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	<title>Xênia de Carvalho &#8211; Observatório da imprensa</title>
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		<title>Anatomia da normalidade em tempos incertos:  (des)costurando a mulher e a loucura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 22:56:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="171" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-300x171.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-300x171.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-768x439.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617.jpg 793w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Xenia de Carvalho* ǀ Não estou a localizar o futuro, mana, lhe perdi a direcção &#8211; lembras quando essa ideia derrapou no cimo do nosso entendimento, que nos fez impressionar o pensamento e intentar encontrar esse futuro ali mesmo, na esquina onde estávamos, e depois no google maps? Essa tecnologia não nos ajudou mesmo! O ...</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/anatomia-da-normalidade-em-tempos-incertos-descosturando-a-mulher-e-a-loucura/">Anatomia da normalidade em tempos incertos:  (des)costurando a mulher e a loucura</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="171" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-300x171.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-300x171.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617-768x439.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/casa-mal-assombrada-1400x800-0617.jpg 793w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Xenia de Carvalho</strong>* ǀ Não estou a localizar o futuro, mana, lhe perdi a direcção &#8211; lembras quando essa ideia derrapou no cimo do nosso entendimento, que nos fez impressionar o pensamento e intentar encontrar esse futuro ali mesmo, na esquina onde estávamos, e depois no google maps? Essa tecnologia não nos ajudou mesmo! O futuro não estava localizável nisso d’googlar, nem mesmo nisso da esquina… Dizem que isso dá de acontecer quando a trama vai densa, a vida (des)cai, derrapa ali mesmo na curva da present’alidade. E eu de pensamento que esses tempos são estranhos são, descamam a alma assim, sem mesmo dar espaço a um entendimento da humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O futuro está deslocalizado, minha irmã, se perdeu nesse rumo feiticeiro em que nos tapamos, nos escondemos. Te levanto aqui a feitiçaria por um momentito, deixo de recant’ar e me exponho para partilhar o acontecido num desses dias aí, quando deram de me questionar, epa! e de que forma agrest’iva!, se “tu aí tu! és normal?”. Epa! (desculpa lá a repetição, mas expressa a minha emocionalidade torcida pela questão). Que respondes a esse questionamento?? Fui em busca da anatomia da normalidade, para me poder descrever no próximo questionamento, que creio será breve breve. Me desencaixei nisso da (a)normalidade e tive maningue dificuldade em encontrar o eixo. Dizem que a deslocalização da normalidade começou com esse Covid, com essa doença que se espalha maleficamente pelo meio da turba, das gentes misturadas. Lhe digo que não! Começou faz muito, muito tempo…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mana, partilho a história da anatomia da normalidade, gingo com essa sonoridade que peço que</p>
<p style="text-align: justify;">cliques aí <strong>EM CIMA &#8211; </strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MlMVagn-ZJw">(432) HAUSER & Ksenija Sidorova &#8211; Libertango &#8211; YouTube</a> &#8211; que te guie pelo</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3600" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais.jpg" alt="" width="1210" height="315" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais.jpg 1210w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais-300x78.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais-1024x267.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2022/06/Notas-musiciais-768x200.jpg 768w" sizes="(max-width: 1210px) 100vw, 1210px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">correr das palavras que uma mulher espanhola escreveu sobre a loucura e o assassinato do seu filho. Isto enquanto corria a guerra e depois de ter terminado.</p>
<p style="text-align: justify;"><u>História da anatomia da normalidade (*com o texto original partido em socalcos para cumprir o andamento musical)</u><strong>                                                                                                                              </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que tod@s se juntaram para silenciar a mãe de Frankenstein,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>porque não havia trincos nos quartos do manicómio</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que tod@s se juntaram para (des)costurar as possibilidades de ser mulher,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Acabou-se o porto de Sebastopol, o globo terrestre, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>as plantas da estufa, acabaram-se as palavras e os dicionários, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a música, acabaram-se os livros, as enciclopédias e as histórias, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>apagou-se a luz, foi o que aconteceu, apagou-se a luz </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e eu fiquei às escuras com o que me cabia, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a vida para a qual tinha nascido, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>lavar, limpar, engomar, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>o meu avô já me avisara, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>era esse o meu destino e foi o que encontrei, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>nem mais nem menos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que tod@s o fizeram, ah! isso ocorreu certo dia, já a guerra tinha terminado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com franqueza, se nós, as lúcidas, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>já pouco importamos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>imagine as loucas. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>São as últimas de qualquer lista. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sabe quantas das nossas residentes são mulheres </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>de homens poderosos que conseguiram pô-las aqui </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>para as tirar do caminho, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>privá-las de direitos e viver tranquilamente com as amantes? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mesmo que não fosse director de um manicómio masculino, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>uma autoridade como o Vallejo nunca aprovaria </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>que as mulheres beneficiassem do novo fármaco antes dos homens.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No manicómio feminino de Ciempozuelos, perto de Madrid, Gérman Velázquez, psiquiatra espanhol exilado na Suíça desde 1939, regressa ao seu país na década de 1950, para exercer a profissão de (re)construtor de almas. A Guerra Civil (1936-1939) em Espanha estava oficialmente encerrada. Mas tu o sabes, mana, na realidade do passar dos dias as guerras civis não se fecham por decreto ou data assinalada.</p>
<p style="text-align: justify;">Na casa das loucas, Gérman assume funções de especialista num tal medicamento que controla a alienação. Ou assim o dizem. Nesse manicómio de mulheres &#8211; porque as mulheres tinham, ou ainda têm?, manicómios específicos &#8211; Gérman reencontra uma das mulheres de seu pai, Aurora Rodríguez Carballeira. Num desses dias do passado, Aurora matou a filha e foi ao encontro do pai de Gérman, também ele psiquiatra, tendo essa visita ficado marcada na memória do filho-suíço-espanhol-que-a-guerra-civil-exilou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 9 de junho de 1933, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a campainha do consultório do meu pai </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>soou às nove e meia da manhã.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(…)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A partir daquela manhã, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>daquela campainha, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a minha memória dividir-se-ia para sempre em duas metades opostas. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Até aquele momento, evocaria uma cena luminosa, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>o reflexo de um sol ainda jovem, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas já ambicioso, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>inundando a entrada através das vidraças do escritório, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>a sensação de calor sobre a pele. E depois abri a porta </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e é impossível que fizesse frio, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas é assim que em lembro do momento. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(…)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Papá, papá! </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Corri para o gabinete e abri a porta sem bater. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(…) papá, são visitas. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>São um senhor normal e uma senhora muito… estranha. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aurora tinha morto a filha. Explicou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Hildegart foi uma obra minha, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>explicou a dona Aurora, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e não me saiu bem. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Demorei demasiado tempo a perceber, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas agora tenho a certeza. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Todo os meus esforços foram em vão e depois… </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fiz aquilo que faz qualquer artista </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>quando compreende que se enganou </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e destrói a sua obra para poder recomeçar. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A mãe que assassinou a filha foi catalogada e internada num manicómio de mulheres, onde as freiras se assumem poderosas e os médicos se lixam – ou alienam-se &#8211; para a recuperação ou desenlace dos nós que alheiam as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Até que Gérman traz o medicamento-maravilha-milagre-que-permite-descansar-das-vozes-paranóias-para-dar-lugar-a-uma-cura-tentativa? Com o medicamento há espaço para tranquilidade, as pacientes conseguem uma quase-normalidade. O filho do psiquiatra que encontrou o frio na memória, reencontrou a mulher que o causou e empenhou-se em compreender o sofrimento e lho travar. Não creio que quisesse contribuir para a normalização de Aurora, até porque a normalidade é categoria desentendida e des’finida, não se lhe encontrando um significado encaixante nisso do ser em si. Mana, a normalidade veio depois descrita, ah! veio sim!, quando uma das mulheres-que-ajudam-os-médicos, com estatuto menor naturalmente, lhe conta, a Gérman, como o avô dela e @s outr@s mataram o filho de Aurora já no manicómio. Ouve a história, percebe a natureza do filho e do acto. Percebe essa normalidade des’finida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A porta do quarto estava fechada, embora não no trinco, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>como eles sabiam, obviamente, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>porque não havia trincos nos quartos do manicómio, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>claro está, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas o meu avô deu um pontapé na porta, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>arrancou-a dos gonzos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>entrou no quarto como um cavalo desembestado, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e, como a dona Aurora não estava na salinha, continuou para o quarto, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>onde a viu, sentada na cama, a falar com o boneco grande, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>porque na altura já tinha começado a fazer-lhe um irmão, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>para ver se teria mais sorte com aquele, imagino, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas ainda não estava acabado, tinha cabeça, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas não mais do que uma bola de trapos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e faltavam-lhe os dedos das mãos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>embora tivesse um pénis ainda maior que o primeiro. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para o meu avô pouco importava. