forma consciente nas questões que lhe dizem respeito enquanto cidadão.</p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro passo para a formação do cidadão participativo, consciente de seu papel na sociedade é fazê-lo um cidadão cívico, que respeita a sua pátria e seja respeitado, que entenda o verdadeiro sentido de ser cidadão, ultrapassando a lógica que olha na escola apenas como um espaço de mera formalidade retirando o carácter social que sempre teve e a importância que tem para o desenvolvimento do homem por meio de uma educação que toma como base o contexto social, pois, a educação não pode apenas ser compreendida como um corpo de saberes dispersos, mas enquanto um processo que compreende diversas dimensões de saberes que concorram para o crescimento do estudante, possibilitando-o a atingir a inteligibilidade e por esta via, o aluno por si só, consiga construir por meio da crítica, uma “linguagem de segurança”.</p>
<p style="text-align: justify;">Pela crítica, o estudante consegue reverter situações alargando o grau do seu entendimento, “pois onde os ingénuos só vêem factos diversos, acontecimentos amontoados, o aluno que desenvolve a crítica estará apto para discernir sobre o sentido do que vê e ouve, denunciando a ingenuidade do falso cientista” (Favaretto, 1993, p. 98), ou a ideologia de quem vê na escola o espaço ideal para alienar.</p>
<p style="text-align: justify;">As escolas precisam educar para a inteligibilidade que, para Favaretto, “significa submeter os interesses dos alunos a um tratamento que lhes permite descobrir os encadeamentos a lei, a estrutura que está (ou não está) nos discursos vazios (geralmente do professor), por simulacros de reflexões, ou então, se tornem apenas um lugar para se discutir, criticar, etc. Significa ainda reafirmar que a crítica não vem antes das convicções que a tornam possível”.</p>
<p style="text-align: justify;">Para tal, os professores precisam entender que o pensamento crítico na escola é fundamental para o desenvolvimento dos alunos pois que, ele permite que os mesmos consigam tomar distância do senso comum, do convencional e do supérfluo e, pois, que, <span style="color: #333399;"><strong>“o pensamento crítico não provém, portanto, da simples discussão, ou da confrontação de posições contrárias, ou da doação de soluções pelo professor. A crítica pode ser avaliada pela capacidade dos alunos em formular questões e objecções de maneira organizada, estruturada rigorosa.”</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Isto significa criar condições para permitir que os alunos consigam deslocar-se e criarem as suas próprias posições, sem interferência do professor.</p>
<p style="text-align: justify;">Como notamos, não podemos olhar a escola como um espaço alheio à realidade social e muito menos projectá-lo longe do contexto dos alunos e professores. É preciso que estes dois elementos primordiais do processo de ensino e aprendizagem possam ser considerados.</p>
<p style="text-align: justify;">A educação, sobretudo a escolar, implica sempre, para o aluno, um confronto com o desconhecido que nalguns momentos pode causar medo e noutros  curiosidade daí é que, para Favaretto (1993, p. 1001) “o primado do ensino na prática institucional da escola implica que a aprendizagem seja compulsória, exactamente para validar a identidade da instituição, o espaço do homogéneo”. Esta realidade permite que o desenvolvimento do saber crítico permita ao aluno adquirir habilidades com o objectivo de usá-los com o intuito de dilatar as suas percepções, questionando factos e produzindo resultados em prol do bem comum.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste âmbito, a escola, enquanto formadora de consciência, precisa ser exemplo, lugar onde o saber é transmitido de forma democrática, respeitando as liberdades dos intervenientes do processo. Isto equivale à adopção de práticas não somente reflexivas, mas do puro exercício democrático em que o indivíduo se compreende como tal.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333399;"><strong>Para que a nossa escola seja, de facto, o modelo e o reflexo de uma sociedade que se compromete com a verdade, o respeito e a ética precisamos tornar presente o ideal democrático na escola.</strong></span> Assim sendo, a escola precisa de ocupar somente o lugar de destaque, não para transferir saberes, mas para produzir conhecimentos e desenvolver as habilidades dos estudantes e sem nos esquecermos de que o sucesso da escola depende muito do tipo de famílias e do tipo de políticas educativas gizadas. E num tempo em que tudo muda rapidamente, é preciso estarmos atentos porque as novas dinâmicas vão não somente tomando conta das nossas acções enquanto educadores, mas também influenciando as nossas decisões ou como gestores, professores, encarregados e estudantes. Já não há mais um único jeito de fazer educação, precisamos estar atentos e pensar rápido e de forma reflexiva.</p>
<p style="text-align: justify;">*<em>Filósofo e professor</em>.</p>
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  <a class="title post_title"  title="Angola está abaixo da média no acesso à Internet" href="https://observatoriodaimprensa.net/angola-esta-abaixo-da-media-no-acesso-a-internet/">
        Angola está abaixo da média no acesso à Internet  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
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              <div class="item">
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    <a  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">

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  <a class="title post_title"  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">
        Como fazer uma revolução?  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>Papel das ciências sociais e humanas em tempo de pandemia</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2020 12:13:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="300" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-300x300.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-300x300.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-150x150.jpg 150w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-768x768.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-1024x1024.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-75x75.jpg 75w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-36x36.jpg 36w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416.jpg 1920w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Domingos da Cruz (Org.)│Uma vez que o combate à pandemia da COVID-19 está demasiado focado nas ciências biomédicas e ou farmacológicas, gostaríamos de propor aos leitores uma reflexão inversa (que já alguns começaram a fazer). Analisar o papel das ciências sociais e humanas em tempo de pandemia. Para nos ajudar a fazer luz, convidamos catorze ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="300" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-300x300.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-300x300.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-150x150.jpg 150w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-768x768.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-1024x1024.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-75x75.jpg 75w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416-36x36.jpg 36w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/Polish_20200526_153727416.jpg 1920w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Domingos da Cruz (Org.)</strong>│<em>Uma vez que o combate à pandemia da COVID-19 está demasiado focado nas ciências biomédicas e ou farmacológicas, gostaríamos de propor aos leitores uma reflexão inversa (que já alguns começaram a fazer). Analisar o papel das ciências sociais e humanas em tempo de pandemia. Para nos ajudar a fazer luz, convidamos catorze pesquisadores de quatro continentes e seis países. Todos responderam a duas questões: Qual é o papel das ciências sociais e humanas em tempo de pandemia, COVID-19? E a sua área em concreto?</em></p>
<p style="text-align: justify;">Para nós é demasiado óbvia a relevância destas ciências em todas as épocas. Uma pandemia, tal como esta é um problema transdisciplinar, como indicam vários questionamentos. Se as pessoas falam em solidariedade, em coragem, em bravura, estamos perante questões éticas; quando as pessoas falam em resiliência, stress, angústia, medo do futuro, estamos perante questões psicológicas e antropológicas; quando as pessoas falam sobre a possibilidade de um &#8216;humanicídio universal&#8217; e que tipo de sociedade queremos construir depois desta nuvem cinzenta passar, então, estamos perante um problema filosófico e teológico também; quando as pessoas falam sobre o acentuar das desigualdades, caos nos mercados, do desemprego, a quem priorizar para o acesso ao ventilador, e do confronto entre nações, então, estamos perante quatro problemas de áreas científicas variadas ─ sociológico, económico, bioético e geopolítico ─ e ainda assim, alguém duvida do papel das ciências sociais e humanas nestes tempos? Em adição é preciso lembrar o papel fundamental das ciências da comunicação, das ciências da educação, da ciência política e administração pública, entre outras cujos papéis são demasiado vistosos por estes dias sombrios. Eis então as palavras dos estudiosos:</p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3062" style="width: 961px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_0906.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3062" class="size-full wp-image-3062" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_0906.jpg" alt="" width="951" height="1072" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_0906.jpg 951w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_0906-266x300.jpg 266w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_0906-768x866.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_0906-908x1024.jpg 908w" sizes="(max-width: 951px) 100vw, 951px" /></a><p id="caption-attachment-3062" class="wp-caption-text">Daniel Matsinhe. Professor e Doutorando em Línguas e Literatura pela Universidade de Waterloo, Canadá.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Na minha opinião, o papel das ciências sociais e humanas não sofre mutações nenhumas independentemente do clima social que o mundo atravessa. Seu papel fundamental foi e sempre será de administrar a humanidade o conhecimento de si mesma porque as condições indesejáveis nas quais ela se encontra mergulhada emanam da ignorância do homem. Infelizmente, a luta continua e a vasta maioria ainda não está em medida de compreender, muito menos apreciar, a importância deste ramo académico visto que as atenções do cidadão comum estão constantemente centradas na satisfação incessante das suas necessidades básicas de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">O místico e filósofo canadiano, Manly P Hall, salienta múltiplas vezes na sua publicação “Secret Teachings of all Ages” que a ignorância, a incapacidade de usar a mente humana de maneira construtiva, é a pandemia das pandemias que impedem o desenvolvimento humano. Durante esta pandemia da COVID-19, que é sem dúvidas uma situação indesejável para todos nós, pesa ‘às ciências sociais e humanas a responsabilidade de despertar a consciência humana. Assim, as longas quarentenas, observadas de um ponto de vista optimista, representam para este domínio académico uma oportunidade ímpar de estimular o pensamento crítico da população mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">Curiosamente a minha formação académica é exactamente neste ramo científico especializando-me especificamente na fluência linguística no seu todo. Sou de opinião que o conhecimento aprofundando de uma ou diversas línguas é essencial para uma transmissão correcta e precisa de informação, parcelarmente no período que atravessamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Actualmente a informação sobre a COVID-19 é difundida pelos canais públicos (oficiais), mas também é veiculada por fontes privadas. As massas populares, alvo da informação posta em circulação, estão automaticamente treinadas a ter por verdade a versão proveniente de fontes oficiais, rejeitando categoricamente o ponto de vista das fontes privadas. Este fenómeno infeliz acontece porque, na maior parte das vezes, as fontes privadas não tomam o cuidado necessário de instrumentalizar a língua a seu favor de modo que a informação que apresentam desperte a curiosidade dos receptores. A difusão de informação, seja ela escrita ou verbal, é uma arte que deve ser aperfeiçoada estudando a mecânica da língua».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Daniel Matsinhe. Professor e Doutorando em Línguas e Literatura pela Universidade de Waterloo, Canadá.</strong></p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3059" style="width: 1954px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20200512_140833058.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3059" class="size-full wp-image-3059" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20200512_140833058.jpg" alt="" width="1944" height="2592" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20200512_140833058.jpg 1944w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20200512_140833058-225x300.jpg 225w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20200512_140833058-768x1024.jpg 768w" sizes="(max-width: 1944px) 100vw, 1944px" /></a><p id="caption-attachment-3059" class="wp-caption-text">Profa. Dra. Maria Creusa de Araújo Borges. Professora Associada III do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ, UFPB, Brasil).</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Penso, primeiramente, que a tarefa das Humanidades é problematizar o tempo presente, esclarecer sobre questões problemáticas com base num método rigoroso de análise. Primeira questão que se coloca, então, é que tempo é este? Quais são suas questões problemáticas? Desde a crise de 2007-2008 nos países centrais do capitalismo, assiste-se a um processo de reconfiguração dos pilares fundadores da Modernidade Ocidental. A imagem emblemática que constitui a Modernidade, o contrato social da Modernidade, de que os seres humanos cedem um espaço da sua liberdade em prol de uma sociedade organizada, sem selvageria, e que coloca o Estado como ente organizador das relações sociais, passa a ser desconstruída a partir da crise de 2008 e suas respostas, sobretudo, em termos de respostas do Estado. As decisões para a saída da crise foram resultado de articulações entre o Estado e o Mercado, especificamente do Mercado Financeiro. A ideia de um Estado mínimo não se sustentou, pois o Estado interveio bastante na economia no sentido da recuperação dos bancos e isso num país que levantou a bandeira do Neoliberalismo, como os Estados Unidos da América. Isso demonstra que o Estado Interventor, Estado de Bem-Estar Social ou Estado Providência cumpre uma tarefa fundamental no quadro de sociabilidade capitalista. Entretanto, a resposta para a saída da crise concentrou-se na ajuda ao sistema bancário, deixando os grupos vulneráveis à mercê de sua própria sorte no contexto de crise do capitalismo financeiro. O que está a ocorrer agora constitui o acirramento dessa crise em níveis nunca vistos antes com a pandemia da COVID-19. A pandemia deu visibilidade a desigualdades já existentes, mas que passam a ser notadas de maneira mais forte num quadro de assunção de estratégias de trabalho remoto.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo, nem todas as sociedades estão preparadas para modos de vida remotos, virtuais ou on-line. Logo se percebe que nem todos os trabalhadores são considerados “essenciais” se não tiverem a preparação e a formação adequadas. A chamada “sociedade em rede” exclui muita gente. Nem todas as pessoas estão conectadas virtualmente, existe muita exclusão virtual. “Sociedade do Conhecimento”, “Sociedade da Informação” são termos que não fazem sentido para muitas pessoas. Isso fica mais visível quando se presencia a aglomeração de pessoas em filas bancárias para o recebimento do auxílio emergencial, por não conseguirem aceder a conta por aplicativo. Verifica-se, de pronto, que a sociedade global, em rede é excludente. Mas, parece que não notávamos essa questão como agora em tempos de pandemia.</p>
