[:pt]OS EXCLUIDOS E MARGINALIZADOS EM ANGOLA[:]

[:pt]OS EXCLUIDOS E MARGINALIZADOS EM ANGOLA[:]

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Crisóstomo Ngala ǀ Já não é segredo que nos quase 50 anos, o governo-MPLA apenas produziu pobres e empobrecidos em uma velocidade inaudita. O tragicómico disso é o fato de esse Movimento Político ser tão maleável a ponto de inverter a lógica das coisas e fazer com que os excluídos e marginalizados em Angola se culpem pela situação de pobreza absoluta (miséria) que se encontram. Consequência disso é o fato de a população manter-se na miséria resignada e nem sequer tem consciência dela. Basta lembrar o fato de muitos terem considerado normal a afirmação de João Lourenço, de que a fome é relativa.

Os miseráveis em Angola não sabem que o são, e muito menos de que são os condenados da terra. E mesmo assim ainda têm coragem de alimentar um sistema político que os leva a admirar os ricos e a desprezar os pobres. Prova disso é o orgulho que muitos sentem em fazer selfies com pessoas brancas, e estrelas do mundo da música, do desporto, da moda, do cinema etc., a ponto de alguns chegarem a fazer recepções apoteóticas e calorosas a estrangeiros europeus e brasileiros, compartilharem suas postagens e stories, mas desdenharem e até hostilizarem negros iguais, estrangeiros do Congo ou do Mali, a ponto de os chamarem em tom de xenofobia de langas e mamadus.

A culpa é unicamente do MPLA, que em vez de estancar as causas naturais e sociais da pobreza, erradicar a fome e criar instituições económicas e políticas fortes e empenhadas em acabar com as relações assimétricas; ao contrário, o MPLA tem sérias dificuldades de empoderar as pessoas e só está empenhado a promover a corrupção no seio da população, e a proteger os camaradas corruptores membros de seu partido.

Está na hora de Angola ter um governo que preste séria atenção às variáveis da pobreza, como a mortalidade infantil, a alimentação (saudável), a moradia, a esperança de vida, a qualidade do meio ambiente e a falta de liberdades. Porque somente protegendo e promovendo os excluídos e marginalizados (os sem-teto, sem terra e sem trabalho), é possível levar os pobres a saírem da pobreza. E isso não é caridade, não é esmola, e muito menos deve ser compromisso ligado à fé, já que em Angola, especialmente a Igreja Católica, mas também demais religiões monoteístas, fazem muito mais que o desgoverno e desserviço que o MPLA presta, sobretudo nos musseques e periferias.

É direito dos pobres sair da pobreza, e dever do Estado satisfazer esse direito. O primeiro passo a ser dado seria reduzir as assimetrias, para tal o MPLA e seus oligarcas precisam cair fora. Outro passo precisa ser o de realizar uma ação conjunta entre o governo e as empresas, na promoção de virtudes necessárias para a boa convivência, prestando maior atenção nos serviços de assistência social. E também não é demais contar com o parecer dos que se ocupam a averiguar a causa da riqueza e da pobreza das nações, pesquisadores e pesquisadoras. Pois a pobreza tem um impacto económico e político devastador. Infelizmente o que temos em nosso país é um sistema político insensível e preocupado apenas a utilizar os recursos públicos de forma ineficiente, em vez de proteger, respeitar e remediar a situação de abandono a que muitos angolanos e angolanas têm sido condenados dia após dia.

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