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sacou da navalha que trazia sempre no bolso </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e cortou-lhe o pescoço como se ele estivesse vivo, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>enquanto os serventes seguravam a dona Aurora, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>que a princípio ficou atordoada, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>como se não compreendesse o que se passava, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>mas depois largou a gritar como uma possuída, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>pedindo socorro aos médicos, às freiras, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>chamando-lhes assassinos, criminosos, ladrões, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>até que um dos serventes libertou uma mão </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e lhe deu uma bofetada que nos fez chorar às duas, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>embora ninguém reparasse em mim. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Chorei em silêncio, mas ela não parou de gritar </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>enquanto o meu avô acabava de esfaquear o boneco pequeno </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e se lançava ao grande, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>cortando-lhe a cabeça, os braços, as pernas, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>tal como se fosse uma pessoa, para o esventrar a seguir com as mãos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e a minha avó começou a fazer a mesma coisa, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e as outras mulheres imitaram-na, ainda as consigo ver, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ajoelhadas no chão, formando uma roda, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>cercando os bonecos como se fossem animais, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>era o que pareciam, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>um bando de bestas devorando uma carcaça </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e, em menos de cinco minutos, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>não havia senão trapos no quarto da dona Aurora, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e então alguém disse que era preciso trazer um saco </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>para levar aquele lixo todo, </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>para que ela não os pudesse fazer novamente (…)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E foi assim que se apagou a luz e Aurora não mais ensinou a mulher-auxiliar, María Castejón, sobre o globo terrestre, a música, os livros e tantas outras coisas mais, que com elas pretendia elevar María acima do que lhe estava destinado por ser mulher em condição d’ser social. Mana, a anormal era Aurora.  O avô de María e tod@s os que o seguiram no acto do esventramento eram os normais. Essa é a anatomia da normalidade em tempos incertos, porque nas casas d@s louc@s não há certezas, apenas na dos sãos o tempo corre de forma ordeira e certa. Não, mana, não digo que Aurora estivesse bem, matar a filha é acto que carece de explicação, mas a turba esventrar os filhos-bonecos-em-raiva-descontrolada?? Isso é a normalidade? Porque esses estão cá fora, e aguçam a intensidade do acto de perseguição quando se vêm acossados, rodeados, retirados da sua <em>normalidade</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><u>Breve nota sobre quem escreveu a história (*que a escreveu em prosa e não texto quebrado)</u></p>
<p style="text-align: justify;">Almudena Grandes (1960-2021), escritora madrilena, escreveu esta história, “A Mãe de Frankenstein”, edição da Porto Editora de 2022, publicada em Espanha em 2020. Entre a publicação em língua espanhola e a chegada à língua portuguesa passaram dois anos, já Almudena tinha falecido. Deixo a sua voz e o contar da história por detrás da história no correr da sua intenção ao ir buscar Aurora e o manicómio feminino (clica aí, mana, e ouve no link que te deixo): <a href="https://www.youtube.com/watch?v=X7aDUzdMvuI"><strong>(432) «A Mãe de Frankenstein» de Almudena Grandes &#8211; YouTube</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>U</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>V</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>I</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>S</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>T</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mana, manda lá a resposta para saber o que vou responder quando me questionarem aguerridamente, será breve breve, sobre o que é isso da <em>minha normalidade</em>. Porque Aurora e o seu filho não sei não, entenderão?</p>
<p style="text-align: justify;">*<em>Antropóloga, PhD. Investigadora associada, CRIA/ISCTE-IUL.</em></p>
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		<title>Uma voz feminina na pandemia: “Cidadã de segunda classe”</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/uma-voz-feminina-na-pandemia-cidada-de-segunda-classe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 20:45:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="200" height="300" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664-200x300.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664-200x300.jpg 200w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664.jpg 267w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /></p>
<p>Xénia de Carvalho │A pandemia me devastou, mas não me quebrou não. Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). &#8220;Eight to the bar&#8221;, há quem lhe chame. Usam-se oito notas. De quê? Falo do boogie-woogie, blues, a música, em que se utilizam oito colcheias, as tais notas, que entram assim num bar, oito de uma só ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="200" height="300" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664-200x300.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664-200x300.jpg 200w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2021/01/9780807610664.jpg 267w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Xénia de Carvalho</strong> │A pandemia me devastou, mas não me quebrou não. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong><em>&#8220;Eight to the bar&#8221;,</em> há quem lhe chame. Usam-se oito notas. De quê? Falo do <em>boogie-woogie</em>, blues, <em>a </em>música, em que se utilizam oito colcheias, as tais notas, que entram assim num bar, oito de uma só vez… <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Venho contar a história de uma mulher nigeriana com banda sonora de um homem norte-americano exilado, um que swinga. Clica aí no <a href="https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=aN2nLAnMFY0">(53) Bill Coleman &#8211; Afromotive In Blue &#8211; YouTube</a> e escuta lá, porque ler isso sem som nos descama a alma e descasca a cabeça. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O trompetista que swinga assim, Bill Coleman (1904-1981) – clicaste aí? Está tudo na net, esse texto que lês e o Coleman, swinga, troca, clica e lê, estás em casa, te covid’o. Repito: o trompetista norte-americano que swinga desse jeito <em>&#8220;Eight to the bar&#8221; </em>mas com toques de funk, partilha com a escritora nigeriana, Florence Onyebuchi &#8220;Buchi&#8221; Emecheta (1944-2017), o percurso migrante de quem sonha e se vê aprisionado no querer ser em sítio-que-não-deixam-ser. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Coleman se exilou dos <em>States</em> para a terra da liberdade, Emecheta rumou da Nigéria à terra prometida. Do seu lado, o músico explicou que “Vários músicos negros se tornaram expatriados para escapar à segregação racial nos Estados Unidos” (<em>The New York Times</em>, 26 de agosto de 1981), indo ele para França em 1948, onde veio a morrer, enfraquecido e doente, mas tocando trompete mesmo que sentado. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Florence Emecheta diz nessa história que vou contar daqui a nada que a terra prometida era o Reino Unido, que <strong>“devia ser uma espécie de Paraíso”</strong>, se justificando assim do seu sonho em emigrar. Isso tudo porque o pai de Adah, a personagem da história da nigeriana, quando falava em Reino Unido o fazia em tom grave e misterioso, contido,<strong> “com uma expressão tão respeitosa no rosto que até parecia estar falando de Deus Santíssimo”</strong>. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong>E entramos na história, no enredo de seu nome “Cidadã de segunda classe”, escrito em 1974 (traduzido por Heloisa Jahn, Editora Dublinenese). Nos introduzimos na história acompanhados dos oito que entraram num bar… Depois explico a conectividade com a pandemia <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/13.0.1/72x72/1f609.png" alt="😉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Cidadã de segunda classe” – Emecheta se autobiografando</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Adah, ou Emecheta-em-formato-personagem, nasceu mulher e <strong>“ninguém pensou em registrar seu nascimento”.</strong> Daí que pense que terá sido durante a Segunda Guerra Mundial que ocorreu seu nascimento. <strong>“Sentia-se com oito anos quando estava sendo guiada por seu sonho”.</strong> Seu nome se deve à sua avó paterna, que se deu por falecida quando o seu pai entrava nos cinco anos, prometendo regressar. Promessa de avó é promessa de Mulher. Se cumpre. Só que – nessas histórias em que o protagonista é mulher, há sempre os “só que…” – repito: só que o pai de Adah deixou uma <strong>“única ressalva [que] era não querer que o primeiro filho fosse uma menina”</strong>. Mas nisso do querer e determinar… “<em>Eight to the bar”</em>, nesse caso foi de fugida, para apagar as mágoas… <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro filho de Pa foi mulher. Não cumpriu sua ressalva. Pa lhe deu tantos nomes! Defendeu que ela era a sua <strong>“mãe voltando”</strong> … Mas primeiro filho mulher?? Não registou não. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete) </strong>– não esquece o ritmo, swinga com Coleman, lê na cadência dos <em>&#8220;Eight to the bar&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Dos vários nomes, a mãe, Ma, simplificou para Adah. Lhe deu vantagem: <strong>“quando passou a frequentar o Ginásio Metodista para Meninas de Lagos, onde entrou em contato com missionários europeus, seu nome foi um dos primeiros que eles aprenderam e que pronunciavam corretamente”</strong>. Lá lembra ela que as outras raparigas tinham nomes muito compridos, maiores do que o conhecimento dos missionários, que lá na Europa e nessa em que o <em>English </em>prevalece, nome que é nome pronuncia-se de uma só vez, não há cá nomes com mais do que três sílabas! Está de se ver, né? Adah ou <strong>“Oluwafunmilayo Olorunshogo!”</strong>. A língua dos missionários se enrolava e se perdia ainda no início do Oluwafu… Mary, Liz, Emily – tudo aí com o <strong>i</strong> bem acentuado – é a cadência dos estrangeiros. Naturalmente, Adah lhes soava bem. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A mulher que encarnou sua avó tinha esse sonho que falava… Não contei não? Aiii, vai de seguida. Lê no parágrafo abaixo. Abaixinho mesmo! <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A história se inaugura no cruzamento do sonho de Adah com a chegada do primeiro <em>lawyer</em> de Ibuza, de seu nome Nweze. Esse moço nigeriano tinha ido lá, na terra em que o reino diz que está unido, e se tornou <em>lawyer</em>. Advogado mesmo. O primeiro advogado de Ibuza, terra natal dos pais de Adah. E isso não é motivo de celebração?? <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escuta lá a importância do <em>lawyer</em>: independência, qualificações <em>British,</em> regresso e riqueza. Não captaste não? Emecheta-em-formato-personagem explica: Nos finais de 1940, nigerianos (homens) da classe média começaram a ir para a terra de Sua Majestade Unida, ainda a Nigéria era colónia. Era gente com instrução, vinha e ocupava cargos administrativos coloniais. “<strong>Esses homens estavam a par da situação política mundial e sabiam que o colonialismo (…) em breve se tornaria caro demais para os amos coloniais; que o desenlace seria a independência – num movimento semelhante ao da libertação dos escravos quando sua manutenção se tornara excessivamente cara”</strong>. Com a independência viria a <strong>“prosperidade (…) dinheiro à beça”</strong>.  Mas isso só para quem era devidamente certificado, se entenda <em>English certification</em>. Daí terem antecipado o progresso e foram lá na Inglaterra se certificarem. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mulheres? Pois, isso só de sonho. Repegando na narrativa, que desviei para falar dos antecipadores da independência, certificados pelo Reino Unido – naturalmente -, Nweze, <em>First Lawyer </em>de Ibuza, regressava na altura em que Adah sonhava. Enquanto a miúda se perdia no nevoeiro da realidade, as mulheres lhe prepararam, ao <em>First Lawyer</em>, uma recepção que só vista! Cantaram, coseram roupa nova e o foram receber ao porto. Adah ficou proibida de acompanhar, não ia não. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete). </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isto porque nos entretantos tinha feito um acto de guerrilha: aproveitando a conversa das mulheres, saiu desapercebida e se apresentou na escola sozinha. Uns tempos antes da chegada do ilustre Certificado. Adah cansou de ficar ouvindo histórias entre mulheres, de assistir sua mãe a “a desmanchar o penteado para em seguida retrançá-lo”, de não ter nada para fazer. E como todos sabemos, as escolhas têm consequências, em especial se se nasceu mulher e meio pobre ainda… A mãe lhe disse: <strong>“Agora que demos escola a você, você quer ir para o porto [esperar Nweze]. Não, não vai. Você escolheu escola. E vai ter que ir para a escola a partir de hoje e até seu cabelo ficar branco”</strong>. E foi nesse regresso do Certificado que Adah virou estudante para sempre. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">E como conta a avó regressada, uma Presença passou a viver do lado dela: o sonho de ir um dia para o Reino Unido. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esse dia chegou. Já Adah casara e sustentava o marido, estudante fracassado (isso porque na Nigéria não tinha como se concentrar, em <em>English Unido </em>a coisa ia, em <em>English</em> Nigeriano não procedia), religioso pouco dado a consistências de crença, mas</p>