<p style="text-align: justify;">E a sua área em concreto? Passo, a partir de agora, para as implicações educativas do atual cenário de pandemia. A pandemia tornou visível uma situação problemática no campo da educação. Por ser uma área estritamente vinculada à configuração de uma sociedade da informação e do conhecimento, supunha-se que estaria mais preparada. Mas isso não ocorre. O que está a ocorrer é o acirramento das desigualdades de acesso e de permanência na educação formal escolar em todos os níveis de ensino. A educação a distância exige como pré-requisito a existência do instrumento tecnológico para a efetivação da mediação e interação entre professores-alunos e alunos-alunos. A existência do diálogo não prescinde do recurso tecnológico. Além disso, exige acesso à Internet de boa qualidade. Verifica-se, portanto, que o diálogo, princípio basilar da educação e do ensino-aprendizagem, fica prejudicado. Isso é, apenas, uma dimensão do problema que penso ser duplamente um problema: 1. A deficitária formação de professores em tecnologia e inovação. Os professores não foram preparados a ensinar virtualmente, a usar aplicativos nas suas aulas, a produzir recursos didácticos com aporte tecnológico. O quadro actual exige uma mudança radical nos planos de formação docente. 2. Do ângulo dos alunos, estes não têm espaço de estudo apropriado em casa, falta o acesso à ferramenta tecnológica e a falta do próprio hábito de estudo guiado por si mesmos constituem dificuldades para a efectivação da aprendizagem, um aspecto primordial do direito à educação como um direito fundamental, consistindo no seu núcleo duro. E não é de qualquer aprendizagem que se está a falar, mas de aprendizagem com qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Penso que assistimos a uma grave crise de educação formal. As estratégias governamentais precisam de ser repensadas, dos planos de formação docente à configuração de uma nova escola centrada na inovação e na solução de novos problemas. São, na verdade, lições a ser aprendidas com o actual cenário de pandemia. O retorno ao status quo anterior não será mais possível e o que estamos fazendo para repensar a nova educação, com uma nova concepção de sociedade e de ser humano? É esta uma grande lição que fica. Nesse quadro, as famílias serão cada vez mais chamadas a desempenhar um papel de instrutoras, além de serem educadoras. Terão que, literalmente, instruir, ensinar os seus filhos, tarefas que nem todas as famílias têm condições de realizar. O imperativo constitucional, inscrito no art. 205 da Constituição brasileira, parece agora inverter-se: a educação, direito de todos, de dever do Estado e da família, passa a ser, inevitavelmente, dever da família em primeiro plano. As famílias precisarão ser repensadas no sentido de se habilitarem a educar, mas, sobretudo, a instruir».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Profa. Dra. Maria Creusa de Araújo Borges. Professora Associada III do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ, UFPB, Brasil).</strong></p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3060" style="width: 1005px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG-20200520-WA0000.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3060" class="size-full wp-image-3060" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG-20200520-WA0000.jpg" alt="" width="995" height="1239" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG-20200520-WA0000.jpg 995w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG-20200520-WA0000-241x300.jpg 241w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG-20200520-WA0000-768x956.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG-20200520-WA0000-822x1024.jpg 822w" sizes="(max-width: 995px) 100vw, 995px" /></a><p id="caption-attachment-3060" class="wp-caption-text">Gilberto Teixeira. Professor e Economista. Linhas de pesquisa: Microcrédito e Economia Informal.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Há probabilidades remotas ou mesmo inevitável a ausência das ciências sociais e humanas no combate a pandemia da COVID-19 por uma razão óbvia: afecta a sociedade e a economia.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto a sociedade gostaria primeiro despertar a dimensão ética do confinamento, do portador do vírus e da família do portador. É importante que os tomadores de decisão percebam que as políticas geradas devem ser exaustivamente pensadas e bem elaboradas de formas que não elevem os preconceitos contra o outro, fundamentalmente contra o portador do vírus e a família deste. Quanto ao confinamento, dependendo da região, o poder económico e financeiro é uma arma poderosa nas mãos dos sem ética para discriminarem os pobres que têm dificuldade de cumprir com as medidas de prevenção estipuladas pelas autoridades sanitárias devido às necessidades fisiológicas desenhadas na escala de Masclow (alimentação), ou seja, as medidas de confinamento podem agudizar os espíritos arrogantes dos endinheirados contra os pobres, isso não apenas no âmbito micro (de pessoa para pessoa) mas também na esfera macro (de país para país), nisto vale o objecto de várias ciências socais e humanas para a construção do homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Este panorama micro e macro revela a ponta do icebergue da real falta de solidariedade que pode vir a ser agudizada pela pandemia, desembocando numa neo-exploração e perde-se o foco: o combate à COVID-19. Que a história nos traga a memória da exploração!</p>
<p style="text-align: justify;">Ao falar da importância de outras ciências vale apenas lembrar que os assistentes sociais, os comerciantes, produtores e tantos outros que tornam possível o cumprimento das medidas sanitárias têm demonstrado que a área da saúde não basta para o combate à pandemia, sem nos esquecermos que o estudo sobre o distanciamento social e confinamento feito  em Singapura não pertence às ciências médicas. As estatísticas que despertam as mentes sobre a gravidade do incumprimento das medidas, a informação passada em todos os meios de comunicação sobre a gravidade da doença constituem património das ciências sociais e humanas até a consciência do dever “imposta” pelo conhecimento não científico, o medo do analfabeto de ser contaminado pelas pessoas infectadas de mau carácter (sem tirar o mérito dos bons) pela via da denúncia são de valor importante em tempo da pandemia da COVID-19.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos afirmar que a melhor contribuição destaca-se em dois pontos: a) todas as áreas da ciência devem perceber que de forma isolada não captam tudo de um determinado fenómeno. Pessoalmente não creio que existam fenómenos específicos de uma ciência, mas sim, leituras específicas do fenómeno por uma ciência, isso leva-nos ao segundo ponto b) a contribuição consistente está no trabalho multi-interdisciplinar. Porque o que realmente importa é o bem estar do ser humano, se for  o contrário preferiria não conhecer nenhuma ciência!</p>
<p style="text-align: justify;">Isso leva-nos a uma conclusão comparativa com o futebol. Todos jogam mas o marcador é notável. Todas as ciências participam, mas os hospitais, as drogas doseadas declaram que a medicina é notável».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gilberto Teixeira. Professor e Economista. Linhas de pesquisa: Microcrédito e Economia Informal.</strong></p>
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<div id="attachment_3070" style="width: 722px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/97526937_180315200098065_8012031933275963392_o.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3070" class="size-full wp-image-3070" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/97526937_180315200098065_8012031933275963392_o.jpg" alt="" width="712" height="678" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/97526937_180315200098065_8012031933275963392_o.jpg 712w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/97526937_180315200098065_8012031933275963392_o-300x286.jpg 300w" sizes="(max-width: 712px) 100vw, 712px" /></a><p id="caption-attachment-3070" class="wp-caption-text">José Rafael Nascimento. Docente e consultor. Área Científica: Psicologia Social e Organizacional, Marketing e Gestão de Empresas.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Abateu-se sobre a Humanidade uma pandemia de coronavírus designada por COVID-19. Não é a primeira e, muito provavelmente, não será a última. Como outras, pode ter sido causada por um acidente evolutivo natural ou por acção negligente do Homem, excluindo-se (por demasiado pérfida e estúpida) a hipótese de contaminação deliberada. Ainda que acidental ou imprevidente, a doença infecto-contagiosa espalhou-se rapidamente por este mundo globalizado onde, com todas as diferenças que o passado trouxe até ao presente, somos cada vez mais cidadãos planetários.</p>
<p style="text-align: justify;">Existimos, pois, como um só mundo e uma só raça, sendo todos iguais e todos diferentes numa crise sanitária que é global, mas nada “democrática”. Para o melhor ou para o pior, fomos contaminados e contaminámos de maneiras diferentes, enfrentámos a doença com recursos e comportamentos diferentes, morremos ou sobrevivemos em condições e com sequelas diferentes. Tudo nesta pandemia é eminentemente social – porque o vírus não se propaga sem sociedade – e naturalmente humano, à excepção da desumanidade que comporta o sofrimento próprio ou alheio, associado à dor (física e psíquica) e à morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Resulta óbvio, daqui, o papel inquestionável das ciências sociais e humanas no enquadramento da pandemia, a montante, a jusante e também no epicentro da crise sanitária. Sem desvalorizar o acto médico (também ele social e humano) inerente ao internamento hospitalar da população doente, sobretudo em cuidados intensivos, e os demais actos de bravura de todos os profissionais que estiveram em contacto próximo com o vírus, pode afirmar-se que todas as ciências se mobilizaram e estiveram (e estarão sempre) presentes na ciclópica missão de salvar e proteger a Humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A Academia Britânica, vocacionada para o estudo dos povos, culturas e sociedades, no seu passado, presente e futuro, é disto exemplo. Dividida em seis secções disciplinares – direito, economia, psicologia, sociologia e afins, antropologia e geografia, e ciência política e afins), mantém a fluidez das ciências sociais e humanas, dentro de cada uma e entre elas, chegando também os seus investigadores a publicar nas mais especializadas revistas de ciências físicas e naturais. Na verdade, as abordagens podem e têm de ser diversas, por uma questão de especialização, parcimónia e não-ubiquidade, mas os fenómenos são únicos e sistémicos, carecendo de uma visão entrosada e holística.</p>
<p style="text-align: justify;">As vantagens e benefícios desta multidisciplinaridade integrada são, no meu caso pessoal, um exemplo evidente. Com formação de base em economia e gestão, e pós-graduada em psicologia social e organizacional, as ferramentas epistemológicas que me permitiram acompanhar esta crise pandémica revelaram-se de extrema utilidade, ainda assim insuficientes para capturar todas as perspectivas com que a mesma deve ser analisada e enfrentada. Tratando-se de uma observação particular e “meramente” cidadã, nada mais se poderia exigir ou esperar mas, fosse eu protagonista com responsabilidades institucionais, só o trabalho em equipa polivalente permitiria alcançar o grau de integração que um eficaz combate à pandemia e gestão da crise humanitária indubitavelmente exigem».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>José Rafael Nascimento. Docente e consultor. Área Científica: Psicologia Social e Organizacional, Marketing e Gestão de Empresas. </strong></p>
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<div id="attachment_3056" style="width: 816px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/13029405_1005828069503208_7066501009444224650_o.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3056" class="size-full wp-image-3056" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/13029405_1005828069503208_7066501009444224650_o.jpg" alt="" width="806" height="638" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/13029405_1005828069503208_7066501009444224650_o.jpg 806w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/13029405_1005828069503208_7066501009444224650_o-300x237.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/13029405_1005828069503208_7066501009444224650_o-768x608.jpg 768w" sizes="(max-width: 806px) 100vw, 806px" /></a><p id="caption-attachment-3056" class="wp-caption-text">Maria P. Meneses. Investigadora Coordenadora. Vice-Presidente do Conselho Científico do CES |Universidade de Coimbra.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Qualquer evento crítico que afecte as sociedades humanas, como é o caso da pandemia da COVID-19, é um evento social. A análise de qualquer epidemia – e o continente africano conhece neste momento várias epidemias (HIV-SIDA, Ébola, Lassa, Cólera, Tuberculose) mostra que as soluções que se procuraram aplicar revelam estas ‘doenças’ como fenómenos sociais e políticos. Qualquer epidemia evoca objectivos e ansiedades mais amplas e historicamente situadas, espelho de relações político-económicas, presenças estranhas, conflitos e formas de controlo social. O HIV-SIDA, por exemplo, foi interpretado em Moçambique, no início, também como resultando de intervenções de agências estrangeiras ou governamentais que buscam poder político, etc. Num outro caso, aquando da epidemia de cólera no início deste século, as comunidades reagiram, às vezes com violência face ao alerta da epidemia. Esse medo e desconfiança reflectiam histórias vividas e memórias de desigualdade, conflito e presenças estranhas que permeiam a violência estrutural que marca as nossas sociedades. Todavia, estes problemas normalmente não são tomados em conta nas possíveis respostas à epidemia.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, na academia, por vezes funciona um excesso de ‘departamentalização’, que leva a tomar a parte pelo todo. Por exemplo, afirmou-se que a economia parou. Mas que economia é que parou? As mulheres continuaram a trabalhar em casa, garantindo a continuidade das rotinas; os camponeses continuaram a realizar as suas actividades agrícolas. É um pequeno exemplo que mostra que é importante compreender as causas e impactos da COVID-19 de forma ampla, pois a pandemia e a crise global de saúde que suscitou coloca em questão o tipo de sociedade em que queremos viver. Quais sistemas de saúde? Que estruturas económicas desejamos? Que saberes nos podem ajudar a pensar um mundo socialmente mais justo?</p>
<p style="text-align: justify;">Se analisarmos em detalhe as respostas políticas dos estados africanos à pandemia estas revelam as grandes lacunas existentes entre a produção de conhecimento, a formulação de políticas e as realidades objectivas das várias regiões que compõem o continente. É urgente uma colaboração entre as várias áreas de saber – e já há académicos e intelectuais muito competentes no continente – para produzir conhecimento social e politicamente relevante. Não há absolutamente nenhuma forma de contornar este desafio. Não há retorno ‘ao passado’.</p>
<p style="text-align: justify;">No futuro, importa, por exemplo, procurar ver como reforçar os serviços de saúde pública, porque essa é uma das responsabilidades do Estado. Mas com vários ‘sistemas’ de produção de saúde e de cuidado presentes nos nossos países, precisamos de reforçar a ligação entre ambos. A experiência com a epidemia do Ebola em vários países da África ocidental, ou da cólera em países da África oriental sugere que o controle centralizado pelo Estado da saúde pública nem sempre é eficaz e continua a ser visto com desconfiança. (Re)pensar o Estado, e a sua colaboração com as comunidades é fundamental, em contextos onde, por exemplo, as quarentenas dirigidas pelo Estado têm uma história ligada ao colonialismo, e sua reprodução contemporânea evoca lembranças de práticas repressivas.</p>
<p style="text-align: justify;">Há experiências de colaboração entre o Estado e as comunidades, de que resultam quarentenas lideradas pela comunidade em espaço urbano e rural, integrando várias autoridades e instituições, de chefes de aldeia a líderes jovens e mulheres; estas iniciativas normalmente atendem melhor às necessidades sociais e económicas das pessoas, porque a interacção é feita de forma mais flexível e pragmática. As experiências do Ébola sugerem o valor de apreciar os esforços da comunidade e as diversas relações sociais em que se baseiam. Aqui, é importante trabalhar com os médicos tradicionais, que são consultados por grande parte das pessoas do continente, sobretudo nos espaços rurais, mas não só. As experiências de crises anteriores (Ébola, cólera, etc.) sugerem que os médicos tradicionais têm um papel importante a desempenhar, sobretudo no alerta e no acompanhar da saúde e bem-estar das nossas comunidades, incluindo ser treinados para identificar os sintomas das epidemias, e conhecer as regras de segurança para si e para os que os consultam. É importante ultrapassar a desconfiança que ainda existe, em vários contextos, em relação à biomedicina e aos alertas das pandemias, fomentando a colaboração para o bem das comunidades, das pessoas. Estudar as possíveis formas de colaboração, a partir das experiências existentes, que não se devem desperdiçar, é um desafio importante, por exemplo. Talvez seja altura de repensar a articulação local/comunidade e o nacional. E aqui as ciências socais e das humanidades poderão desempenhar um papel fundamental».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maria P. Meneses. Investigadora Coordenadora. Vice-Presidente do Conselho Científico do CES |Universidade de Coimbra. </strong></p>
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<div id="attachment_3049" style="width: 4305px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20191227_121824-1.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3049" class="size-full wp-image-3049" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20191227_121824-1.jpg" alt="" width="4295" height="3579" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20191227_121824-1.jpg 4295w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20191227_121824-1-300x250.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20191227_121824-1-768x640.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/IMG_20191227_121824-1-1024x853.jpg 1024w" sizes="(max-width: 4295px) 100vw, 4295px" /></a><p id="caption-attachment-3049" class="wp-caption-text">David Morton. Professor assistente de História Africana na Universidade de  British Columbia Vancouver, Canadá.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Sou historiador. Não gosto de prever o que vai acontecer. É fácil dizer, como muitos dizem, que o vírus marca o fim da universidade, o fim da democracia, o fim do mundo como o conhecemos o conhecemos. Não sei. Eu sei que, nas crises do passado, as vidas, as sociedades, e os valores mudaram radicalmente, mas normalmente não como os prognósticos previram, e não permanentemente.</p>
<p style="text-align: justify;">Não preciso de prever nada para observar que, antes do vírus, o ideal democrático foi sempre menos valorizado, que, no mundo que já sabemos, pessoas tiveram uma inclinação para o homem forte na política. No mundo que já conhecemos as disciplinas de história, literatura, filosofia, foram sempre menos valorizadas (incluindo por alunos) por não serem “pragmáticas,” cavando a alma da universidade em nome do mercado. É fenómeno sobre o qual os próprios académicos compartilhem a culpa: por falar só entre eles, numa linguagem esotérica, sempre repetindo teoria cansada e dogmática, sem habilidade para revelar e explicar as complexidades do mundo e da vida humana, e distante da promessa das humanidades. Num mundo que já sabemos, um mundo bem anti-intelectual, o académico teria a responsabilidade de persuadir sobre o valor de uma vida de reflexão.</p>
<p style="text-align: justify;">A pandemia tem fortalecido algumas das piores tendências sociais. As forças contra a imigração nos vários países, já crescente ao longo dos anos, ficam mais convencidas e poderosas. O instinto de construir muros figurativos e físicos, sempre mais altos, entre povos será difícil de suprimir. Para os académicos das ciências sociais, deve ser um momento clarificante, se é que as coisas já não estão suficientemente claras».</p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3054" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/48977695_101.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3054" class="size-full wp-image-3054" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/48977695_101.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/48977695_101.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/48977695_101-300x169.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/48977695_101-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><p id="caption-attachment-3054" class="wp-caption-text">Jean-Michel Mabeko-Tali. Professor Catedrático de História, Howard University, Washington, DC.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Quando se deu o 11 de Setembro de 2001, estava eu em Cape Town, África do Sul, e com o meu filho, assistimos quase que em directo, pela televisão, ao embate da segunda aeronave contra a segunda torre, em Nova Iorque. À pergunta do meu filho em saber o que se seguiria a esse “ataque contra América”, a única e espontânea resposta que se me ocorreu foi que o século XXI acabava de se iniciar verdadeiramente naquele dia, e não antes. Esta ideia tornou-se mais tarde obcecante, e influenciou os meus ensinamentos em seminários doutorais sobre África. Procuro fazer entender o lugar dos Africanos na geopolítica mundial desde os tempos do Egipto faraónico. Sobretudo, porque África consta dos projectos neo-imperiais de nova partilha do mundo pós-11 de Setembro de 2001. Isto obriga o cientista social africano a um inovador alargamento dos campos de compreensão, e portanto de maior multidisciplinaridade científica, desde o estudo da geopolítica mundial, até à economia política das matérias-primas estratégicas, etc. Ora, a pandemia da COVID-19 tem vindo a mostrar a fragilidade das políticas sociais e dos sistemas de saúde até do mundo “desenvolvido”. Temos assistido, com espanto, ao estilhaçamento das solidariedades comunitárias (caso da União Europeia). A geopolítica mundial da saúde entrou em turbilhão, do qual vemos emergir uma China serena e eficiente, uma Cuba impressionante. Madagáscar clama ter encontrado uma comprovada solução curativa, sob a total indiferença do Ocidente. Vozes do “Norte” vaticinaram uma hecatombe em África; o anunciado cataclismo ainda se faz esperar, e motiva debates sobre, por um lado, por que razões, e, por outro, as motivações dos discursos catastrofistas cada vez que se trata dos Africanos, levantando legítimas suspeitas destes, face a projectos de vacinação no continente patrocinados por magnatas ocidentais sem escrúpulos e suspeitos de serem movidos por funestos projectos neomalthusianistas. Pelo que, os cientistas sociais são, cada vez mais, chamados a repensar, à luz da corrente crise pandémica, os paradigmas socioeconómicos que dividiam o mundo em “os-que-podem” e “os-que-não-podem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Como historiador do político, noto mais uma vez que as teorias das dinâmicas das relações internacionais precisam de ser revisitadas, à luz das lutas hegemónicas que se despoletaram à volta da nova pandemia. Pelo que, eis-me de novo de regresso à escola, procurando desde já ter um melhor</p>
<p style="text-align: justify;">entendimento das causas e dos efeitos da implosão de alguns dos pilares dos paradigmas “desenvolvimentistas” nos Países do “Norte”, destroçados por um invisível inimigo chamado “COVID-19”. E o tipo de humanidade que daí emergirá».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jean-Michel Mabeko-Tali. Professor Catedrático de História, Howard University, Washington, DC.</strong></p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3055" style="width: 959px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/78278647_10157020134155679_2290181410968829952_o.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3055" class="size-full wp-image-3055" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/78278647_10157020134155679_2290181410968829952_o.jpg" alt="" width="949" height="594" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/78278647_10157020134155679_2290181410968829952_o.jpg 949w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/78278647_10157020134155679_2290181410968829952_o-300x188.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/78278647_10157020134155679_2290181410968829952_o-768x481.jpg 768w" sizes="(max-width: 949px) 100vw, 949px" /></a><p id="caption-attachment-3055" class="wp-caption-text">Inês Amaral. Professora Associada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Área Científica: Ciências da Comunicação.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«As Ciências Sociais e Humanas são frequentemente ignoradas nos discursos políticos e científicos. No entanto, as várias disciplinas das Ciências Sociais e Humanas são imprescindíveis para a compreensão do mundo. Para enfrentar esta pandemia, precisamos mais do que nunca das Ciências Sociais e Humanas. Perante um vírus que não tem fronteiras, as desigualdades sociais acentuaram-se, as diferentes formas de violência agravaram-se, as formas de produção alteraram-se, os comportamentos sociais modificaram-se. As transformações sociais, a acentuação da vulnerabilidade de vários grupos sociais, as ameaças de totalitarismo, o impacto das alterações no acesso à saúde e educação, as mudanças no mundo do trabalho, a manipulação e a desinformação são realidades que já enfrentamos. Compreender e enfrentar a pandemia,  implica trazer as Ciências Sociais e Humanas para o combate.</p>
<p style="text-align: justify;">Os tempos que vivemos são complexos e de incerteza. O medo é o principal inimigo das populações porque as torna vulneráveis ao populismo, à manipulação e à desinformação. Cabe às Ciências da Comunicação, disciplina das Ciências Sociais e Humanas, estudar para informar acções, programas e iniciativas legislativas que garantam a literacia mediática dos cidadãos, regulem os media e apoiem os meios de comunicação que tão afectados estão a ser com a pandemia. E se os media têm a obrigação de informar factualmente o público, as redes sociais têm sido o palco da desinformação através da manipulação de algoritmos. No actual ecossistema mediático, assumidamente híbrido, as tecnologias estão automatizadas e alteram as dietas informativas contribuindo para a disseminação de notícias falsas, a propagação de opinião como informação, e a necessidade de um imediatismo que causa danos à sociedade porquanto prevê e não informa. Uma sociedade só é democrática se os seus cidadãos e as suas cidadãs forem bem informados para que possam fazer as suas escolhas».</p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3048" style="width: 1034px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/18982625_101.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3048" class="size-full wp-image-3048" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/18982625_101.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/18982625_101.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/18982625_101-300x169.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/18982625_101-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></a><p id="caption-attachment-3048" class="wp-caption-text">Rui Verde. Professor na Universidade de Oxford. Área científica: Direito.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Qual é o papel das ciências sociais e humanas em tempo de pandemia, COVID-19? Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, as ciências sociais e humanas têm um papel fundamental em tempo de pandemia COVID-19, uma vez que os aspectos científicos desta ainda são bastante desconhecidos. Por isso, a maior parte das decisões, embora cobertas de uma semântica de linguagem das ciências exactas, têm sido políticas. A política e não a ciência, tem estado no centro do combate à pandemia e das medidas tomadas. É importante perceber que os modelos seguidos, como por exemplo, do Imperial College, que levou ao encerramento de vários países, têm na sua construção premissas sociais e não qualquer teste médico ou exacto.</p>