<p style="text-align: justify;">P</p>
<p style="text-align: justify;">O</p>
<p style="text-align: justify;">R</p>
<p style="text-align: justify;">Q</p>
<p style="text-align: justify;">U</p>
<p style="text-align: justify;">E</p>
<p style="text-align: justify;">HOMEM, o primeiro a poder ir para o Reino Unido. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Epa, as voltas que essa Adah deu, como deu!, para convencer a família do marido (a mulher é bem, passa de não ter benefício fiscal para benefício adquirido na família adquirente)! Levou maningue tempo, pagando a estadia do marido, sustentando filhos e casa, mas seus sogros se deram por vencidos. A avó regressada podia emigrar, a família do marido lhe deixava. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Adah desembarcou no Reino Unido. <strong>“Pa, estou no Reino Unido, cantava seu coração para o pai morto”</strong>. Mas como faz frio!!! E nem uma recepção deram aquando da sua chegada… <strong>“o navio fora acolhido com alegria e animação em portos como Takoradi, Freetown e Las Palmas. Se Adah fosse Jesus, teria ignorado a Inglaterra”. </strong>A terra dos sonhos parecia esvaziada de seres humanos… Se o <em>First </em>Lawyer se aguentou em terra cinza, Adah com certeza o faria também! Decisão tomada. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Surpresas sempre vêm acompanhadas. Não sei bem explicar o porquê disso. Vem uma, segue-se outra e para que não nos habituemos à tranquilidade, cai-nos outra em cima. Para Adah não foi diferente não. Seu marido, Francis, a foi buscar. Xiii, como mudara! <strong>“O Francis que veio recebê-los era um novo Francis”</strong>. A beijou em público e tudo! O que não diriam lá em Ibuza… E depois deu em dizer piada, assim que viu a filha que não conhecia (lembra que ele foi para a terra Unida estudar porque lá na Nigéria a concentração o incapacitava), quando viu sua filha disse que podia <strong>“morrer em paz”</strong>. Adah não entendeu não! <strong>“Como assim, <em>morrer em paz?”</em>. </strong>Francis lhe explicou: na terra Unida tudo tem piada, até a morte. Os habitantes Unidos <strong>“fazem piada com tudo, até com coisas sérias como a morte. As pessoas acham graça nisso”</strong>. Adah inquietou, olhou em volta, rematou que o marido a estava enganando, inventando essas histórias – <strong>“Os brancos que via não pareciam pessoas capazes de fazer piada com coisas como a morte”</strong>. Dessa refutação veio a outra surpresa, a terceira. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Homem marido de Ibuza, da Nigéria, não entende isso de a mulher pôr em dúvida o que macho africano afirma. <strong>“Os machos africanos têm o direito de vir para a Inglaterra para ficar civilizados, só que esse privilégio ainda não foi concedido às fêmeas”</strong>. Adah ainda pensou em rematar, mas a separação ia longa e discussão não era forma de entrar nessa nova vida não. Emecheta-em-formato-personagem <strong>“rezou para que os dois tivessem forças para acolher a civilização em seu relacionamento”</strong>. E lá seguiram para casa, uma casa Unida, com certeza. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu lhe disse que essa história era assim com vertentes dentro de variáveis? É dessas mesmo, de uma contadora de histórias porreta! Nisso me veio à lembrança a pandemia – é que iniciei a recontagem com o <em>“eight to the bar”</em>, exilado, como Emecheta-em-formato-personagem, e descurei de explicar a conectividade com a pandemia. Vou só de rematar essa “cidadã de segunda classe” e já conecto. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A casa Unida não deixava ter filhos em habitação conjunta e mulheres que tinham emprego de branco &#8211; Adah teve o desabuso de ir trabalhar numa biblioteca (disse que ela tinha ido na escola lá na Nigéria, trabalhado no consulado dos Unidos? Pois foi, e quando chegou no Reino tinha <em>English certification</em> e vai disso arranjou trabalho como os nativos). Os</p>
<p style="text-align: justify;">H</p>
<p style="text-align: justify;">O</p>
<p style="text-align: justify;">M</p>
<p style="text-align: justify;">E</p>
<p style="text-align: justify;">N</p>
<p style="text-align: justify;">S</p>
<p style="text-align: justify;">lá do gueto, acompanhados do coro de suas esposas, reprovavam essa Adah, mulher que se achava branca! Que desse os filhos para serem criados por mãe de adopção (costume dos brancos) e fosse trabalhar nas fábricas. Era esse o papel destinado para mulheres nigerianas. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emecheta-em-formato-personagem recusou de seguir essa via, foi na luta e se conseguiu independentizar de um Francis estudante-permanentemente-reprovado-desempregado e religioso-inútil-fanático. Mas levou tempo, como levou tempo! <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei quando Adah deu de perceber que estava na hora de se independentizar, mas creio que quando Francis lhe queimou o manuscrito, esse acto despoletou o processo de afastamento. Certo dia, a avó regressada escreveu um livro e o mostrou aos colegas da biblioteca, que lhe disseram que tinha talento. Aí, Adah deu de pensar que podia colectar a opinião de Francis, que lhe disse sem demoras: <strong>“Você sempre se esquece de que é mulher, e negra. O homem branco mal consegue nos tolerar, a nós, homens, isso para não falar em mulherzinhas desmioladas que nem você” … </strong>O marido da avó regressada riu, como riu! <strong>“Uma mulher escritora na própria casa dele, e isso num país de brancos?”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">P</p>
<p style="text-align: justify;">A</p>
<p style="text-align: justify;">U</p>
<p style="text-align: justify;">S</p>
<p style="text-align: justify;">A .</p>
<p style="text-align: justify;">A trama se adensa. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Francis queimou o manuscrito, única cópia de Adah, sem ler. Copiou o que aprendeu, deu andamento à tradição. Agiu sem tolerar &#8211; na casa dele?? <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora sim, conecto com a pandemia. Cidadã de segunda essa Adah, vírus esse que nos trouxe de regresso à realidade, soprou o nevoeiro, afastou os sonhos e nos devolveu o retrato do que somos. De segunda. Eu posso, tu não. Eu tenho direitos, tu não. Separar, hierarquizar, distinguir, nos-Covid’a a exercer a distinção.  <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (entra o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Espero que no final dessa história, porque foi no meio da pandemia que me deparei com Emecheta-em-formato-personagem, repito: espero que no final mesmo, no derrapar da pandemia, não estejamos tão distintos e consigamos reagir e terminar como Adah – escrevendo, ou exercendo o que quer que tenhamos escolhidos, independentizados, desrotulando e seguindo no sonho. Com Coleman. Que terminou tocando sentado, mas tocando. <strong>Tum-tum tum-tum tum-tum tum-tum (despede-se o trompete).</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Xénia de Carvalho</p>
<p style="text-align: justify;">12 Janeiro de 2021</p>
<p>&nbsp;</p>
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  <a class="title post_title"  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">
        Como fazer uma revolução?  </a>

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    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>A raça, o novo amanhecer e a autenticação do ser</title>
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		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2020 22:05:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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<p>Xénia de Carvalho│ Dizem-me aqui que raça é tema de debate aceso, coisa científica e necessária para o entendimento das desigualdades sociais e económicas que grassam nesse mundo vasto. Dizem-me aqui que raça é para derrubar, ainda mais nestes tempos pandémicos que nos assolam, em que as diferenças se acentuam. Dizem-me aqui que raça é ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="169" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/racismo-300x169.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/racismo-300x169.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/06/racismo.jpg 660w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Xénia de Carvalho</strong>│ Dizem-me aqui que raça é tema de debate aceso, coisa científica e necessária para o entendimento das desigualdades sociais e económicas que grassam nesse mundo vasto.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem-me aqui que raça é para derrubar, ainda mais nestes tempos pandémicos que nos assolam, em que as diferenças se acentuam.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem-me aqui que raça é assunto para tratar.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou de começar.</p>
<p style="text-align: justify;">Já fui loura, ruiva e de cabelo encaracolado, agora está esbranquiçado e meio acobreado. Ah, velhos tempos esses em que era morena de cabelo preto! Ah, como brilhava esse meu cabelo – e não havia cá produtos abrilhantadores das raízes e derivados (dessas coisas, infelizmente, pouco sei, deixo-vos o Google – diz que tem lá tudo).</p>
<p style="text-align: justify;">Foi nesse passado de moreneza que me encontrei frente ao mistério do ser e o desvendei. “<strong>It&#8217;s a new dawn/It&#8217;s a new day/It&#8217;s a new life for me/And I&#8217;m feeling good”. </strong>Peço que parem o trânsito, desliguem os semáforos, metam os polícias sinaleiros na casota, porque Nina Simone canta: <strong>“Sleep in peace when day is done, that&#8217;s what I mean”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Epa, como se conta a história da descoberta do ser? Nina canta <strong>“Birds flying high you know how I feel”</strong>. Essa senhora ginga, como ginga! E traz essa música lá dos anos 60, escrita pela dupla britânica, Leslie Bricusse e Anthony Newley.</p>
<p style="text-align: justify;">Bricusse e Newley escreveram <strong>“Feeling Good”,</strong> que Nina explode no mundo quando canta &#8211; oh! se explode!-, para acompanhar o musical, também escrito por eles, <em>The Roar of the Greasepaint – The Smell of the Crowd</em>, em que se pautam em tons graves, agudos ou intermédios, o estado das classes sociais, do poder e da raça na Inglaterra dos anos 60. E raça &#8211; o assunto que me fez vir aqui hoje &#8211; é poder e classe social, mas também memórias do ser e do cabelo. Anda tudo ligado: Nina, “<strong>Feeling Good”</strong> e a humanidade, essa por Mia Couto. Bem sei, retorno a Moçambique, esta sina pa…. É que é de lá que trago a humanidade e o desvendamento do ser, esse desraçado.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, Mia? <strong>“River running free, you know how I feel”, </strong>oh yeh, mama! Sei, sei, ó se sei. O SER… Descobri o ser na multiplicidade, nessa coisa dos cabelos e por isso iniciei com essa narração: <strong>“Era uma branca, de longos cabelos loiros”. </strong>Não, não! Não são minhas essas palavras, não são não. Mas podiam ser. Já fui loira e percebo disso mais do que o dito, mas não são não, não são não! Confesso. São do Mia &#8211; <strong>“And I&#8217;m feeling good”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Meus pais me puserem esse nome que carrego (já habituei, ganhei-lhe estima), e eu encontrei-me noutro, o de Ezequiela, a do Mia. Aí me libertei e encontrei o SER, chutei isso da raça, não tem o meu tamanho, nem as minhas medidas. Desracei-me.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem é essa Ezequiela? Espera lá, já vou contar…. Primeiro, vou desvendar esse homem, que é animal assumido, e escreve como lhe apetece, desentranha palavras como quem cospe caroços de azeitona preta (as outras não prestam, nem temperadas). Esse homem bicho desorganiza a escrita, torce as palavras e acrescenta superlativos ou inventa verbos que não há não nesse dicionário da Língua Portuguesa (porque está mesmo a ver-se que português português só há um, o que todos falam, mas no livro só vem a versão oficial, o português engravatado, com brilhantina no corno do bigode). Nessa desorganização desraça-se e desraça o leitor &#8211; eu, que já tive <strong>“longos cabelos loiros”</strong>. Vós? Pois, isso já não sei. Vou Mia’grafar, mostrar o bicho que há no homem. Talvez isso explique isso do “<strong>It&#8217;s a new dawn/It&#8217;s a new day/It&#8217;s a new life for me/And I&#8217;m feeling good</strong>” (escuta aí, Simone…).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Breve acto de Mia’grafar </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mia Couto, nascido em 1955, é biólogo e escritor moçambicano e usa nome de gato. <strong>“Eu era miúdo, tinha dois ou três anos e pensava que era um gato, comia com os gatos. Meus pais tinham que me puxar para o lado e me dizer que eu não era um gato. E isto ficou. Eu lá fora, sou sempre esperado como preto ou como mulher.  (…) Isto me diverte. Essas questões de identidade me divertem muito, quer seja do sexo, quer seja da raça. Eu não tenho raça. Minha raça sou eu mesmo”</strong> (em entrevista à Folha de S. Paulo, 2002). Desraçou-se, portanto. Também não é de estranhar: homem que se acha gato e desconstrói o dicionário, que tanto trabalho dá nisso da organização justificada das palavras – esses organizadores merecem reconhecimento pela tentativa de uniformização de tanta gente a usar uma língua, cuspindo variações, e eles “que não, essa variação não entra aqui, é corruptela, na escola não se ensina calão não”.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não só de animal é feito o escritor, também é doente incurável. Explico então: em 1974, seguindo o legado familiar (o pai foi jornalista e poeta – “doença hereditária”, segundo lhe dizia a mãe), inicia-se no ofício de jornalista. Foi director da <em>Agência de Informação de Moçambique</em> (AIM), director da revista <em>Tempo</em> até 1981 e trabalhou no jornal <em>Notícias</em> até 1985. Nesse ano, deixa o jornalismo e vai tirar biologia na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. É nos anos 80 que começa a publicar contos, como o de “Ezequiela, a Humanidade” (1987), esse que me liga ao cabelo loiro, à Nina Simone “<strong>And I&#8217;m feeling good” </strong>e me deixou desraçada. Esse conto está junto de outros “Na berma de nenhuma estrada” &#8211; daí que não sejam necessários os policias sinaleiros, mantenham-nos nas casotas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Da autenticação do ser e da desnecessidade da raça</strong></p>
<p style="text-align: justify;">“<strong>Um certo moço apaixonou se por uma moça, de cujo nome Ezequiela. O jovem se designava de Jerónimo. Foi amor de anel e altar. Em prazo fulminante ajuntaram destinos, ele e ela, os dois e ambos”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Começa assim o conto do Mia e Nina canta <strong>“Birds flying high you know how I feel”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não há conto que comece e fique logo tudo resolvido. <strong>“It&#8217;s a new life for me yeah”</strong>, Nina, a voz que imobiliza o trânsito e anuncia essa nova vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Jerónimo deu de casar, Mia disse. Mas certo dia acordou e deu com <strong>“a branca, de longos cabelos loiros”, </strong>ali mesmo, ao lado dele. <strong>“Ele cismalhou: quem é esta?”. </strong>É que essa não é a mulher dele! Grita por ela, “<strong>Ezequiela!”</strong>. Às vezes podem-se perder as mulheres… Nada! Ela lhe explica, é ela, Ezequiela, mas Jerónimo não está crente, e lhe desafia: <strong>“Como, se você é branca retinta e minha mulher é negra? Como, se os cabelos…”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A moça lhe explica que <strong>“mudava de corpo de cada vez em quando. Ora de um tamanho, ora de uma cor. E ora bela, ora feia. Actualmente, branca e posteriormente, negra. Que ela se convertia, vice versátil”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ezequiela procura aceitação: <strong>“O problema sendo mesmo esse, o da identidade exacta dela mesma, a autenticada Ezequiela”</strong>. Mas Jerónimo não caí não, não foi com essa que casou. E a mulher lhe propõe que se deixem estar, <strong>“vir o porvir”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Simone, “<strong>Butterflies all havin&#8217; fun, you know what I mean”</strong>. Oh yeah, sabemos sim. Jerónimo não resistiu e <strong>“tricotou seus dedos pela seda dos cabelos dela”</strong> …. Voltaram ao estado de graça. Só que…. Conto tem dessa paragem sincopada, vai o leitor já lançado e mudam-lhe o rumo. Mia brinca, como se fosse novelo os olhos de quem segue os destinos de Jerónimo e Ezequiela…</p>
<p style="text-align: justify;">Jerónimo tricotava os cabelos dela, a tecelagem foi até ao remate final e regressaram ao estado primeiro – ela de loira, ainda, mas mulher. Só que, lembrem lá a questão da identidade…. Dou um segundo, sim. Identidade? Pois. A autenticada acordava versatilisada, convertida: <strong>“acordou esquimó, peles amareladas, olhos repuxados em ângulo e esquina. E, numa outra vez, ela se indianizou, pele aperdizada, cabelos azevichados”. </strong>Jerónimo depois de ficar no <strong>“vir o porvir”</strong> acabou aceitando-a, <strong>“transitável mas intransmissível”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Diz o escritor que o <strong>“acerto e reacerto”</strong> não foi assim fácil no começo, levou tempo, até que Jerónimo <strong>“encontrou gosto nesse jogo de reencorpagem”</strong>. Nina – esse trânsito continua parado? – <strong>“Sun in the sky you know how I feel”</strong>, yeah! Sei, sei. Sorte a desse gajo, todas mulheres numa só!</p>
<p style="text-align: justify;">Disse sorte? Nada, esquece isso, azarou, Jerónimo azarou, Ezequiela reencorpou certo dia em <strong>“homem, barbalhudo e provido de músculo”</strong>. E isso é que não: <strong>“A sua mulher: um homem? Já se vertera em branca e em preta, baixa em alta, tudo isso, sim. Mas sempre mulher”</strong>. Homem, não. <strong>“Seria ela, integralmente, um ele?”</strong>, Jerónimo deu de verificar, espreitou lá, escondido, e <strong>“estremecimento geral: era mesmo” </strong>um ele, sua esposa era um homem!</p>
<p style="text-align: justify;">Não aceitou essa reencorpagem não, casou com mulher – que virasse loira, morena, ruiva ou careca, mas de género feminino. Agora gajo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“- Desculpe, mas agora é de mais. Enquanto você for Ezequiel eu fico fora…”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Jerónimo botou o pé na estrada e foi dormir lá onde calha ficar quem se perde. Só que (Mia, o novelo, e Nina – “<strong>It&#8217;s a new dawn, it&#8217;s a new day, it&#8217;s a new life for me”</strong>) … Jerónimo caiu doente. E quem se adoece regressa a casa e <strong>“deparou ainda com a esposa em fase de macho”</strong>. Mas o macho tomou conta dele, <strong>“lhe trouxe toalha fresca e uma aguinha benigna”</strong>. E Jerónimo lá foi caindo no adormecimento, <strong>“mesmo estranhando um raspar de barba em seu pescoço”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">E agora sim, Nina e o momento da libertação, o fim da opressão: <strong>“It&#8217;s a new life /For me /And I&#8217;m feeling good”</strong>. Jerónimo <strong>“despertou reanimado e se olhou no espelho”</strong>. Só que não era espelho não, <strong>“do outro lado da moldura era um outro trajando seu próprio corpo”</strong>. Jerónimo <strong>“avançou a pergunta: &#8211; Ezequiela?”. </strong>A voz do outro lhe devolveu na resposta: <strong>“-Como Ezequiela? Você, Ezequiela, não reconhece o seu marido?”. </strong>Desracei-me <strong>“And I’m feeling good”</strong> (tira lá os polícias da casota, já pode haver trânsito).</p>
<p style="text-align: justify;">25 de junho de 2020.</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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    A Lei de Imprensa é um diploma que visa estabelecer os princípios gerais que devem enquadrar a actividade da comunicação social, na perspectiva de permitir a regulação das formas de <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/"> Leia mais</a>  </p>
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        Como fazer uma revolução?  </a>

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    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>E-CARTA AO MANO MAIS VELHO</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2020 09:59:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="201" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-300x201.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-300x201.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-768x516.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-1024x687.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-274x183.jpg 274w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-364x245.jpg 364w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-130x87.jpg 130w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-359x240.jpg 359w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-546x365.jpg 546w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-266x179.jpg 266w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-347x233.jpg 347w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-179x120.jpg 179w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-170x113.jpg 170w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-81x55.jpg 81w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144-765x510.jpg 765w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/05/óleo-colorido-abstrato-da-fantasia-pintura-acrílica-abstrata-semi-árvore-dos-peixes-do-elefante-e-pássaro-na-paisagem-137463144.jpg 1591w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Xénia de Carvalho│Carta que se preza começa nos bons dias e essas todas cortesias que se lhe seguem. Mas dei de escrever ao compasso de Alanis e do “That I would be good, even if I did nothing”. Essa música fez jazz’ar meu contar, não entendia seguir caminho por essas estradas improvisadas. Lá tem minha ...</p>
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<p style="text-align: justify;">Essa música fez jazz’ar meu contar, não entendia seguir caminho por essas estradas improvisadas. Lá tem minha casa e meu estar, meu ser está sempre colado em mim, não tem como escapar. Mesmo. Quem disser o contrário, papá, está mentindo. Vou de improviso então, com esse som de companhia.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu mundo é esse espaço que fica entre a passada barriguda e o cheiro das árvores em flor. Caminho na direcção do hospital central, vou de ouvido nessa melodia, cantarolando – mal, que tenho voz grave como tromba de elefante. Caminho para lá, para essa consulta da grávida, que vai dizer quantos meses mais faltam para o bebé nascer. Caminho no som e com o sorriso das árvores.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música é minha casa, onde retorno e me reinvento quando o tempo dos homens é pesado de aceitar. Nessa minha casa estou lá eu e todos os que me definem.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse mundo cão pa! Cão porque fiel, volta sempre onde deve. Um desses dias pediram que fosse de dar consultoria, explicar lá aos americanos o que dizem as mulheres que perderam filhos. Era isso e o engajamento masculino na maternidade e criação dos filhos, que como sabemos é de duvidosa existência. Fazer filhos, isso os gajos fazem, mas dar de criar, ser assistente da mulher, epa! aí a coisa já não procede. Sei, sei, estava na avenida a caminhar no sorriso das árvores.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música me jazz’a o pensamento…. Deixa lá, mano mais velho, vou de reorganizar. Os americanos vêm primeiro, sim, não esqueci que eles são os doadores e tudo sabem, e têm todos laptops topo gama com conexão ao satélite hiper-topo-e-tudo. Depois eu derrapo no finalzinho da história e uno as pontas com o hospital central. Vale?</p>
<p style="text-align: justify;">Fui de consultora, especialista mano mais velho, nota lá isso, e-s-p-e-c-i-a-l-i-s-t-a de saúde social. Porra. É de boss, não?! Bom, fui de ouvir as mulheres a contarem como e por que perderam os filhos, não deram parto, correu mal, deixou sequelas depois e por aí fora. Os americanos pediram a história, mas já davam o guião e o tempo que cada uma das mulheres tinha para contar o evento 1, evento 2 e evento 3. Se contarem assim organizadas, depois já se consegue entender, né? E isso facilita a tarefa, brother, sai já codificado e é só pôr lá no inglês, que gringo manda no mundo e o mundo é em inglês.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música deu de terminar, mas a net diz que dá para repetir, até ao infinito e enquanto a bateria se aguentar. Vou de repetir, se não como escrevo de casa??</p>