<p style="text-align: justify;">E a sua área em concreto? A área do Direito é muito relevante nesta época que é fundamentalmente um tempo de não-Direito. Embora, na maioria dos países, a declaração de Estado de Emergência/Alerta etc seja algo previsto nas Constituições, a verdade é que por força da generalidade e abstracção das normas, rapidamente, se entra no domínio do arbitrário e da interpretação subjectiva das autoridades concretas que implementam esses Estados excepcionais. E sendo assim facilmente se vê o Direito a fugir da vida social. Este fenómeno ainda é mais visível nas ditas fases de desconfinamento para as quais não existe, habitualmente, regulação jurídica. Há que velozmente fazer voltar a situação para a égide do Direito e abandonar o não-Direito».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rui Verde. Professor na Universidade de Oxford. Área científica: Direito. </strong></p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3050" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/71825240_2767086229970201_7462007314564775936_o.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3050" class="size-full wp-image-3050" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/71825240_2767086229970201_7462007314564775936_o.jpg" alt="" width="960" height="540" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/71825240_2767086229970201_7462007314564775936_o.jpg 960w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/71825240_2767086229970201_7462007314564775936_o-300x169.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/71825240_2767086229970201_7462007314564775936_o-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></a><p id="caption-attachment-3050" class="wp-caption-text">Sara Cura. Professora. Área científica: Arqueologia.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Desde sempre, e mais ainda nestes tempos, que os nossos medos vêm do escuro, a humanidade não teme o que vê, mas o que não vê. O medo é perigoso e muitas vezes degenera em maior perigo ainda. Em nome dele e sem questionar por causa dele, aceita-se o cerceamento de liberdades, direitos e garantias que neste evento pandémico, com uma globalização sem precedentes, leva à aceleração da erosão  da democracia que já estava em curso antes do paciente zero em Whuan. A projecção externa do medo no outro, logo recrudescimento do racismo e da xenofobia, cresce de mãos dadas com a proliferação das notícias falsas nas redes sociais. Bem se vê o fundamental papel de uma imprensa rigorosa e transparente e livre. Esta pandemia acontece num momento em que já víamos a queda do protagonismo de organizações como a ONU, que não por acaso assumiu liderança após o último evento traumático que assolou o mundo, a Segunda Guerra Mundial.  Esta tendência enfraquece o multilateralismo e favorece  emergência de nacionalismos  e autoritarismos que são absolutamente contrários à forma de ultrapassar uma crise sanitária, social e económica global.</p>
<p style="text-align: justify;">Nestes tempos, a hermenêutica das ciências humanas tem de se transpor para o quotidiano para reforçar a capacidade de decisão e acção, sustentada na reflexão crítica. Disso depende a liberdade em última instância e, no limite, a sobrevivência. Não é por acaso que é em países em declínio democrático, como o EUA ou o Brasil, que assistimos a fenómenos infantilizados de negação, fomentados pela aviltante ideia de que a economia é prioritária à vida. É tempo de repensar a política, porventura tempo de ler ou reler os magníficos escritos de Hannah Arendt.</p>
<p style="text-align: justify;">A pandemia escancara as portas da desigualdade e da pobreza, e é também responsabilidade das humanidades trazer à discussão alargada a ética das relações em sociedade, bem como de alteridade de forma a olhar o outro como pessoa e não como estranho do qual o sofrimento nos é alheio. Vale a pena revisitar Espinosa e a sua Ética. E porque não Focault e a sua Biopolítica.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma ameaça real à vida apura a nossa consciência da mortalidade, precisamente aquela que nos faz procurar um sentido, sentido com duplo significado, como acepção e como direcção, e para isto não há roteiro, nem manual. A vida de cada um e cada uma constrói-se em permanência, mas a reflexão crítica das humanidades é neste contexto determinante para ampliar o entendimento e a própria consciência de cada um sobre a sua própria vida, de modo a que esta não caia na banalidade, futilidade e superficialidade da nossa existência consumista, características da modernidade líquida segundo o sociólogo Zigmunt Bauman.</p>
<p style="text-align: justify;">Reflectindo sobre o passado é notório que três factores fazem acelerar a história: Guerras, revoluções e epidemias. Na maior parte das vezes acelerando processos que já estavam em curso. Sabemos que o processo de domesticação dos animais trouxe uma convivência próxima que implicou o surgimento de novas doenças. Sabemos que a introdução de animais, nomeadamente de carga, na América do Sul foi responsável por incontáveis mortes numa população que não tinha defesas para novas doenças. Sabemos do perigo olhando para a nossa história, e mesmo assim, a nossa relação de dominação da natureza progride aniquilando habitats naturais e aumentando a nossa exposição a contágios por animais. Olhar os processos de mudança drástica no passado é fundamental para fortalecer a capacidade de adaptação e superação de um presente assustador, bem como para encontrar caminhos de futuro. A história mostra-nos que, apesar da catástrofe humana, depois de um período de recolhimento e morte há uma grande explosão de vida. É o caso do Renascimento após os sombrios anos da Peste Negra. Que mudanças vai acelerar esta pandemia? Progressão dos regimes autoritários e isolacionistas? Progressão ainda mais descontrolada da economia extrativista que ameaça o planeta e a humanidade? Ou a mudança de comportamento para uma maior cooperação, menos agressão ambiental, maior igualdade. A história não faz futurologia, mas ajuda a escolher caminhos, ajuda a decidir».</p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_2724" style="width: 1698px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/12/montagem.png"><img aria-describedby="caption-attachment-2724" class="size-full wp-image-2724" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/12/montagem.png" alt="" width="1688" height="1020" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/12/montagem.png 1688w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/12/montagem-300x181.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/12/montagem-768x464.png 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/12/montagem-1024x619.png 1024w" sizes="(max-width: 1688px) 100vw, 1688px" /></a><p id="caption-attachment-2724" class="wp-caption-text">David Matsinhe. Lecciona no Departamento de Estudos Africanos da Universidade de Carleton, Canadá. Área científica: Sociologia, Ética e Direitos Humanos.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«O papel das ciências sociais continua sempre fundamental, ainda mais durante as crises globais. A perspectiva da ciência social – isto é, descobrir o geral no particular e o particular no geral – é de primordial importância na elaboração de sentidos sobre esta pandemia. Padecer de uma doença não pode ser um mero problema médico ou biológico, tal como a injecção química a um homem até à morte não pode ser reduzida a um problema químico. Daí que, enquanto os profissionais de saúde se batem na linha da frente da pandemia, os cientistas sociais têm a tarefa de realizar o diagnóstico da sociedade em crise, para compreender a emergência, a dinâmica e o impacto da doença em diversas camadas sociais. Há que bater-se com a sociedade como vida em conjunto, como redes de indivíduos interdependentes com dinâmicas de poder assimétricas em mudança.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta “feroz urgência do presente” leva os cientistas sociais a comprometerem-se firmemente com a tarefa e a promessa da sua profissão, a aguçarem a sua imaginação sociológica compreendendo a biografia e a história e as relações entre os dois processos na sociedade. C. Wright Mills argumentou, com razão, que “nenhum estudo social que não volte aos problemas da biografia, da história e das suas intersecções dentro de uma sociedade completou o seu percurso intelectual”. O cientista social deve orientar-se nesta perspectiva na análise das dinâmicas e contornos da COVID-19.</p>
<p style="text-align: justify;">Com esta orientação, os cientistas sociais tem a responsabilidade de analisar os fundamentos que mantêm sociedades integras para expor as condições de possibilidade para a emergência e propagação do vírus bem como as condições estruturais responsáveis pelo impacto diferenciado da doença. Sem deixar pedras intactas, há que perfurar as superfícies políticas, sociais e culturais para expor o intrincado rizoma originário. A analogia do icebergue no alto mar é uma ilustração adequada – a parte visível na superfície da água é uma milésima da parte invisível debaixo da água. Assim é a dinâmica social da COVID-19.</p>
<p style="text-align: justify;">Algumas das questões, entre muitas outras, que os cientistas sociais estão mais bem posicionadas a investigar incluem: De que modo a estratificação social por género, raça, classe e geografia, por exemplo, influencia a propagação e o impacto da COVID-19? Quais são as implicações dos estados de emergência no contexto da feminização da pobreza? Como explicar o facto de os negros e os hispânicos nos Estados Unidos e no Reino Unido, por exemplo, serem muitas vezes mais propensos a morrer da COVID-19 do que outros grupos? Como se explica que as fábricas de processamento de alimentos sejam incubadoras de COVID-19? De que maneiras o capitalismo e a economia neoliberal influenciam a dinâmica da COVID-19? Porque é que os estados africanos carecem de infraestruturas de saúde e de sistemas de protecção social para gerir o vírus? Quem mais beneficia e quem mais sofre com a COVID-19? Que factores sociais, culturais, políticos estão na origem e propagação da COVID-19? O cientista social não para por aí, pois tem ainda de perguntar, o que devemos fazer a respeito?»</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David Matsinhe. Lecciona no Departamento de Estudos Africanos da Universidade de Carleton, Canadá.  Área científica: Sociologia, Ética e Direitos Humanos. </strong></p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3052" style="width: 490px" class="wp-caption alignright"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99136403_1776937142449558_528656168571109376_n.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3052" class="size-full wp-image-3052" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99136403_1776937142449558_528656168571109376_n.jpg" alt="" width="480" height="480" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99136403_1776937142449558_528656168571109376_n.jpg 480w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99136403_1776937142449558_528656168571109376_n-150x150.jpg 150w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99136403_1776937142449558_528656168571109376_n-300x300.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99136403_1776937142449558_528656168571109376_n-75x75.jpg 75w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/99136403_1776937142449558_528656168571109376_n-36x36.jpg 36w" sizes="(max-width: 480px) 100vw, 480px" /></a><p id="caption-attachment-3052" class="wp-caption-text">Tirso Sitoe. Professor e Coordenador de pesquisa da Bloco4 Foundation. Área científica: Antropologia do Político.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Existe um debate dentro das ciências sociais e humanas assim como das ciências biomédicas, face ao novo cenário que a COVID-19 nos apresenta, ao expor as nossas fragilidades em lidar com o próprio vírus, enquanto infectados, mas também enquanto afectados em situações de aparente “normalidade”. Esse debate tem-se centrado no processo de “cura” que antagoniza o sul e norte global sobre a sua primazia e antes disso, que procedimentos (se entramos ou não em Estado de Emergência, se seguimos ou não em Lockdown), devemos tomar num contexto de incertezas e de riscos enquanto membros de uma sociedade para que nos sintamos seguros. Na verdade, este debate tem traduzido também, a ideia da necessidade de “arriscar” pela vida em variadas dimensões e ao mesmo tempo, coloca a estrutura dos Estados menos ou mais desenvolvidos na “balança”, se pensarmos possivelmente, a partir dos índices de desenvolvimento humano, todos postulados a partir do norte global, mas por outro lado, como o sul global, tem aqui a chave ou uma chance genuína, para um possível retorno, ou se colocar, num lugar de eu “ não anónimo”, fazendo-se usar de suas epistemologias locais e afirmar com grande insistência a sua concepção de mundo, considerada como fonte de visões ilusórias e incoerentes para a luta contra a COVID-19. Aqui se coloca possivelmente, o caminho para pensar no papel das ciências sociais e humanas face às ciências biomédicas ou farmacológicas, para sublinhar a tentativa de teorizar sobre o social, quando se quer pôr em destaque a primazia da “cura”, por conseguinte a “ridicularizarão”  num contexto de antagonismo entre o sul e norte global, mas acima de tudo o debate que emerge a nível micro».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tirso Sitoe. Professor e Coordenador de pesquisa da Bloco4 Foundation. Área científica: Antropologia do Político. </strong></p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3053" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/76898928_10212809562914348_2000020236564168704_o.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3053" class="size-full wp-image-3053" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/76898928_10212809562914348_2000020236564168704_o.jpg" alt="" width="960" height="893" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/76898928_10212809562914348_2000020236564168704_o.jpg 960w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/76898928_10212809562914348_2000020236564168704_o-300x279.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/76898928_10212809562914348_2000020236564168704_o-768x714.jpg 768w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></a><p id="caption-attachment-3053" class="wp-caption-text">Edgar Barroso. Pesquisador em Estudos Africanos. Área Científica: Relações Internacionais.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«Acredito que a pandemia da COVID-19 é mais uma oportunidade que os cientistas sociais têm para, relembrando o célebre texto de Max Weber – “A Ciência como uma Vocação” (1917) – renovarem o seu compromisso social para com o serviço publico em tempos de crise. Sobretudo sobre o significado e valor das ciências sociais necessariamente aplicados às realidades que estudam e às sociedades em que se encontram inseridos. Com efeito, vivemos tempos conturbados hoje em dia, com as crises das democracias liberais e o regresso ou emergência de nacionalismos, populismos e ditaduras eleitorais, lado a lado com a disfunção de uma ciência ao serviço de agendas políticas estranhas aos seus mais elementares valores de integridade, imparcialidade e autonomia intelectual. Certamente que haverá um mundo antes e um outro depois da pandemia da COVID-19, sendo as ciências sociais chamadas a prestar um serviço informado e especializado ao seu público, de uma forma mais democrática, acessível e descomprometida da autoridade política.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo se deve exigir para a minha área de especialização – relações internacionais. A pandemia da COVID-19 tem forçado os Estados um pouco pelo mundo todo a adoptar por tempo indeterminado um fenómeno político não necessariamente novo, mas com manifestação invariavelmente incomum a nível global – o Estado de Emergência. A suspensão da ordem legal ou (parcialmente) constitucional em vários países, mesmo que temporária, tem aberto diversas interpretações sobre as limitações que impõe ao Estado de Direito mesmo que numa situação de prossecução do bem público (contenção do coronavírus). Por outro lado, tem-se dito que os contornos catastróficos da pandemia são uma evidência flagrante do fracasso generalizado das instituições de governação globais – como a ONU e a OMS – no combate ou mitigação de crises globais. Nessa perspectiva, as relações internacionais – como disciplina académica e como mecanismo de interacção e de acção concertada entre os Estados e as nações do mundo – também se encontram em cheque, repartindo também responsabilidades especiais na reestruturação e na arquitectura do mundo pós-COVID-19».</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Edgar Barroso. Pesquisador em Estudos Africanos. Área Científica: Relações Internacionais. </strong></p>