<p style="text-align: justify;">As mulheres contaram, dentro do prazo pré-determinado lá pelos gringos, mas havia lá perguntas que não dava para entender. Quanto tempo a mamã levou de casa até à unidade sanitária? Levantei de manhã e assim depois de ir na machamba, já tinha ido na água, assim lá meio da tarde, acho que tarde, ou na noite, não lembro, fui dar parto. Mamã, mamã, os gringos querem saber a que hora a mamã foi dar parto. Pois, a hora é essa mesma, depois de ir buscar água, ir na machamba, fiquei cansada, fui dar parto lá na noite. Mamã, os gringos isso não entendem, é tempo desse, vês esses ponteiros? É desse tempo que tens de falar. Epa, esse não conheço… Mamã, o evento 1 foi à tarde ou à noite? Lembra lá, mamã. Era tarde noite…? Mas não estavam a pedir para contar como perdi filho? Sim, mamã, mas ainda não, esse é evento 2. Ah…</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música continua aí, por detrás dessa carta que te escrevo, mano mais velho, “That I would be good even if I lost sanity”…</p>
<p style="text-align: justify;">Foi no ouvir das histórias que ouvi a minha. Não, mano mais velho, não tive criança. Perdi assim, como essas mulheres também. Contam depois o que tiveram, e eu encontro-me lá, tendo o mesmo, sem perceber bem o que era mesmo. E vê lá, mano, eu até doutoramento fui de fazer, e em inglês. Não serve, não explica. Brother, isso da saúde social é como a saúde mental, varia conforme as medições.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa música me empurra para lá, oiço o som das flores dessas árvores que enfeitam lá o hospital central…</p>
<p style="text-align: justify;">Essas mamãs vêm até mim. Suas histórias, quem as ouve? Alguém aí nesse mundo dos que tudo sabem parou? Alguém escutou mesmo? É que me explicaram que o tempo para escutar as mulheres era suficiente, e eu de achar que não tem tempo não, que essa história de perder filho não tem compasso, é ao ritmo de quem conta. Sei, mano mais velho, tenho de me adaptar, de aceitar que o mundo manda como devemos fazer. E que devemos ficar todos em processo de aceitação. Epa, mano mais velho, mas essa música, “That I would be good if I got and stayed sick”, essa música me leva no sentido contrário. E-te-foste mas e-te-aqui. Lembro de ti, sempre. E das vozes dessas mulheres, que também são a minha. E-tempo de parar e escutar. Vamos fazer diferente desta vez, e-mano mais velho? Dá aí um empurrão, agita os búzios, dá porrada cá em baixo com o trovão, agita as águas e eu cá estou, e-por enquanto, mas e-free.</p>
<p style="text-align: justify;">Um abraço, mano.</p>
<p style="text-align: justify;">25 de abril de 2020.</p>
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        A Lei de Imprensa  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    A Lei de Imprensa é um diploma que visa estabelecer os princípios gerais que devem enquadrar a actividade da comunicação social, na perspectiva de permitir a regulação das formas de <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/"> Leia mais</a>  </p>
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    <a  title="Angola está abaixo da média no acesso à Internet" href="https://observatoriodaimprensa.net/angola-esta-abaixo-da-media-no-acesso-a-internet/">

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        Angola está abaixo da média no acesso à Internet  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
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    <a  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">

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  <a class="title post_title"  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">
        Como fazer uma revolução?  </a>

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    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>“O país que ainda não existia” e a morte da máquina de costura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2020 10:47:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="225" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n-300x225.png" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n-300x225.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n.png 567w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>  Xénia de Carvalho│ Andei eu à procura de uma história, revolvi memórias e livros antigos, e não é que acabei onde sempre começo? N’ “o país que ainda não existia”. Bem sei que outros países por aí existem e outros escritores neles habitam. E lá irei, mas por hoje fico-me por este.  Faz parte ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="225" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n-300x225.png" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n-300x225.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n.png 567w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Xénia de Carvalho</strong>│ Andei eu à procura de uma história, revolvi memórias e livros antigos, e não é que acabei onde sempre começo? N’ “o país que ainda não existia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem sei que outros países por aí existem e outros escritores neles habitam. E lá irei, mas por hoje fico-me por este.  Faz parte da herança familiar que deixamos para a geração mais nova. Que se calhar até preferia um Mercedes Benz, mas isso não nos cabe nas estantes….</p>
<p style="text-align: justify;">Deixam-se os livros e o Benz da Joplin: <strong>“Oh Lord, won&#8217;t you / Buy me a Mercedes Benz / My friends all drive Porsches / I must make amends”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao som do Benz, pousei as memórias no afamado Patraquim de seu apelido, Luís de nome próprio. Esse aí que escreve sobre a morte de uma mulher com nome de moeda e das aulas de estudo político para implantar nos crânios mais despistados o materialismo histórico e dialéctico, mais precisamente a <strong>“origem do homem”</strong> e sua ligação aos bichos.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa coisa do nexo entre a origem do homem e a distinção entre os outros animais foi assunto que sempre vi debatido desde a infância. Ora lá nas missas católicas a argumentação não era das mais convidativas, especialmente porque a instituição andara em séculos atrás a queimar pessoas por discordância. Na actualidade já não seria necessário, eliminam-se os discordantes de forma mais ecológica.  O homem é, no entanto, bicho como os outros, até de qualidade menos certificada, porque lhe dá para matar pelo simples prazer do acto.</p>
<p style="text-align: justify;">Desviei-me aqui do conto de Luís Patraquim sobre a <strong>“origem do homem”, </strong>a morte da máquina de costura e suas ligações às aulas <strong>“de estudo político”</strong>, que resultaram na morte de Raquel Duzenta.  Antes de entrar assim de uma só vez no conto do Patraquim, vou-vos biografar o escritor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O escritor biografado </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Luís Patraquim, nascido em 1953 em Maputo, à data Lourenço Marques, é jornalista, poeta, guionista e reunista &#8211; no sentido que reúne “<strong>em bares de poetas, que estão a acabar”</strong> (em entrevista a Cláudia Aranda, 2016, Ponto Final). A sua principal actividade, diz, é sonhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Patraquim esteve como refugiado político na Suécia de 1973 a 1975. Uma vez regressado a Moçambique, trabalhou na imprensa moçambicana, no jornal <em>A Tribuna</em>, mais tarde na Agência de Informação de Moçambique (AIM), vindo a laborar entre 77 e 86 como roteirista e argumentista no Instituto Nacional de Cinema de Moçambique. Coordenou a <em>Gazeta de Artes e Letras</em> da revista <em>Tempo</em>, entre 84 e 86, em conjunto com Calane da Silva, nascido em 1945, também ele poeta-escritor-jornalista, e com Gulamo Khan (1952 – 1986), também ele escritor-jornalista, falecido no acidente que vitimou o presidente Samora Machel (1933—1986).</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1986, Patraquim mudou-se para Lisboa, pelo menos o corpo. <strong>“</strong><strong>Felizmente tenho lá ido </strong>[a Moçambique] <strong>todos os anos, tenho o bilhete de identidade moçambicano. Mas, como sou um bocado esquizofrénico – digo isto na brincadeira – o corpo está aqui, mas o espírito está lá, os sentimentos e todo o meu imaginário está sempre em Moçambique</strong><strong>”</strong> (em entrevista a Aranda).</p>
<p style="text-align: justify;">É referência na poesia moçambicana, descrito como provavelmente o maior poeta do país, depois de Knopfli, Alba e Craveirinha. Luís refuta: “<strong>Isso do maior poeta é uma simpatia de alguns críticos. Tenho só um metro e setenta e sete de altura, haverá outros bem mais altos do que eu (…) não há um ‘poetímetro’. Ou há poesia ou não há”</strong> (em entrevista a Aranda).</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2016, dizia que tinha <strong>“dois livros de poesia praticamente prontos, não sei quando sairão, também não tenho pressa, porque sou uma espécie de poeta bissexto [aquele que só faz poesia de vez em quando]”</strong> (em entrevista a Aranda).</p>
<p style="text-align: justify;">Começando a literatura pela poesia, como diz Patraquim, e antes do conto da morte da máquina de costura, deixo aqui cair o início de um dos poemas de estreia do poeta-jornalista, a “metamorfose” (do livro “Monção”, 1980): <strong>“Quando o medo puxava lustro à cidade/ eu era pequeno/ vê lá que nem casaco tinha/ nem sentimento do mundo grave/ ou lido Carlos Drummond de Andrade”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ora, agora regresso à “morte de Raquel Duzenta”, conto escrito em 1990 e do qual trata este artigo. Conto esse integrado numa “Antologia do Conto Moçambicano – As mãos dos Pretos”, organizado por Nelson Saúte (nascido em 1967), também ele escritor-jornalista e professor moçambicano, edição das Publicações Dom Quixote, ano 2000.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O fim da tecnologia dos brancos e a doutrina política</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Raquel Duzenta viu-se certo dia perante a impossibilidade de continuar viva. Foi no momento em que se levantou a <strong>“tropegar. Todas as certezas se tinham desmoronado!</strong>” A origem? Uma <strong>“aula de estudo político”</strong> orientada por um <strong>“jovem balalaica”</strong>, isto porque o <strong>“quadro”</strong> do partido trajava a roupa de funcionário do Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas recuemos um pouco aqui na história para que percebam o que escreveu o poeta-jornalista.</p>
<p style="text-align: justify;">Começa Patraquim o conto com a explicação de que <strong>“Naquele tempo quem sabia bem português eram só os assimilados. Daí que os ignorados cidadãos do ‘país que ainda não existia’ adoptassem nomes que lhes deviam soar muito bem ao ouvido mas que, enfim…, não passariam em nenhum salão da cidade colonial”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">E assim se explica o nome de Raquel.</p>
<p style="text-align: justify;">Duzenta, <strong>“moedinha da sorte”,</strong> foi nome dado pelo pai, acréscimo à sugestão do padre da catequese, pois com tal segundo nome queria seu pai que Raquel fosse bafejada pela <strong>“prosperidade”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que bem intencionado pelo pai, Raquel não prosperou, <strong>“desconseguiu de chegar sequer a assimilada”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, Duzenta fez jus ao seu nome com a máquina de costura “Singer”, <strong>“que foi o grande marco da tecnologia dos brancos a maravilhar a aldeia e a fazer a Raquel senhora de suas duzentas bem cobradas no amanho das roupas de seus vizinhos clientes”. </strong>Depois veio a cheia <strong>“e levou tudo”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando chegou <strong>“o Uhuru </strong>[liberdade, em ki-swahili]<strong>, a independência”, </strong>Duzenta mudou-se para Maputo e começou a <strong>“reunar” </strong>de forma a obter <strong>“esclarecimentos muitos sobre a sua própria e apagada estória, sobre a dialéctica marxista-leninista à luz da Teoria da Dependência, sobre a sua renúncia, dela Raquel Duzenta, à Filosofia da Negritude em nome da verdadeira autenticidade do processo revolucionário em Moçambique”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Numa dessas reuniões, Duzenta viu-se impossibilitada de continuar viva, como contava no início. Deveu-se isso à explicação do jovem balalaica sobre a origem do homem: <strong>“a origem de vocês, camaradas, aqui! Estão a compreender bem? Essa coisa aí – e gaguejava – essa coisa aí dos padres a dizer que somos filhos de Deus é mentira, camaradas!”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">O balalaica esclareceu a origem dos camaradas: <strong>“Nós, vocês aí, camaradas, são filhos do macaco!”. </strong>Duzenta viu-se descrente, <strong>“Xicolonho é que chamava macaco à gente”. </strong>E regressou a casa, onde se deu por falecida.</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
<p><strong> </strong></p>
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        A Lei de Imprensa  </a>

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    A Lei de Imprensa é um diploma que visa estabelecer os princípios gerais que devem enquadrar a actividade da comunicação social, na perspectiva de permitir a regulação das formas de <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/a-lei-de-imprensa/"> Leia mais</a>  </p>
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    <a  title="Angola está abaixo da média no acesso à Internet" href="https://observatoriodaimprensa.net/angola-esta-abaixo-da-media-no-acesso-a-internet/">

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  <a class="title post_title"  title="Angola está abaixo da média no acesso à Internet" href="https://observatoriodaimprensa.net/angola-esta-abaixo-da-media-no-acesso-a-internet/">
        Angola está abaixo da média no acesso à Internet  </a>

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    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
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    <a  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">

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  <a class="title post_title"  title="Como fazer uma revolução?" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/">
        Como fazer uma revolução?  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>“O país que ainda não existia” e a morte da máquina de costura</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/o-pais-que-ainda-nao-existia-e-a-morte-da-maquina-de-costura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2020 10:38:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="225" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n-300x225.png" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n-300x225.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n.png 567w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Xénia de Carvalho│ Andei eu à procura de uma história, revolvi memórias e livros antigos, e não é que acabei onde sempre começo? N’ “o país que ainda não existia”. Bem sei que outros países por aí existem e outros escritores neles habitam. E lá irei, mas por hoje fico-me por este.  Faz parte da ...</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/o-pais-que-ainda-nao-existia-e-a-morte-da-maquina-de-costura/">“O país que ainda não existia” e a morte da máquina de costura</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="225" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n-300x225.png" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n-300x225.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/04/92571717_3375866172427807_5567833179756167168_n.png 567w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Xénia de Carvalho</strong>│ Andei eu à procura de uma história, revolvi memórias e livros antigos, e não é que acabei onde sempre começo? N’ “o país que ainda não existia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem sei que outros países por aí existem e outros escritores neles habitam. E lá irei, mas por hoje fico-me por este.  Faz parte da herança familiar que deixamos para a geração mais nova. Que se calhar até preferia um Mercedes Benz, mas isso não nos cabe nas estantes….</p>
<p style="text-align: justify;">Deixam-se os livros e o Benz da Joplin: <strong>“Oh Lord, won&#8217;t you / Buy me a Mercedes Benz / My friends all drive Porsches / I must make amends”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao som do Benz, pousei as memórias no afamado Patraquim de seu apelido, Luís de nome próprio. Esse aí que escreve sobre a morte de uma mulher com nome de moeda e das aulas de estudo político para implantar nos crânios mais despistados o materialismo histórico e dialéctico, mais precisamente a <strong>“origem do homem”</strong> e sua ligação aos bichos.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa coisa do nexo entre a origem do homem e a distinção entre os outros animais foi assunto que sempre vi debatido desde a infância. Ora lá nas missas católicas a argumentação não era das mais convidativas, especialmente porque a instituição andara em séculos atrás a queimar pessoas por discordância. Na actualidade já não seria necessário, eliminam-se os discordantes de forma mais ecológica.  O homem é, no entanto, bicho como os outros, até de qualidade menos certificada, porque lhe dá para matar pelo simples prazer do acto.</p>
<p style="text-align: justify;">Desviei-me aqui do conto de Luís Patraquim sobre a <strong>“origem do homem”, </strong>a morte da máquina de costura e suas ligações às aulas <strong>“de estudo político”</strong>, que resultaram na morte de Raquel Duzenta.  Antes de entrar assim de uma só vez no conto do Patraquim, vou-vos biografar o escritor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O escritor biografado </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Luís Patraquim, nascido em 1953 em Maputo, à data Lourenço Marques, é jornalista, poeta, guionista e reunista &#8211; no sentido que reúne “<strong>em bares de poetas, que estão a acabar”</strong> (em entrevista a Cláudia Aranda, 2016, Ponto Final). A sua principal actividade, diz, é sonhar.</p>
<p style="text-align: justify;">Patraquim esteve como refugiado político na Suécia de 1973 a 1975. Uma vez regressado a Moçambique, trabalhou na imprensa moçambicana, no jornal <em>A Tribuna</em>, mais tarde na Agência de Informação de Moçambique (AIM), vindo a laborar entre 77 e 86 como roteirista e argumentista no Instituto Nacional de Cinema de Moçambique. Coordenou a <em>Gazeta de Artes e Letras</em> da revista <em>Tempo</em>, entre 84 e 86, em conjunto com Calane da Silva, nascido em 1945, também ele poeta-escritor-jornalista, e com Gulamo Khan (1952 – 1986), também ele escritor-jornalista, falecido no acidente que vitimou o presidente Samora Machel (1933—1986).</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1986, Patraquim mudou-se para Lisboa, pelo menos o corpo. <strong>“</strong><strong>Felizmente tenho lá ido </strong>[a Moçambique] <strong>todos os anos, tenho o bilhete de identidade moçambicano. Mas, como sou um bocado esquizofrénico – digo isto na brincadeira – o corpo está aqui, mas o espírito está lá, os sentimentos e todo o meu imaginário está sempre em Moçambique</strong><strong>”</strong> (em entrevista a Aranda).</p>
<p style="text-align: justify;">É referência na poesia moçambicana, descrito como provavelmente o maior poeta do país, depois de Knopfli, Alba e Craveirinha. Luís refuta: “<strong>Isso do maior poeta é uma simpatia de alguns críticos. Tenho só um metro e setenta e sete de altura, haverá outros bem mais altos do que eu (…) não há um ‘poetímetro’. Ou há poesia ou não há”</strong> (em entrevista a Aranda).</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2016, dizia que tinha <strong>“dois livros de poesia praticamente prontos, não sei quando sairão, também não tenho pressa, porque sou uma espécie de poeta bissexto [aquele que só faz poesia de vez em quando]”</strong> (em entrevista a Aranda).</p>
<p style="text-align: justify;">Começando a literatura pela poesia, como diz Patraquim, e antes do conto da morte da máquina de costura, deixo aqui cair o início de um dos poemas de estreia do poeta-jornalista, a “metamorfose” (do livro “Monção”, 1980): <strong>“Quando o medo puxava lustro à cidade/ eu era pequeno/ vê lá que nem casaco tinha/ nem sentimento do mundo grave/ ou lido Carlos Drummond de Andrade”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ora, agora regresso à “morte de Raquel Duzenta”, conto escrito em 1990 e do qual trata este artigo. Conto esse integrado numa “Antologia do Conto Moçambicano – As mãos dos Pretos”, organizado por Nelson Saúte (nascido em 1967), também ele escritor-jornalista e professor moçambicano, edição das Publicações Dom Quixote, ano 2000.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O fim da tecnologia dos brancos e a doutrina política</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Raquel Duzenta viu-se certo dia perante a impossibilidade de continuar viva. Foi no momento em que se levantou a <strong>“tropegar. Todas as certezas se tinham desmoronado!</strong>” A origem? Uma <strong>“aula de estudo político”</strong> orientada por um <strong>“jovem balalaica”</strong>, isto porque o <strong>“quadro”</strong> do partido trajava a roupa de funcionário do Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas recuemos um pouco aqui na história para que percebam o que escreveu o poeta-jornalista.</p>
<p style="text-align: justify;">Começa Patraquim o conto com a explicação de que <strong>“Naquele tempo quem sabia bem português eram só os assimilados. Daí que os ignorados cidadãos do ‘país que ainda não existia’ adoptassem nomes que lhes deviam soar muito bem ao ouvido mas que, enfim…, não passariam em nenhum salão da cidade colonial”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">E assim se explica o nome de Raquel.</p>
<p style="text-align: justify;">Duzenta, <strong>“moedinha da sorte”,</strong> foi nome dado pelo pai, acréscimo à sugestão do padre da catequese, pois com tal segundo nome queria seu pai que Raquel fosse bafejada pela <strong>“prosperidade”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que bem intencionado pelo pai, Raquel não prosperou, <strong>“desconseguiu de chegar sequer a assimilada”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, Duzenta fez jus ao seu nome com a máquina de costura “Singer”, <strong>“que foi o grande marco da tecnologia dos brancos a maravilhar a aldeia e a fazer a Raquel senhora de suas duzentas bem cobradas no amanho das roupas de seus vizinhos clientes”. </strong>Depois veio a cheia <strong>“e levou tudo”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quando chegou <strong>“o Uhuru </strong>[liberdade, em ki-swahili]<strong>, a independência”, </strong>Duzenta mudou-se para Maputo e começou a <strong>“reunar” </strong>de forma a obter <strong>“esclarecimentos muitos sobre a sua própria e apagada estória, sobre a dialéctica marxista-leninista à luz da Teoria da Dependência, sobre a sua renúncia, dela Raquel Duzenta, à Filosofia da Negritude em nome da verdadeira autenticidade do processo revolucionário em Moçambique”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Numa dessas reuniões, Duzenta viu-se impossibilitada de continuar viva, como contava no início. Deveu-se isso à explicação do jovem balalaica sobre a origem do homem: <strong>“a origem de vocês, camaradas, aqui! Estão a compreender bem? Essa coisa aí – e gaguejava – essa coisa aí dos padres a dizer que somos filhos de Deus é mentira, camaradas!”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">O balalaica esclareceu a origem dos camaradas: <strong>“Nós, vocês aí, camaradas, são filhos do macaco!”. </strong>Duzenta viu-se descrente, <strong>“Xicolonho é que chamava macaco à gente”. </strong>E regressou a casa, onde se deu por falecida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
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        A imprensa e a tese sobre democracia no Reino do Kôngo  </a>

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     [F/rmc & Facebook de P. Batsikama]&nbsp; Por Redacção || O Observatório da Imprensa e da Comunicação/OI, tem em sua posse, uma crítica científica demolidora, ao livro, <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/imprensa-e-tese-sobre-democracia-no-reino-kongo/"> Leia mais</a>  </p>
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        Réplica: &#8220;Democracia no antigo Kôngo foi de facto uma realidade&#8221;  </a>

  <p class="excerpt post_excerpt">
     Ruínas da Sé Catedral de Nkulumbimbi, no Reino do Kôngo [F/rmc].&nbsp; Por Patrício Batsîkama || Li com muita atenção o comentário de Nuno Álvaro sobre o <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/replica-democracia-no-antigo-kongo-foi-de-facto-uma-realidade/"> Leia mais</a>  </p>
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<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/o-pais-que-ainda-nao-existia-e-a-morte-da-maquina-de-costura/">“O país que ainda não existia” e a morte da máquina de costura</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