<p style="text-align: center;">****</p>
<div id="attachment_3068" style="width: 881px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/137850123631891.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-3068" class="size-full wp-image-3068" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/137850123631891.jpg" alt="" width="871" height="983" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/137850123631891.jpg 871w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/137850123631891-266x300.jpg 266w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/137850123631891-768x867.jpg 768w" sizes="(max-width: 871px) 100vw, 871px" /></a><p id="caption-attachment-3068" class="wp-caption-text">Lutiniko landu Miguel Pedro. Doutor em Teologia. Professor na Universidade Católica de Angola.</p></div>
<p style="text-align: justify;">«As contradições entre os especialistas em ciências médicas, quanto à origem e remédios para a cura da pandemia, provam que há necessidade de múltiplas intervenções, considerando as  consequências que esta levou à humanidade: a deficiência de cuidado sanitário, a queda económica, social e psicológica, estes desafios esperam soluções de todos especialistas, e de todas áreas do saber.</p>
<p style="text-align: justify;">A teologia, sendo uma das ciências sociais e humanas, tem uma grande influência na sociedade com a sua estrutura social e divina: a Igreja sustenta com a palavra de Deus uma grande parte da  população mundial, a sua grande contribuição e oferta a esta pandemia, é o amor ao próximo e palavras que sustentam o doente, e também aquele que está com fome e falta de água (caso de alguns bairros de Luanda).</p>
<p style="text-align: justify;">Olhando às medidas preventivas contra à propagação da pandemia, entre as quais o confinamento como foco principal, incluindo o uso obrigatório de máscaras, resultando no surgimento de problemas na sociedade, os mais carentes estão sendo vitimizados por detenções, e outros sendo mortos pela frustração de agentes da ordem, merecendo uma atenção particular dos psicólogos e dos assistentes sociais e ao lado a ética,  como cuidado pastoral.</p>
<p style="text-align: justify;">O acompanhamento pastoral e a palavra do amor de Deus, concederá uma terapia divina que a igreja oferece. A assistência social das igrejas às famílias mais carentes na sensibilização do povo, são uma contribuição valiosa das instituições ligadas às ciências sociais e humanas. A maioria dos Estados e das nações reconhecem a contribuição da Igreja, como estrutura da sociedade civil(1)  que em certos Estados, é a  &#8220;verdadeira sede do poder&#8221;(2).  Hoje as igrejas, em Angola (Católica e Protestantes) estão a planear a recolha e distribuição de bens para assistirem as famílias carentes.</p>
<p style="text-align: justify;">A COVID-19 está deixando marcas que a medicina pode não resolver mas as ciências sociais e humanas até económica podem lutar. Assim sendo, é necessário reflectir sobre o pós-COVID-19, do mundo que teremos ou queremos. A Europa vive tensões, vários protestos e manifestações(3), e como será a situação de Angola pós-COVID-19?»</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lutiniko Landu Miguel Pedro. Doutor em Teologia. Professor na Universidade Católica de Angola. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Notas</p>
<p style="text-align: justify;">(1)        O caso do apartheid na África do Sul.  Foi desmantelado, também  com as acções das igrejas local e apoio do conselho mundial das igrejas. Cfr. Lutiniko 2008, tese de Doutoramento.</p>
<p style="text-align: justify;">(2)        Fernandes José António. Introdução à Ciência Política.</p>
<p style="text-align: justify;">(3)        Euronews. Global Weekend.</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
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        Angola está abaixo da média no acesso à Internet  </a>

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    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
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    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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    <a  title="Julgamento de Rafael Marques de Morais a 15 de Dezembro" href="https://observatoriodaimprensa.net/julgamento-de-rafael-marques-de-morais-15-de-dezembro-2/">

      <img width="364" height="245" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-364x245.jpg" class="attachment-nb1-thumb size-nb1-thumb wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-364x245.jpg 364w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-266x179.jpg 266w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-347x233.jpg 347w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/Rafael-foto-81x55.jpg 81w" sizes="(max-width: 364px) 100vw, 364px" />

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  <a class="title post_title"  title="Julgamento de Rafael Marques de Morais a 15 de Dezembro" href="https://observatoriodaimprensa.net/julgamento-de-rafael-marques-de-morais-15-de-dezembro-2/">
        Julgamento de Rafael Marques de Morais a 15 de Dezembro  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    O juiz Adriano Cerveira Baptista, do Tribunal Provincial de Luanda, presidirá, a partir de 15 de Dezembro, ao julgamento de Rafael Marques de Morais. O réu é acusado de denúncia <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/julgamento-de-rafael-marques-de-morais-15-de-dezembro-2/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>E-CARTA AO MANO MAIS VELHO</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2020 09:59:08 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="201" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-300x201.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-300x201.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-768x516.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-1024x687.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-364x245.jpg 364w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-359x240.jpg 359w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-546x365.jpg 546w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-266x179.jpg 266w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-347x233.jpg 347w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-765x510.jpg 765w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144.jpg 1591w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Xénia de Carvalho│Carta que se preza começa nos bons dias e essas todas cortesias que se lhe seguem. Mas dei de escrever ao compasso de Alanis e do “That I would be good, even if I did nothing”. Essa música fez jazz’ar meu contar, não entendia seguir caminho por essas estradas improvisadas. Lá tem minha ...</p>
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<p style="text-align: justify;">Essa música fez jazz’ar meu contar, não entendia seguir caminho por essas estradas improvisadas. Lá tem minha casa e meu estar, meu ser está sempre colado em mim, não tem como escapar. Mesmo. Quem disser o contrário, papá, está mentindo. Vou de improviso então, com esse som de companhia.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu mundo é esse espaço que fica entre a passada barriguda e o cheiro das árvores em flor. Caminho na direcção do hospital central, vou de ouvido nessa melodia, cantarolando – mal, que tenho voz grave como tromba de elefante. Caminho para lá, para essa consulta da grávida, que vai dizer quantos meses mais faltam para o bebé nascer. Caminho no som e com o sorriso das árvores.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música é minha casa, onde retorno e me reinvento quando o tempo dos homens é pesado de aceitar. Nessa minha casa estou lá eu e todos os que me definem.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse mundo cão pa! Cão porque fiel, volta sempre onde deve. Um desses dias pediram que fosse de dar consultoria, explicar lá aos americanos o que dizem as mulheres que perderam filhos. Era isso e o engajamento masculino na maternidade e criação dos filhos, que como sabemos é de duvidosa existência. Fazer filhos, isso os gajos fazem, mas dar de criar, ser assistente da mulher, epa! aí a coisa já não procede. Sei, sei, estava na avenida a caminhar no sorriso das árvores.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música me jazz’a o pensamento…. Deixa lá, mano mais velho, vou de reorganizar. Os americanos vêm primeiro, sim, não esqueci que eles são os doadores e tudo sabem, e têm todos laptops topo gama com conexão ao satélite hiper-topo-e-tudo. Depois eu derrapo no finalzinho da história e uno as pontas com o hospital central. Vale?</p>
<p style="text-align: justify;">Fui de consultora, especialista mano mais velho, nota lá isso, e-s-p-e-c-i-a-l-i-s-t-a de saúde social. Porra. É de boss, não?! Bom, fui de ouvir as mulheres a contarem como e por que perderam os filhos, não deram parto, correu mal, deixou sequelas depois e por aí fora. Os americanos pediram a história, mas já davam o guião e o tempo que cada uma das mulheres tinha para contar o evento 1, evento 2 e evento 3. Se contarem assim organizadas, depois já se consegue entender, né? E isso facilita a tarefa, brother, sai já codificado e é só pôr lá no inglês, que gringo manda no mundo e o mundo é em inglês.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música deu de terminar, mas a net diz que dá para repetir, até ao infinito e enquanto a bateria se aguentar. Vou de repetir, se não como escrevo de casa??</p>
<p style="text-align: justify;">As mulheres contaram, dentro do prazo pré-determinado lá pelos gringos, mas havia lá perguntas que não dava para entender. Quanto tempo a mamã levou de casa até à unidade sanitária? Levantei de manhã e assim depois de ir na machamba, já tinha ido na água, assim lá meio da tarde, acho que tarde, ou na noite, não lembro, fui dar parto. Mamã, mamã, os gringos querem saber a que hora a mamã foi dar parto. Pois, a hora é essa mesma, depois de ir buscar água, ir na machamba, fiquei cansada, fui dar parto lá na noite. Mamã, os gringos isso não entendem, é tempo desse, vês esses ponteiros? É desse tempo que tens de falar. Epa, esse não conheço… Mamã, o evento 1 foi à tarde ou à noite? Lembra lá, mamã. Era tarde noite…? Mas não estavam a pedir para contar como perdi filho? Sim, mamã, mas ainda não, esse é evento 2. Ah…</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música continua aí, por detrás dessa carta que te escrevo, mano mais velho, “That I would be good even if I lost sanity”…</p>
<p style="text-align: justify;">Foi no ouvir das histórias que ouvi a minha. Não, mano mais velho, não tive criança. Perdi assim, como essas mulheres também. Contam depois o que tiveram, e eu encontro-me lá, tendo o mesmo, sem perceber bem o que era mesmo. E vê lá, mano, eu até doutoramento fui de fazer, e em inglês. Não serve, não explica. Brother, isso da saúde social é como a saúde mental, varia conforme as medições.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música me empurra para lá, oiço o som das flores dessas árvores que enfeitam lá o hospital central…</p>
<p style="text-align: justify;">Essas mamãs vêm até mim. Suas histórias, quem as ouve? Alguém aí nesse mundo dos que tudo sabem parou? Alguém escutou mesmo? É que me explicaram que o tempo para escutar as mulheres era suficiente, e eu de achar que não tem tempo não, que essa história de perder filho não tem compasso, é ao ritmo de quem conta. Sei, mano mais velho, tenho de me adaptar, de aceitar que o mundo manda como devemos fazer. E que devemos ficar todos em processo de aceitação. Epa, mano mais velho, mas essa música, “That I would be good if I got and stayed sick”, essa música me leva no sentido contrário. E-te-foste mas e-te-aqui. Lembro de ti, sempre. E das vozes dessas mulheres, que também são a minha. E-tempo de parar e escutar. Vamos fazer diferente desta vez, e-mano mais velho? Dá aí um empurrão, agita os búzios, dá porrada cá em baixo com o trovão, agita as águas e eu cá estou, e-por enquanto, mas e-free.</p>
<p style="text-align: justify;">Um abraço, mano.</p>
<p style="text-align: justify;">25 de abril de 2020.</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
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  <a class="title post_title"  title="A Lei de Imprensa" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/">
        A Lei de Imprensa  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    A Lei de Imprensa é um diploma que visa estabelecer os princípios gerais que devem enquadrar a actividade da comunicação social, na perspectiva de permitir a regulação das formas de <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/"> Leia mais</a>  </p>
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              <div class="item">
            <div class="thumb post_thumb">
    <a  title="Angola está abaixo da média no acesso à Internet" href="https://observatoriodaimprensa.net/angola-esta-abaixo-da-media-no-acesso-a-internet/">

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  <a class="title post_title"  title="Angola está abaixo da média no acesso à Internet" href="https://observatoriodaimprensa.net/angola-esta-abaixo-da-media-no-acesso-a-internet/">
        Angola está abaixo da média no acesso à Internet  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
        </div>
              <div class="item">
            <div class="thumb post_thumb">
    <a  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">

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  <a class="title post_title"  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">
        Como fazer uma revolução?  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>Liberdade de imprensa: ética, política e cidadania</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2020 11:17:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="200" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-300x200.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-300x200.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-768x513.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-1024x684.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-359x240.jpg 359w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-546x365.jpg 546w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-347x233.jpg 347w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-765x510.jpg 765w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125.jpg 1468w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>O direito de se expressar não isenta o carácter ético e moral que devem ser observados no momento em que os indivíduos manifestam as suas opiniões… Muata Sebastião│Reflectir sobre à liberdade de imprensa, significa olhar para uma das maiores conquistas da democracia moderna, facto que torna fácil a compreensão do papel que a imprensa exerce ...</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/liberdade-de-imprensa-etica-politica-e-cidadania/">Liberdade de imprensa: ética, política e cidadania</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="200" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-300x200.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-300x200.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-768x513.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-1024x684.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-359x240.jpg 359w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-546x365.jpg 546w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-347x233.jpg 347w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125-765x510.jpg 765w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/IMG_20200421_203125.jpg 1468w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>O direito de se expressar não isenta o carácter ético e moral que devem ser observados no momento em que os indivíduos manifestam as suas opiniões… </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Muata Sebastião</strong>│Reflectir sobre à liberdade de imprensa, significa olhar para uma das maiores conquistas da democracia moderna, facto que torna fácil a compreensão do papel que a imprensa exerce no campo político, social, económico religioso, etc., incutindo nos indivíduos uma consciência, uma cultura e uma forma de agir e pensar.</p>
<p style="text-align: justify;">A imprensa ou a difusão da imprensa ocorre apenas em meados do século XV e, carregado de um valor social, possibilitou o surgimento de novos cenários de comunicação, fazendo com que os indivíduos assumissem cada vez mais o papel de produtores da midia, com maior destaque num contexto em que é inevitável a “invasão tecnológica” iniciada a partir do século XIX com o surgimento de meios, tais como: a fotografia (1814), o telefone (1877), o cinema (1895), o rádio (1909), além da televisão e outros meios que, ao longo dos anos, têm se incorporado na estrutura das sociedades.</p>
<p style="text-align: justify;">Falar de imprensa ou liberdade de imprensa significa também olhar para uma questão fundamental, a chamada “gestão de informação”, não enquanto controlo, mas enquanto vontade natural que os indivíduos possuem para se comunicarem entre si, tornando pública esta vontade.</p>
<p style="text-align: justify;">Por esta via, a UNESCO entende que “a informação é um bem público e social”, exercido através de qualquer forma de expressão e que ninguém deve ver-se no direito de proibir que alguém exprima esta vontade, que é também um direito, tal como nota o artigo 19º da DUDH [Declaração Universal dos Direitos Humanos], segundo o qual, “todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, este direito implica a liberdade de manter as suas próprias opiniões sem interferência e de procurar, receber e difundir informações e ideias por qualquer meio de expressão independentemente das fronteiras”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em virtude do que nos apraz reflectir, é nosso entendimento que a garantia da liberdade de imprensa só é possível quando existe o direito à informação, essa que é essencialmente o resultado da diferença entre objectividade jornalística e o acesso que as pessoas têm à verdade factual.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois, compreender essa diferença é importante uma vez que, sendo a notícia resultado de recortes, reconstruções dos factos, o que não significa dizer que elas (as notícias), não sejam confiáveis, este processo permite garantir certa qualidade na informação que é veiculada, até porque a notícia exerce forte influência na forma como os cidadãos opinam. Em outras palavras, a qualidade da opinião está directamente relacionada à qualidade da informação que o cidadão recebe.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18px;"><strong>“(…) a notícia exerce forte influência na forma como os cidadãos opinam”</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Por isso, é e sempre será fundamental a necessidade da não manipulação e /ou distorção da imprensa de modo a salvaguardar a formação da opinião do público e a sua capacidade de julgamento, pois que isso favorece a construção e/ou o aprimoramento do estado democrático e de direito, na medida em que a imprensa joga um papel crucial, auxiliando no processo de reestruturação da esfera pública, que além de se encarregar da publicação de notícias, assume também a função de conduzir a formação da opinião pública que de acordo com Habermas (1984, p. 87), “somente isso permitirá diferenciar opinião pública da propaganda”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Angola, a liberdade de imprensa tem sido quase sempre condicionada a um jogo de interesses económicos, privilegiando apenas as elites que, na sua maioria, são os donos dos grandes meios de comunicação social do país que, fazendo valer seu poder aquisitivo usam-na para silenciar vozes, possibilitando em alguns casos a alienação.</p>
<p style="text-align: justify;">Como sabemos, restringir a circulação e difusão de ideias é um direito retirado às pessoas, não apenas nos regimes considerados totalitários, embora nestes ocorra com maior frequência, mas com muita pena ocorre também nos regimes considerados democráticos que, em nome da democracia, algumas lideranças, muitas destas em África, tornaram a liberdade no apanágio do grupo dominante e por via deste criam grupos de pessoas que vão, como dizia Foucault, “fazendo a racionalização da gestão do indivíduo” tornando a imprensa num “instrumento marginal”.</p>
<p style="text-align: justify;">No passado recente, fazendo uma releitura do que foi Angola nos últimos 38 anos, assistimos, não poucas vezes, indivíduos que foram marginalizados por exercerem o direito de opinar, marginalidade praticada pela imprensa, que não poucas vezes, foi optando pelo «jornalismo» do pré-julgamento (com acusações sem provas e sem que os factos fossem apurados de forma responsável e que acabavam dando a impressão de notícia encomendada).</p>
<p style="text-align: justify;">Durante esses anos, a liberdade de Imprensa era vista como “uma ameaça ao regime” que, agindo além do que a CRA [Constituição da República de Angola] diz, no artigo nº 40, via-se o regime no “direito” de determinar <span style="color: #333399;"><strong>quem, onde, como e quando</strong> </span>alguém pode falar, uma medida que justificou, na época, a intensidade das repressões, prisões e controlo de posições contrárias.</p>
<div id="attachment_2962" style="width: 2570px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1.jpeg"><img aria-describedby="caption-attachment-2962" class="wp-image-2962 size-full" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1.jpeg" alt="" width="2560" height="1707" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1.jpeg 2560w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-300x200.jpeg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-768x512.jpeg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-1024x683.jpeg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-274x183.jpeg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-80x54.jpeg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-130x87.jpeg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-359x240.jpeg 359w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-85x57.jpeg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-546x365.jpeg 546w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-165x109.jpeg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-112x75.jpeg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-179x120.jpeg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-170x113.jpeg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-81x55.jpeg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/tolu-bamwo-nappy-1-765x510.jpeg 765w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><p id="caption-attachment-2962" class="wp-caption-text">foto/rmc</p></div>
<p style="text-align: justify;">Fazendo uma pequena digressão, podemos mais uma vez lembrar Habermas (2003a., p. 4) que, na sua abordagem sobre a tolerância religiosa, dá-nos alguns subsídios que entendemos serem valiosos para a nossa reflexão. O autor em questão ao tratar sobre a tolerância religiosa admite a necessidade da existência de um acordo normativo, de um reconhecimento recíproco dos cidadãos como livres e iguais para que se possa garantir a dimensão da divergência de opiniões, ou seja, somente quando “vemos” o outro é que podemos dele discordar, sendo então um requisito imprescindível de uma sociedade multicultural, onde os indivíduos possuem divergentes auto-compreensões cognitivas, a atribuição recíproca de direitos.</p>
<p style="text-align: justify;"> O direito de comunicar, entendido como liberdade de opinião e de expressão e enquanto um direito humano, deve ser ampliado para além de um direito aos “donos” das grandes midias e/ou empresas de comunicação social. Este direito corresponde ao exercício da cidadania, sendo justo que seja estendido a todos os cidadãos e suas organizações representativas.</p>
<p style="text-align: justify;">Havendo liberdade de imprensa, as pessoas devem sentir-se no direito de expressarem e discutir ideias, políticas com o objectivo de trazer soluções que possam resultar na mudança do quadro e/ou paradigmas, limitando o abuso de poder. Mas, tudo depende da maneira como a imprensa se posiciona, além da qualidade da informação que ela passa.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, Arendt (1987, p. 79), defende a existência de uma ampla liberdade de expressão que, no seu entender, só é possível no mundo “visível” &#8211; no reino dos fenómenos, no espaço impessoal, que somos capazes de saber quem somos.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse indivíduo, dono do seu espaço, participa enquanto cidadão, produto e produtor da realidade social por meio da fala ou através de outras formas de comunicação, é um agente activo da<em> pólis </em>enquanto Estado, uma experiência que, segundo Aristóteles não é possível aos animais e muito menos a Deus. Daí é que, enquanto cidadão, directa ou indirectamente, o homem é também objecto da política. Por isso mesmo, é uma utopia pensar que existe “uma oposição entre o cidadão e a política”. Sendo o homem um animal político, segundo o Estagirita [Aristóteles], é no exercício da sua liberdade política que se constrói como tal, perspectiva ontológica, segundo o qual a dimensão política seria responsável pela essência humana, sendo então um dever a virtude cívica.</p>
<p style="text-align: justify;">Em regimes autoritários, em que a imprensa é feita refém, é impossível compreender isso pois esses regimes usam a censura de informações veiculada na imprensa, censuram opiniões de pessoas singulares e /ou colectivas, vigiam locais de reuniões, de produção de ideias, infiltram-se nas associações de várias ordens, com maior destaque, nos partidos políticos e outros locais e formas que as pessoas encontram para expressarem suas opiniões.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a nossa realidade, embora a censura da imprensa não tenha algum fundamento legal, como acontece em outros contextos, infelizmente ainda nos deparámos com este tipo de comportamento, contrário ao que estabelece o artigo nº40 da CRA e a Lei 01/17 (lei que estabelece os princípios gerais orientadores da comunicação social e regula as formas de exercício da liberdade de imprensa).</p>
<p style="text-align: justify;">Não poucas vezes vivenciamos situações de censura, sobretudo das actividades políticas de partidos na oposição, da Sociedade Civil, a não divulgação dos comunicados e /ou das posições políticas de certos grupos, facto que retarda em grande medida a nossa democracia que há muito não sai do estado embrionário.</p>
<p style="text-align: justify;">Deparamo-nos ainda com a forma brutal como a Imprensa muda, sobretudo, quando se intensificam situações emergentes ou não, que obrigam as pessoas a se manifestar. Isso acontece porque a imprensa tem privilegiado o direito à livre expressão e o acesso à informação às elites e a um grupo reduzido de pessoas ligadas ao sistema. As elites, porque é deles, como já havíamos dito, o controlo dos meios de comunicação.</p>
<div id="attachment_2963" style="width: 970px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-2963" class="wp-image-2963 size-full" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442.jpg" alt="" width="960" height="640" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442.jpg 960w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-300x200.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-768x512.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-359x240.jpg 359w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-546x365.jpg 546w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/1082442-765x510.jpg 765w" sizes="(max-width: 960px) 100vw, 960px" /></a><p id="caption-attachment-2963" class="wp-caption-text">foto/ jornal &#8220;Público&#8221;</p></div>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, em pleno século XXI ainda vemos gente com dificuldades no acesso à informação, isto porque a liberdade de imprensa continua sendo difícil a uma grande parcela da população. Além do pouco incentivo à leitura da parte dos angolanos, é notório também o reduzido número de leitores regulares de revistas, jornais, sobretudo os jornais diários, uma realidade que em parte desmascara a crise no acesso à informação, facto que se agudiza com a pouca expansão dos jornais públicos diários e do mau sinal da Televisão Pública de Angola, demonstrando algum descompasso com o ritmo do crescimento demográfico.</p>
<p style="text-align: justify;">É deste entendimento que, para nós, a globalização, por um lado, contribuiu para aumentar o potencial de universalização dos meios de comunicação, por outro, resultam as desigualdades de usufruto de suas benesses. Facto que, para o nosso entendimento, está longe de ser uma realidade, sobretudo, com os outros condicionamentos e burocracias institucionais que se impõem para a criação e/ou legalização de novas cadeias de comunicação, sobretudo as comunitárias.</p>
<p style="text-align: justify;">É certo que a imprensa joga um papel para a compreensão de questões fundamentais da nossa vida social. E dentro desta compreensão existe elementos cuja relação não pode ser deixada de lado, é a questão da relação entre a ética, a política e a cidadania. Esta relação é fundamental na medida em que nos ajuda a compreender o posicionamento da imprensa e o papel dos indivíduos enquanto agentes da cidadania activa. Pois que “não há cidadania sem civismo”, até porque a cidadania como tal pressupõe a civilidade que permite temperar a expressão brutal das paixões entre indivíduos cujos interesses se opõem.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, compreender o comportamento da imprensa é importante e também o é compreendermos o papel dos indivíduos (enquanto animais políticos), sobretudo, num momento, salvo haja algum impedimento, em que o país se prepara para o desafio autárquico, um desafio que acreditamos ser importante para a mudança do paradigma político, social e económico de Angola.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se de uma relação inegável pois que por meio dela é possível a congregação de mais meios que possibilitam o alargamento de possibilidades, que eventualmente irão favorecer que os políticos e agentes sociais (sociedade civil) se manifestem, fazendo uso dos recursos à disposição, tanto dos meios públicos quanto privados.</p>