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		<title>Quanto pesam as palavras? Da liberdade sonhada à liberdade driblada</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/quanto-pesam-as-palavras-da-liberdade-sonhada-a-liberdade-driblada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jan 2020 19:50:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Direito à desobediência civil]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de expressão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="217" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/flat550x550075f.u8-300x217.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/flat550x550075f.u8-300x217.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/flat550x550075f.u8.jpg 514w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Xénia de Carvalho │&#8221;Eu tenho um sonho&#8221;, disse Martin Luther King (1929-1968), a 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, na histórica Marcha de Washington, que reuniu mais de 200 mil pessoas na cidade norte-americana. Foi desta forma que o pastor protestante e ativista político norte-americano exerceu o seu direito à liberdade ...</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net/quanto-pesam-as-palavras-da-liberdade-sonhada-a-liberdade-driblada/">Quanto pesam as palavras? Da liberdade sonhada à liberdade driblada</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="https://observatoriodaimprensa.net">Observatório da imprensa</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="217" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/flat550x550075f.u8-300x217.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/flat550x550075f.u8-300x217.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/flat550x550075f.u8.jpg 514w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;"><strong>Xénia de Carvalho</strong> │&#8221;Eu tenho um sonho&#8221;, disse Martin Luther King (1929-1968), a 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, na histórica Marcha de Washington, que reuniu mais de 200 mil pessoas na cidade norte-americana. Foi desta forma que o pastor protestante e ativista político norte-americano exerceu o seu direito à liberdade de expressão, apelando à igualdade entre todos. O seu discurso tornou-se o símbolo do movimento dos direitos civis norte-americanos, estendendo-se a todo o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O exercício da liberdade de expressão, consagrada mundialmente na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, no seu artigo 19, é um dos pilares dos direitos civis ou liberdade individuais que cada um de nós pode e deve exercer de forma a estabelecer os limites do poder do Estado, entre outras dimensões da vida em sociedade. A liberdade de expressão engloba a liberdade de opinião e a liberdade de informação, sem restrições de fronteira e/ou meios.</p>
<p style="text-align: justify;">Martin Luther King pesou as palavras, deixou um sonho que marcou o rumo do exercício da nossa liberdade individual, enquanto seres humanos que partilham a mesma condição – a humana – e a expressam de forma livre e publicamente. Contudo, o sonho é fintado e posto à prova, no acto de partilhar a informação e/ou as opiniões através do meio que, hoje em dia, assume maior relevo na difusão das nossas palavras &#8211; as redes sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Após a revelação de que as redes sociais são alvo de manipulação e instrumento de influência para eleição de políticos como Trump e Bolsonaro, como foi revelado no caso da utilização do Facebook pela empresa britânica Cambridge Analytica em 2016 (veja-se o documentário “Driblando a democracia – Como Trump venceu”, do jornalista francês Thomas Huchon, 2018, acessível em <a href="https://vimeo.com/295576715">https://vimeo.com/295576715</a>), surge o debate sobre o que pode e não pode ser partilhado, quais os limites dessa partilha e qual a legislação necessária para a protecção da privacidade dos dados dos cidadãos. Hoje, o sonho de King não teria passado para a multidão.</p>
<p style="text-align: justify;">Face à invasão do espaço público, um espaço que vai deixando de ser nosso para passar a ser propriedade de quem o compra, a construção da PALAVRA ÚNICA, que em si não contém mais do que propaganda de quem controla os meios de comunicação e a produção de opiniões, relembro aqui a batalha de Winston Smith que, após 40 anos de luta, e contrariamente a Martin Luther King, aceitou a liberdade driblada em prol da liberdade sonhada. Relembro, para que não haja equívocos e não sejamos reduzidos à expressão vazia de um simples “like”.</p>
<div id="attachment_2839" style="width: 778px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/ERPM7SVA6W4DHEO55G2CXTE3G4.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-2839" class="wp-image-2839 size-full" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/ERPM7SVA6W4DHEO55G2CXTE3G4.jpg" alt="" width="768" height="433" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/ERPM7SVA6W4DHEO55G2CXTE3G4.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/ERPM7SVA6W4DHEO55G2CXTE3G4-300x169.jpg 300w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /></a><p id="caption-attachment-2839" class="wp-caption-text">foto/ El Pais.</p></div>
<p style="text-align: justify;">George Orwell (1903 – 1950), escritor e jornalista britânico, escreveu o livro “<em>1984”, </em>onde fala do regime do Grande Irmão e a criação da <em>Novilíngua</em> pelo <em>Ministério da Verdade</em>. Syme, especialista no Departamento de Pesquisa do <em>Ministério da Verdade</em>, explica a Winston Smith, personagem central do livro de Orwell e também trabalhador no <em>Ministério da Verdade</em>, como serão as palavras no futuro<em>: </em><strong>“Sabes que a Novilíngua é o único idioma do mundo cujo vocabulário se reduz de ano para ano?”</strong>, tendo por objectivo “<strong>estreitar a gama do pensamento”</strong>, tornado o crime de ter ideias ou a <em>crimidéia </em>“<strong>literalmente impossível, porque não haverá palavras para expressá-la. Todos os conceitos necessários serão expressos exatamente por uma palavra, de sentido rigidamente definido (…)”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com a redução prevista das palavras, ninguém saberá o que é a liberdade ou a escravidão, apenas restará uma única palavra, pois <strong>“que justificação existe para a existência de uma palavra que é apenas o contrário de outra?”</strong>. Tudo isto é obra do Grande Irmão. <strong>“Até a literatura do Partido mudará. Mudarão as palavras de ordem. Como será possível dizer ‘liberdade é escravidão’ se for abolido o conceito de liberdade? Todo o mecanismo do pensamento será diferente. Com efeito, não haverá pensamento, como hoje o entendemos. Ortodoxia quer dizer não pensar&#8230; não precisar pensar. Ortodoxia é inconsciência”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A batalha de Winston Smith anuncia-se logo na abertura do livro, quando este se senta afastado da “<em>Teletela” </em><em>─ </em>o monitor que permite ao cidadão ver os programas definidos pelo regime e ser controlado na pausa entre programas ─, e começa a escrever um diário. Curiosamente, é na sua sala de estar que o faz, ao abrigo de um acaso – a <em>teletela</em> não fora colocada onde era suposto estar, permitindo-lhe o exercício proibido de escrever os seus pensamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Smith luta com as palavras, e ao relembrar a explicação de Syme sobre a criação da <em>Novilíngua,</em> entre outros eventos, apercebe-se que escreveu sem dar conta e em letras gigantes a mesma frase vezes sem conta: <strong>“ABAIXO o GRANDE IRMÃO”.</strong> Smith cometeu a “<em>crimidéia”</em>. É preso, claro, a Polícia do Pensamento tudo controla. E tudo extermina.</p>
<p style="text-align: justify;">A história termina com Smith a olhar para o <strong>“rosto enorme” </strong>do Grande Irmão: <strong>“Levara quarenta anos para aprender que espécie de sorriso se ocultava sob o bigode negro</strong> [do Grande Irmão].<strong> Oh mal-entendido cruel e desnecessário! (…) agora estava tudo em paz, tudo ótimo, acabada a luta. Finalmente lograda a vitória sobre si mesmo. Amava o Grande Irmão”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu não amo o Grande Irmão, “Eu [também] tenho um sonho”, como Martin Luther King, em que exercito a minha liberdade de expressão através de palavras que se opõem, através de imagens que não se reduzem à sua expressão mais simples ─ um “like” ─, recusando uma aparente liberdade. Desta forma, eu não sou Smith, sou King.</p>
<p style="text-align: justify;">8 de dezembro.</p>
<p style="text-align: justify;">O autor do retrato de M. Luther King é Nora Gad.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png"><img class="alignnone size-full wp-image-2812" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png" alt="" width="900" height="118" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4.png 900w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-300x39.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2020/01/Logo-de-nomes-4-768x101.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
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    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>O encontro com a Justiça entre caixões e piolhos sob vigia – Do julgamento à execução de Sócrates</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/o-encontro-com-a-justica-entre-caixoes-e-piolhos-sob-vigia-do-julgamento-a-execucao-de-socrates/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Oct 2019 10:21:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="197" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-300x197.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-300x197.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-768x505.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-170x113.jpg 170w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Xenia de Carvalho│Cruzei-me com a Justiça na 2ª ou 3ª classe da escola primária, em Lisboa, já depois do PREC (Processo Revolucionário em Curso). Não sei precisar o ano, era miúda e no pátio da escola brincávamos aos mortos, fechando a tampa dos caixões funerários sobre a gargalhada dos colegas de turma. Sabe-se lá porquê, ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="197" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-300x197.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-300x197.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-768x505.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1.jpg 1024w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-80x54.jpg 80w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-85x57.jpg 85w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-165x109.jpg 165w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-112x75.jpg 112w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/10/1024px-David_-_The_Death_of_Socrates-1-170x113.jpg 170w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p><strong>Xenia de Carvalho</strong>│Cruzei-me com a Justiça na 2ª ou 3ª classe da escola primária, em Lisboa, já depois do PREC (Processo Revolucionário em Curso). Não sei precisar o ano, era miúda e no pátio da escola brincávamos aos mortos, fechando a tampa dos caixões funerários sobre a gargalhada dos colegas de turma.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabe-se lá porquê, mas a agência funerária tinha um armazém no recreio da nossa escola, onde depositava os caixões (in)destinados, forrados a veludo arroxeado, com maçanetas douradas e sempre bem polidas.</p>
<p style="text-align: justify;">O brilho e o roxo atraíam-nos na fuga ao sistema judicial implementado na sala de aulas por um professor que, obsessivamente, na posse de uma lupa gigante, fiscalizava duas vezes por mês as cabeças dos alunos em busca de intoleráveis piolhos. A quem fosse detectado o bicharoco já em fase de reprodução maligna, lá eram chamados os pais para que justificassem tal ocorrência. O professor, cognome “Bico de Papagaio”, instituía desde a 1ª classe normas e condutas de Justiça pelas quais nos devíamos reger se quiséssemos singrar na vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi dessa forma, entre caixões e piolhos sob vigia, que a Justiça se me apresentou certo dia sob a forma de uma régua em madeira e 150 escudos em contas matemáticas. Passo a explicar em letras menores: pede o “Bico de Papagaio” que façamos o somatório de 100 + 50. O entusiasmo da descoberta que 100 + 50 era igual a 150 foi tal que me dirigi com o livro de estudos sociais ou meio social &#8211; era algo social com capa esverdeada &#8211; à mesa do professor. Em grande euforia, mostro-lhe a conta feita na capa do manual – a caneta azul, note-se. A conta estava certa, mas a forma de lá chegar não estava prevista nas normas de conduta escolares seguidas pelo “Bico”. Resultado: sou sentenciada a 7 reguadas no traseiro, executadas com vigor pelo justiceiro pedagogo, que replicou: “As contas fazem-se no caderno! A justiça é isto!”.</p>
<p style="text-align: justify;">Surgiu-me a dúvida: a Justiça vem em forma de coerção? Não está a Justiça aberta ao diálogo?  Bom… os anos passam, a Justiça incomoda-me, e deparo-me então com um homem que, por dialogar, questionando, se vê condenado pela Justiça. E isso chamou-me a atenção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O homem que dialogava é levado a tribunal</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sócrates (470-399 a.C.), filósofo da Grécia antiga, nasceu perto de Atenas, filho de um escultor e de uma parteira. Dizem dele que era um homem feio, de nariz achatado, que andava descalço pela cidade, apodado à data como sendo imbecil de nascença e inculto. Em Atenas, esperava-se que a beleza física reflectisse a beleza interior, estando Sócrates irremediavelmente fora das normas estéticas atenienses e, como tal, condenado à imbecilidade. Acresce às características físicas mal-afamadas, a sua permanente insistência em dialogar como método de ensino ou de descoberta (depende do ângulo).</p>