<p style="text-align: justify;">O direito de se expressar não isenta o carácter ético e moral que devem ser observados no momento em que os indivíduos manifestam as suas opiniões, fazendo uso dos recursos à disposição, de modo que ao se expressarem não causem medo a quem os ouve, não façam calúnias, não pratiquem injúrias ou manifestem comportamentos que minam a convivência entre às pessoas inibindo-as de serem elas mesmas.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta óptica, está também a obrigação do governo preservar os direitos e/ou garantir segurança aos que se manifestam na Rádio, TV, Internet e em outros meios, protegendo-os de possíveis perigos, o que significa dizer que não pode ser o governo o primeiro a criar situações de perigo e vulnerabilidade aos fazedores de opinião.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim sendo, reflectir sobre a liberdade de imprensa implica darmos respostas a algumas questões fundamentais, tais como:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Como temos garantido os direitos às pessoas para que se possam sentir elas mesmas?</li>
<li>O que temos feito para que as nossas ideologias não interfiram no direito que cada um tem de exprimir suas ideias?</li>
<li>Como cada um tem lutado para que ninguém possa sentir-se ameaçado em meio a tanta violência?</li>
<li>Como vemos a imprensa ─ como meio de promoção ou alienação social?</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Respondendo estas questões: podemos sim construir uma sociedade emancipada, que só é possível a partir de um fundamento racional que ao contribuir para a construção deste tipo de sociedade proporciona condições de realização ao ser humano moderno.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, meus amigos e minhas amigas, juventude está em nós, o poder e a força para garantir a nossa cidadania e nos sentirmos apenas nós. Pois ser cidadão significa também ter direitos civis respeitados, participar do exercício do poder, usufruir de um modo de vida digno, ter acesso ao conhecimento e poder comunicar-se através dos meios tecnológicos que a humanidade desenvolveu ao serviço de todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo depende de nós!</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
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  <a class="title post_title"  title="Angola está abaixo da média no acesso à Internet" href="https://observatoriodaimprensa.net/angola-esta-abaixo-da-media-no-acesso-a-internet/">
        Angola está abaixo da média no acesso à Internet  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
        </div>
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    <a  title="Breve abordagem sobre a  “esfera pública”" href="https://observatoriodaimprensa.net/breve-abordagem-sobre-esfera-publica/">

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  <a class="title post_title"  title="Breve abordagem sobre a  “esfera pública”" href="https://observatoriodaimprensa.net/breve-abordagem-sobre-esfera-publica/">
        Breve abordagem sobre a  “esfera pública”  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Por Rui Seamba ||  A democracia é um bem imensurável. Democracia pressupõe abertura, informação, formação, publicação, cidadania e outros elementos nos quais um cidadão deve se sentir, verdadeiramente um cidadão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/breve-abordagem-sobre-esfera-publica/"> Leia mais</a>  </p>
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    <a  title="A Liberdade de uso da Internet desce em Angola" href="https://observatoriodaimprensa.net/liberdade-de-uso-da-internet-desce-em-angola/">

      <img width="364" height="245" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-364x245.jpg" class="attachment-nb1-thumb size-nb1-thumb wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-364x245.jpg 364w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-266x179.jpg 266w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-347x233.jpg 347w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2014/12/OI-internet-81x55.jpg 81w" sizes="(max-width: 364px) 100vw, 364px" />

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        A Liberdade de uso da Internet desce em Angola  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
     [PT/rmc]Redacção OI || A liberdade de utilização da internet no mundo continua a cair e Angola não é excepção, diz relatório da Freedom House. A liberdade <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/liberdade-de-uso-da-internet-desce-em-angola/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>COVID-19 EM ANGOLA: LEITURAS RURAIS ARREVESADAS</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/covid-19-em-angola-leituras-rurais-arrevesadas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Apr 2020 14:31:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Jacinto Wacussanga]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="169" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6-300x169.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6-300x169.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6-768x432.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6-1024x576.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6.jpg 1920w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Se realmente o país tivesse (…) democracia (…) mais concretamente no que toca à liberdade de informação, aqui o trabalho das rádios comunitárias seria crucial. Jacinto Pio Wacussanga*│A presente reflexão tem que ver com as informações sobre o Covid-19, sobretudo no que toca às questões de prevenção e gestão de resiliências no seio das comunidades ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="169" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6-300x169.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6-300x169.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6-768x432.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6-1024x576.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/naom_5e62a387919a6.jpg 1920w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Se realmente o país tivesse (…) democracia (…) mais concretamente no que toca à liberdade de informação, aqui o trabalho das rádios comunitárias seria crucial.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Jacinto Pio Wacussanga*</strong>│A presente reflexão tem que ver com as informações sobre o Covid-19, sobretudo no que toca às questões de prevenção e gestão de resiliências no seio das comunidades rurais em Angola.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde que começaram a chegar as informações ao interior sobre o Covid-19 (o novo coronavírus), somos bombardeados por tantas questões por parte de líderes comunitários, mulheres, jovens, que já perdi a conta de quantas vezes fiquei sem saber o que responder. E o ambiente nacional e global não ajuda para trazer informação credível (com excepção da TPA e da TV Zimbo, bem como da Rádio Nacional).</p>
<p style="text-align: justify;">O vírus alastra como fogo em palha. E, com ele, como em qualquer onda de crise e de desnorte, impostores e oportunistas, escudados por detrás de falsas máscaras institucionais ou pessoais, aproveitam a ocasião para espalharem a expansão da escuridade e dos desejos suprimidos do seu ego imaturo, fazendo-se passar por especialistas e conhecedores do problema. A título de exemplo, levei a mão à cabeça, durante o culto de intercessão para a protecção contra o Covid-19, realizado sob os auspícios do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA) no domingo passado, quando um dos líderes de uma das Igrejas, aproveitando-se da sobriedade do momento, e quando muitas almas estavam coladas aos ecrãs, disse, sem pejo e sem pestanejar, que jejuou durante uma semana e, a seguir, Deus revelou-lhe directamente as causas do coronavírus, sendo uma delas a descrença e as maldades pecaminosas da humanidade. Por isso, devemos converter-nos antes que seja tarde! Olhei para aquele sujeito que se diz pastor, mas sem escrúpulos, e tive de conter uma explosão de raiva e de protesto! Tal implica pensar que os inocentes e culpados são todos alhos e bugalhos, quando o problema do Covid-19 nada tem que ver com um Deus zangado e que se aproveita para eliminar os culpados! Na verdade, <strong>o Covid-19 democratizou e equalizou as relações humanas, no sentido de que ninguém é centro de ninguém. Nem China, nem Roma, nem Estados Unidos são mais o centro do mundo. E, oxalá daí surja, qual ave fénix, das cinzas da catástrofe, um mundo de relações mais igualitárias.  </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mas se, nas urbes, o bombardeio das redes sociais quase arrasta as boas mentes para a confusão e insânia, <strong>no interior de Angola, faltam desesperadamente informações em quantidade e qualidade para as comunidades rurais se poderem orientar. E, com a falta de informação, aumenta imenso a ansiedade, o desnorte e a desarticulação comunitária.</strong> A propósito do medo e da ansiedade geral, um catequista que encontrei ao acaso pela cidade, no domingo da Páscoa, dia 12 de Abril, olhando com algum pavor para a vastidão dos bairros pobres do Lubango e de suas casinhas pegadas umas às outras, corredores apertados, água saponácea das fossas escorrendo verde e viscosa, olhou para mim e disse:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>«Padre, se Deus não estiver connosco desta vez, já imaginou essa nuvem negra da pandemia alastrar-se por esses bairros pobres? Algures no Nambambe, Lalula, Kamazingu e Komboni? É fogo na palha!» Estremeci de pavor e só consegui abanar a cabeça afastando essa lúgubre probabilidade e, depois de abastecer a viatura, afastei-me pensativo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Salvaguardo aqui a grande labuta dos técnicos de saúde, dos voluntários, do pessoal das administrações municipais e comunais que não pregam o olho para acompanhar de perto a luta pela prevenção do contágio do Covid-19 mesmo em face de extrema exiguidade de meios. Sei que as administrações locais, além de articular com os chamados CACS (Conselhos de Auscultação e Concertação Social), têm igualmente passado a informação aos líderes tradicionais para estes a transmitirem às comunidades.</p>
<div id="attachment_2953" style="width: 4298px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-2953" class="wp-image-2953 size-full" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754.jpg" alt="" width="4288" height="2848" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754.jpg 4288w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-300x199.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-768x510.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-1024x680.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/gettyimages-975466754-81x55.jpg 81w" sizes="(max-width: 4288px) 100vw, 4288px" /></a><p id="caption-attachment-2953" class="wp-caption-text">O interior do país não registou qualquer caso&#8230;</p></div>
<p style="text-align: justify;">Mas, na prática, <strong>de acordo com a minha experiência de ruralista, a informação em Angola ainda não é democrática e democratizada, e tal vai levar muito tempo e trabalho, ou seja, quanto mais se democratiza um país, mais se liberaliza a informação, e isto poderia fazer a diferença entre vida e morte no conhecimento de ocorrências cruciais.</strong> Senão, vejamos como se estrutura o fluxo de informações até que as mesmas cheguem (e como chegam) aos destinatários das comunidades rurais:</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o Governo Central exara ou toma uma medida de carácter nacional e que vai afectar igualmente o interesse nacional, esta informação chega aos Governos Provinciais, que a transmitem às Administrações Municipais. Se a informação diz respeito às comunidades (registos notariais, assuntos eleitorais, planos de desenvolvimento, epidemias, endemias), o administrador municipal convoca o CACS, que recebe a referida informação. É distribuída uma agenda previamente elaborada aos membros do CACS e, para o referido encontro, participam quase todos os directores municipais dos serviços administrativos, os representantes dos partidos políticos com assento parlamentar, os representantes das Igrejas reconhecidas, os representantes dos sobas e autoridades tradicionais, e todos recebem as respectivas informações. Na maior parte das vezes, as informações transmitidas <em>top-down</em> são recebidas com simples assentimento e, terminada a reunião, cada um volta para os seus afazeres e a vida continua. Mas o fluxo contrário não é igualmente interactivo. Somente pode ser de natureza informativa. Por exemplo, havendo alguma calamidade comunitária como a peste bovina, que é recorrente por essas paragens e que é de interesse do município, por exemplo, os líderes tradicionais marcam audiência com o administrador comunal ou municipal, e este faz chegar o assunto aos respectivos departamentos provinciais para a respectiva solução. Mas em caso de informações sensíveis que podem pôr em causa a imagem do partido no poder (corrupção de lideranças, falta de capacidade de prestação de serviços, negligência governativa, etc.), o administrador trata essa informação com extrema cautela antes de a encaminhar para níveis hierárquicos superiores. Vezes há em que acaba por engavetar a referida informação para salvaguardar a sua longevidade política, não tendo, as comunidades, canais alternativos para levarem as reclamações adiante.</p>
<p style="text-align: justify;">Desta feita, sobram os poucos que têm aparelhos de rádio e, no caso do Covid-19, conseguem acompanhar a tragédia do que está a ocorrer, por via principalmente do programa da Rádio Ngola Yetu, que tenta distribuir a informação nas línguas das maiorias étnicas de Angola (etnias que se impuseram quantitativa e qualitativamente, incluindo o <em>ibinda</em>). Os que assim escutam o desenrolar do problema passam, em encontros fortuitos entre vizinhos e conhecidos, a informação. Outra fonte são os parentes a viver em grandes urbes, onde, colhendo informações, as passam rapidamente às suas famílias por meio de telefonemas, tirando proveito mormente do saldo grátis que vai da meia-noite às cinco da manhã, o chamado saldo dos pobres. Os jovens que possuem telemóveis com Internet conseguem, à sua maneira, partilhar alguma informação nos seus círculos estreitos, mas à mistura de <em>fake news</em>, que vêm em maior quantidade do que as reais informações sobre o problema.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se deve desconsiderar ainda a outra fonte de informação, que são as Igrejas. Existem pastores e ajudantes de pastores a passarem uma mensagem clara (apesar de os ajuntamentos terem sido proibidos, há sempre meios de comunicar com os fiéis em círculos restritos) de que o Covid-19 é uma punição divina por causa de muitos pecados, entre estes o adultério, a fornicação, o homossexualismo, a falta de fé em Deus e que representa o cúmulo da imoralidade, sendo que Deus vai já terminar com este mundo imundo e repleto de pecados.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o real conhecimento do que é o novo coronavírus, suas causas, manifestações, cuidados imediatos e todo o rol de cuidados a ter, como por exemplo, a cultura das distâncias sociais, o não apertar a mão, não beijar e abraçar, os sistemas de alerta rápido em caso de suspeitos, a articulação entre as comunidades e as instituições que tratam do caso, isto é outra história.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando concretamente do Covid-19, todo o pacote de informações disponíveis foi praticamente um fato costurado à medida e às necessidades das grandes cidades, sobretudo à medida de Luanda. Mas vê-se claramente que temos duas Angolas: uma do perímetro urbano e outra do interior. E isto deixa-nos, a nós que vivemos no interior, cada vez mais confusos. Se as pessoas estão confusas, se têm visões desencontradas sobre o que é o novo coronavírus, o que elas interpretam, que visão hermenêutica elas mesmas oferecem sobre a ameaça global e que cuidados as mesmas tomam em relação à dita ameaça? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro, o coronavírus, enquanto pandemia, é traduzida em <em>nyaneka</em>, <em>oshiwambo</em> e nalgumas línguas herero (<em>lukuvale</em>, <em>luhakavona</em> e <em>luvimba</em>) como sendo <em>mukihi </em>ou <em>mukifi </em>(epidemia bovina caracterizada por tosse e que mata anualmente milhares de bovinos no Sul de Angola). Alguns falantes de <em>nyaneka</em> a traduzem por <em>epuma</em>, uma espécie de gripe que se manifesta em forma de febre alta, tosse, dificuldades respiratórias, mas que se trata com chás caseiros e com suadores. Os que falam <em>umbundu </em>traduziram a palavra como sendo <em>efengi</em>, que literalmente significa pandemia. Muitos comparam o Covid-19 à peste suína (<em>ondivula</em>, em <em>umbundu</em>) ou à peste dos galináceos (<em>otyinkhya</em>, em <em>nyaneka</em>, ou <em>otchikupuka</em>, em <em>umbundu</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">As informações desencontradas não têm que ver somente com a rapidez com que o mal se espalhou, e tal demandou dos governantes e do pessoal de saúde atenção redobrada, mas, sobretudo, com a falta de estratégia em lidar com o perímetro rural.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Convém ressalvar que o folheto da Comissão Intersectorial para o Covid-19, impresso por ocasião da expansão da pandemia, está em português, mas até agora não tivemos acesso a material traduzido em línguas locais (pode ser que já haja traduções oficiais).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em função dessa ignorância da ameaça, tenho estado a acompanhar várias atitudes verdadeiramente deploráveis, de que a população não poderia ser a culpada. A primeira é a do pânico. Há pessoas que pensam que a tal epidemia até se espalha ao longo do asfalto e o mero facto de pisar nele pode ser motivo de contágio.</p>
<p style="text-align: justify;">Outras acham que é uma doença que pertence aos brancos, pois aquilo aconteceu lá longe. Basta evitar contactos com os brancos, especialmente os chineses (aqui chinês é todo o asiático com olhos rasgados, podendo ser vietnamita, coreano, japonês, nepalês, etc.) e todos cujo tom da tez é clara, sobretudo os que vivem nas fazendas. Tal evitará contagiar-se com a nova epidemia.</p>
<p style="text-align: justify;">A terceira, é preciso conservar a distância social, sim, mas para os que vivem fora da nossa aldeia. Se os residentes se juntam entre si, procurando proteger-se dos que vivem fora das aldeias, entre eles levam a vida de convívio e interacção normal, pois o inimigo não é da aldeia, mas é importado, como que pertencesse a ADN de estranhos e estrangeiros. E assim, vivemos hábitos de aproximação e aconchego normais, como abraços, ajuntamentos em festas e óbitos, e até fazer <em>kulipindila</em>, onde o mesmo vaso ou caneca de bebida caseira passa de boca em boca, porque a doença pertence aos de longe, mas a nós não nos afecta.</p>
<p style="text-align: justify;">Na semana passada, fui a um funeral de um dos nossos líderes da Paróquia de Santo António. Parti para lá cheio de regras e práticas deduzidas das orientações do Governo e da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), respectivamente sobre o que fazer em celebrações comunitárias e funerais em tempo do Covid-19. Na prática, eu deveria simplesmente saudar de longe os presentes e a seguir partir para o cemitério para abençoar o túmulo. Ao chegar ao local, uma vez que o único carro disponível era o da Missão, as pessoas nem perguntaram, pois assim a prática o tem ditado. Depois da oração em casa, pegaram na urna, enfiaram-na no carro e foram seleccionadas as pessoas que deveriam fazer companhia à urna, especialmente tias carpideiras e arautos do defunto, tendo a missão de anunciar e implorar aos antepassados enterrados naquele cemitério da vinda do novo membro. Mas tudo isto não aconteceu sem antes ter de saudar os presentes e os idosos e idosas me envolverem em abraços e beijos, pois eu era o pastor que devia estar ali para consolar a pobre viúva e a família.<a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/x87593471_FILE-PHOTO-A-woman-wears-a-mask-and-gloves-as-a-measure-to-combat-the-spread-of-coronav.jpg.pagespeed.ic_.G2W9gmd9kO.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-2952" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/x87593471_FILE-PHOTO-A-woman-wears-a-mask-and-gloves-as-a-measure-to-combat-the-spread-of-coronav.jpg.pagespeed.ic_.G2W9gmd9kO.jpg" alt="" width="1086" height="652" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/x87593471_FILE-PHOTO-A-woman-wears-a-mask-and-gloves-as-a-measure-to-combat-the-spread-of-coronav.jpg.pagespeed.ic_.G2W9gmd9kO.jpg 1086w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/x87593471_FILE-PHOTO-A-woman-wears-a-mask-and-gloves-as-a-measure-to-combat-the-spread-of-coronav.jpg.pagespeed.ic_.G2W9gmd9kO-300x180.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/x87593471_FILE-PHOTO-A-woman-wears-a-mask-and-gloves-as-a-measure-to-combat-the-spread-of-coronav.jpg.pagespeed.ic_.G2W9gmd9kO-768x461.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/x87593471_FILE-PHOTO-A-woman-wears-a-mask-and-gloves-as-a-measure-to-combat-the-spread-of-coronav.jpg.pagespeed.ic_.G2W9gmd9kO-1024x615.jpg 1024w" sizes="(max-width: 1086px) 100vw, 1086px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A maior parte das famílias, quanto mais se embrenha para o interior, não tem nem sequer sabão azul para se lavar. Casos de sarna ainda não estão totalmente debelados. E, portanto, com excepção de famílias ao pé do asfalto, as restantes nunca ouviram falar de sistemas de prevenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, para acrescentar insulto à injúria, nem sequer aqui onde estou, na sede da Missão e aonde se prometeu uma escola, as pessoas (quer as crianças matriculadas, quer os encarregados de educação) ouviram falar de aulas radiodifundidas ou televisionadas, quando em todo o Sector da Kaila, com excepção dos fazendeiros que vivem noutra órbitra planetária, num universo com mais de 2500 famílias, só deve haver eventualmente quatro a cinco televisores, incluindo o nosso da sede da Missão, mas que só ligamos à noite para poupar o gerador e os dois painéis solares.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, a falta de informação produz medos e pânico de dimensão monstruosa. Por exemplo, há rumores a circularem nas aldeias de que as polícias não podem ver as pessoas a circular no asfalto. Quem for para as vias principais vai ser recebido à porretada pela polícia. Mesmo a expressão repetida à exaustão – «Fique em casa!» – soa desadequada à realidade rural. Algumas famílias têm as suas lavras a dois, três, cinco, dez quilómetros de casa, e abundam as aves que comem sofregamente o grão do sorgo ou do painço, ou ainda o javali, o porco selvagem e outros animais que compartilham das culturas. Se as pessoas não saírem para as lavras, morrerão à fome! Como articular essa necessidade? Sem deixar de ver o caso dos pastores que diariamente olham para o gado de todo o tipo, as mulheres que buscam água a quase dez quilómetros! Como enquadrar a estrita ordem de ficar em casa? Seria viável se a informação fosse democrática.</p>
<p style="text-align: justify;">A tudo isso, acresce a dificuldade de as pessoas obterem os bens de primeira necessidade. Tem sido badalada a ideia de o Governo, através do sistema de assistência social, doar a cada família vulnerável a quantia <strong>de 8 mil kwanzas. Isto é autêntico despesismo comparado com as necessidades das pessoas.</strong> O programa de assistência alimentar às populações do Sul e Leste de Angola foi um autêntico fiasco, que passará à história como uma das épocas mais negras da gestão do partido no poder e do Governo sustentado pelo respectivo partido.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto às tentativas de se furtar das medidas restritivas do estado de emergência, assiste-se, no interior, a coisas tragicómicas. Por exemplo, há pessoas que estiveram encurraladas em Luanda ou no Cuanza Sul e que foram fazendo seu caminho até à Huila ou mesmo Cunene, viajando através de táxis de trajecto curto, com apoio de taxistas informais, especialmente dos mototaxistas, vulgo <em>kupapatas. </em>Como iludem a vigilância dos centros de tiragem colocados ao longo das estradas? Se vêm de carro, descem antes do respectivo controlo sanitário, fazendo o veículo passar vazio e só com o motorista. Depois de os referidos passageiros darem a volta, tornam a subir para a viatura ou para a motorizada e a viagem continua normalmente. Chegados à família, não há procedimentos claros ao nível das comunidades, e, salvo raras excepções, não há rigorosa vigilância comunitária que preste informações pontuais às autoridades locais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto aos que gostam de tomar a sua cerveja ou outra bebida alcoólica, existem informações de que os mesmos se encerram em tascas e tabernas (vulgo lanchonetes) para que os polícias em serviço os não encontrem. Mas há casos em que a polícia se dá conta de gente encerrada nesses espaços e, porque é difícil suprimir entusiasmos dionisíacos, infelizmente, ao saírem, inebriados pelo deus do vinho, são recebidos à porretada.</p>
<p style="text-align: justify;">E, para medidas de prevenção, os professores e enfermeiros, ou pelo menos os que têm alguma possibilidade, estão ao comprar bastante limão para fazerem chá ou chuparem, bem como folhas de eucalipto, cidreira, folhas de <em>vutyetye </em>(um produto hortícola muito apreciado na comunidade ngangela) e de tudo o que são chás caseiros para se prevenirem todos do novo coronavírus.</p>
<div id="attachment_2954" style="width: 730px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/90772161_1359946530857169_5150078852088725504_n.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-2954" class="wp-image-2954 size-full" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/90772161_1359946530857169_5150078852088725504_n.jpg" alt="" width="720" height="960" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/90772161_1359946530857169_5150078852088725504_n.jpg 720w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/90772161_1359946530857169_5150078852088725504_n-225x300.jpg 225w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></a><p id="caption-attachment-2954" class="wp-caption-text">foto/ Sousa Jamba</p></div>
<p style="text-align: justify;">A isto se acresce a pobreza em termos de capacidade de resposta e articulação do nosso sistema de saúde, que, <strong>na verdade, há muito está muito mal</strong>. <strong>Passei há dias por um desses centros de triagem (a que erroneamente alguns chamam de centros de testagem) e, qual foi minha surpresa, eu que nem febres tinha, o termómetro tinha atingido o pico de 38 graus centígrados. O líder da equipa técnica pediu que eu ficasse na sombra. De 38, o termómetro passou para 34 graus em três/quatro minutos.   </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Se realmente o país tivesse a sua democracia bastante avançada, mais concretamente no que toca à liberdade de informação, aqui o trabalho das rádios comunitárias seria crucial.</strong> As pessoas no raio de seu alcance poderiam articular mensagens, poderiam ser convidados os responsáveis de saúde para prestarem entrevistas sobre o fenómeno, a responderem a perguntas dos radiouvintes, a passarem informações, actualizando o avanço da pandemia e os esforços em curso no mundo e no país; tal como as aldeias possuem verdadeiros talentos escondidos, jovens com criatividade poderiam criar radionovelas, os cantores de músicas locais poderiam inventar canções com conteúdos de aconselhamento e orientação comunitária. Enfim, teria surgido aqui uma verdadeira abordagem do fenómeno, baseada nos parâmetros culturais do povo local, e muita gente teria sido poupada de tanto pânico e tanta ignorância sobre o Covid-19. Infelizmente, até há pouco, o uso da informação estava manietado como ferramenta de poder e de domínio político do poder em Angola. Se se pensasse no país e nos ganhos, as respostas seriam autênticas oportunidades de salvação para milhares de pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a informação fluísse, uma das pressões que as comunidades poderiam exercer é a de que fossem instituídos o mais cedo possível os testes comunitários. Primeiro, apesar da pobreza e da falta de divisas, não se pode admitir que o país tenha somente cinco mil testes. E uma comunidade informada teria uma participação mais activa e interactiva, não se relegando ao papel de mera e passiva expectadora.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal ainda é agravado por alguns dos agentes do MININT que são colocados nos postos de controlo, que muitas vezes interpretam de forma exagerada as ordens, ou ainda, acrescem, ao Decreto Presidencial e às suas normas daí emanadas, as suas próprias ordens. Há imensa ambiguidade nos controlos da polícia. Enquanto uns deixam passar as pessoas e carros para que cheguem às praças para as compras, outros simplesmente mandam regressar à procedência sem apelo nem agravo. Há relatos (o artigo do meu amigo Marcos Mavungo relata isto de forma extensiva) de muitos espancamentos levados a cabo por forças policiais contra cidadãos inocentes. Onde terá o cidadão, ainda mais do interior como eu, possibilidades de reclamar junto do Comando Provincial da Polícia Nacional sobre eventuais abusos contra si?</p>
<p style="text-align: justify;">Até alcançarmos esse sonho de uma democracia plena com respeito ao direito à informação, Deus tem de ser realmente africano para nos fazer escapar da tragédia, porque, a depender somente dos homens, não sinto suficiente segurança nas medidas tomadas no terreno.</p>
<p style="text-align: justify;">*<em>Padre e activista. A partir da Missão de Santo António dos Gambos – Tyihepepe, ao 16 de Abril de 2020.</em></p>
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