<p style="text-align: justify;">Atenas, ano 399 a.C., primavera: Sócrates, 70 anos de idade, é levado pela primeira vez na sua vida a um tribunal sob a acusação de descrença e corrupção da juventude. É da “Apologia de Sócrates”, vertida em escrita pelo seu discípulo Platão (428 a.C. – 347 a.C.), que vou aqui falar. Da sua defesa. O livro é das Edições 70, com tradução do grego e notas de Manuel de Oliveira Pulquério (1928-2011), Professor em Coimbra. Uma nota importante de Pulquério: à data, os tribunais em Atenas eram palco de ruído e intervenção da assistência, que manifestava <strong>“livremente os seus sentimentos e opiniões”</strong> em oposição aos tribunais modernos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Da acusação no tribunal e do esclarecimento das sombras</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sócrates encara o tribunal abrindo a sua defesa clamando: <strong>“Não sei, Atenienses, que impressão vos causaram os meus acusadores. Pela minha parte, ao ouvi-los, estive quase a esquecer-me de quem sou, a tal ponto eles foram persuasivos. E, no entanto, se assim me posso exprimir, não disseram uma só palavra verdadeira”.</strong> O filósofo revela que irá defender-se com recurso às <strong>“mesmas palavras que costumo usar, quer na praça pública, quer noutros lugares”. </strong>Não se deixa iludir por uma justiça engalanada por palavras de cosmética elaborada, que mais ocultam do que revelam, optando pela simplicidade das mesmas.</p>
<p style="text-align: justify;">O filósofo começa por enumerar os termos da acusação: <strong>“um certo Sócrates, homem sábio, que se ocupava dos fenómenos celestes, investigava o que se passava debaixo da terra e era capaz de fazer prevalecer sobre as boas as causas más”, </strong>ensinando aos outros <strong>“esta doutrina”</strong>. O que equivale a dizer que quem tal investiga não acredita nos deuses. E são muitos, os acusadores, e têm vindo estes a (de)formar os cidadãos da infância à adolescência, sem darem a Sócrates a possibilidade de se defender. Não <strong>“é possível conhecer os seus nomes, para os citar”. </strong>Dessa forma, Sócrates vê-se forçado a defender-se <strong>“lutando por assim dizer contra sombras e discutindo argumentos, sem ter ninguém que me responda”.</strong> Mais acrescenta, dizendo que não ensina <strong>“a troco de dinheiro”</strong>, dizendo que quem cobra para ensinar <strong>“sabe persuadir os jovens, que poderiam conviver de graça com qualquer dos seus concidadãos à sua escolha, a abandonar o convívio destes e a procurar o seu, com a obrigação de pagamento e, ainda por cima, de reconhecimento”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A origem da acusação</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Certo dia, Querefonte, um dos discípulos do filósofo acusado, consultou o Oráculo de Delfos perguntando se existia alguém mais sábio do que o seu mestre. O oráculo esclarece que <strong>“não havia ninguém mais sábio”</strong> do que Sócrates. Face a isso, o filósofo feio interroga-se sobre o significado da resposta do deus: <strong>“Sei muito bem que não sou sábio, nem muito nem pouco. Que quer ele dizer quando afirma que sou o mais sábio dos homens? Porque, enfim, ele não está a mentir; não lhe é lícito fazê-lo”. </strong>Para perceber o sentido do oráculo procurou quem é tido como sábio, isto é, <strong>“um dos nossos homens de Estado”</strong>. Tal homem era sábio, segundo ele próprio e aos olhos dos outros, mas na realidade não o era. Assim criou o filósofo a primeira inimizade, com base na crença de que <strong>“ele julga que sabe alguma coisa, embora não saiba, ao passo que eu nem sei nem julgo saber”<em>, </em></strong>ou seja, <strong>“não julgo saber aquilo que ignoro”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Num efeito dominó, Sócrates continua em busca de esclarecimento e depara-se com muitos sábios inimizados: iniciou com os homens de Estado – i.e. políticos -, passando depois aos poetas e terminando junto dos artífices. Apesar de ir criando inimizades junto dos ditos sábios, o filósofo prosseguiu a fim de entender o sentido do oráculo, concluindo que <strong>“aqueles que tinham mais fama pareceram-me quase inteiramente desprovidos dos conhecimentos essenciais quando os examinava à luz do oráculo do deus; outros, considerados menos importantes, estavam, entretanto, muito mais próximos de possuir a sabedoria”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A investigação feita por Sócrates trouxe-lhe muitas inimizades e passaram a nomeá-lo como sábio: <strong>“É que os que assistem a estas discussões pensam sempre que eu sou sábio naquelas matérias em que demonstro a ignorância dos outros”. </strong>Essa sabedoria não é mais do que o reconhecimento de que o nosso saber é <strong>“inteiramente desprovido de valor”</strong>. Esse é o sentido do oráculo, defende. Sócrates revela que continua até ao momento a realizar tais investigações junto de quem lhe parece sábio, demonstrando a sua ignorância, não lhe deixando tempo para se <strong>“consagrar de forma útil aos negócios da cidade e aos meus próprios”</strong>. Tal escolha resulta na sua forma de vida, de <strong>“extrema pobreza”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O diálogo corrompe a juventude?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O filósofo questiona quem vem ter com ele, como os jovens que <strong>“dispõem de mais tempo livre, aqueles que pertencem às famílias mais ricas”</strong>. Estes jovens procuram Sócrates por sua livre vontade e replicam o método, incorrendo na fúria da sociedade, que acusa o filósofo de os corromper. Quando lhes perguntam o que o filósofo ensina, os jovens dizem o que não sabem e recorrem, por vergonha, ao que se diz dos que estudam filosofia: <strong>“que investigam o que se passa nos ares e debaixo da terra, que não acreditam na existência dos deuses e que fazem prevalecer sobre a melhor a causa pior”.</strong> Os jovens <strong>“fingem saber, quando na realidade nada sabem”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">As acusações contra o filósofo recaem sobre esta capacidade única de corrupção ou de desvio dos jovens, formalizadas da seguinte forma: <strong>“Sócrates é culpado de corromper a juventude e de não crer nos deuses em que crê a cidade, mas em divindades novas”</strong>. Entabulando um diálogo com o seu acusador, Meleto, Sócrates conclui que todos os Atenienses <strong>“tornam os jovens mais virtuosos”, </strong>excepto ele. O filósofo conclui que: <strong>“Seria, certamente, uma grande felicidade para os jovens, se houvesse apenas uma pessoa capaz de os corromper, enquanto todos os outros lhes faziam apenas bem”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sócrates sublinha que Meleto preferiu arrastá-lo para tribunal, <strong>“aonde a lei manda trazer os que precisam de castigo e não os que precisam de esclarecimento”. </strong>O filósofo conclui que é acusado por ser <strong>“alvo do ódio de muita gente” </strong>e que <strong>“será isto que causará a minha pena”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem que dialoga acrescenta que não se envergonha de <strong>“viver filosofando, examinando-me a mim próprio e aos outros”</strong>, mesmo que com isso enfrente uma pena de morte. Sócrates interpela os seus conterrâneos, perguntando-lhes se não se envergonham de só pensarem <strong>“em glória e honras, sem a mínima preocupação com que há em ti de racional, com a verdade, e com a maneira de tornar a tua alma o melhor possível?”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sócrates é condenado à morte por corrupção quando defende que é da <strong>“virtude que provêm as riquezas e todos os outros bens”, </strong>rematando: <strong>“Se pensais que é a matar as pessoas que impedis que vos censurem por viverdes mal, não estais a raciocinar muito bem”. </strong>E aceita a sua morte.</p>
<p><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee.png"><img class="alignnone wp-image-2150" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee.png" alt="" width="850" height="97" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee.png 788w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee-300x34.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee-768x88.png 768w" sizes="(max-width: 850px) 100vw, 850px" /></a></p>
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    Cerca de 10% da população de Angola tem acesso à Internet, menos do que a média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que é de 12%,  </p>
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    Por Domingos da Cruz Da Ditadura à Democracia, mais do que uma construção teórica de Filosofia Política, é uma ferramenta prática para as pessoas comprometidas com a desconstrução e erosão <a class="read-more" href="https://observatoriodaimprensa.net/como-fazer-uma-revolucao/"> Leia mais</a>  </p>
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		<title>A resistência ao totalitarismo por um italiano em segunda mão achado em África</title>
		<link>https://observatoriodaimprensa.net/a-resistencia-ao-totalitarismo-por-um-italiano-em-segunda-mao-achado-em-africa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OI]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Sep 2019 12:39:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade científica e conexas]]></category>
		<category><![CDATA[Xênia de Carvalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><img width="300" height="279" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/Foto-Papini2-300x279.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/Foto-Papini2-300x279.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/Foto-Papini2-768x713.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/Foto-Papini2.jpg 955w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p>
<p>Xenia de Carvalho*│“O homem que se perdeu a si mesmo”. Em 1985, comprei um italiano em segunda mão, na Julius Nyerere. Já não me lembro quanto paguei por ele, era propriedade de alguém desde 1971. O porquê da sua venda permanece uma incógnita até hoje. Estávamos em Maputo, Samora ainda era vivo e o regime ...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img width="300" height="279" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/Foto-Papini2-300x279.jpg" class="attachment-medium size-medium wp-post-image" alt="" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/Foto-Papini2-300x279.jpg 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/Foto-Papini2-768x713.jpg 768w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/Foto-Papini2.jpg 955w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></p><p style="text-align: justify;">Xenia de Carvalho*│<strong>“O homem que se perdeu a si mesmo”.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em 1985, comprei um italiano em segunda mão, na Julius Nyerere. Já não me lembro quanto paguei por ele, era propriedade de alguém desde 1971. O porquê da sua venda permanece uma incógnita até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Estávamos em Maputo, Samora ainda era vivo e o regime o do partido único e da construção do <em>homem novo</em>, que (des)arrancava em campos de reeducação quando o marxismo-frelimismo assim o determinava. A época era também a da Guerra Civil, que só viria a terminar em 1992 com os Acordos de Roma, e na capital as senhas de racionamento não contemplavam a compra de pessoas ou livros, sabendo hoje que as pessoas também vêm em forma de livro.</p>
<p style="text-align: justify;">A esse propósito, devo acrescentar que, mesmo que as senhas permitissem comprar pessoas ou livros, as poucas livrarias que havia em Maputo apenas tinham nas suas estantes as afamadas Edições Moscovo que versavam sobre a doutrina marxista-leninista, ou narravam a biografia hagiografada de Marx, Lenine e Stalin,  o trio com mais êxito na editora, podendo também encontrar-se as revistas “Nova China”, nas quais aprendíamos o mandarim falado e escrito (nas últimas páginas havia sempre lições de língua com inclusão de vocabulário e umas notas culturais) ou a russa “Sputnik” (onde víamos fotografias fantásticas do mundo internacional e do espaço, tudo devidamente paginado de acordo com a tipografia mental da URSS).</p>
<p style="text-align: justify;">À data, numa clara atitude mercantilista, simultaneamente de contestação silenciosa, todo um mercado informal de livros para além de Moscovo se desenvolveu na capital, sem necessidade de apresentação das senhas distribuídas pelo partido único. E desta forma se comprava gente não indexada nos missais do partido.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 17px;"><strong>Breve biografia do italiano em segunda mão</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim que, certo dia, me deparei com Giovanni Papini (1881-1956), cidadão italiano, nascido em Florença, naturalmente já falecido quando o encontrei em modo impresso. Papini foi jornalista, escritor, agnóstico até se converter em católico acérrimo, anticlerical convicto até à morte. Um florentino de inúmeras contradições e que provocou acesas discussões pela sua obra. No final da sua vida, o escritor cegou e foi acometido por uma doença que lhe atrofiou os músculos, impedindo-o de escrever por si próprio. Contudo, Papini não se rendeu e continuou a escrever, encontrando uma forma de ditar as suas palavras para que alguém as pusesse na forma escrita.</p>
<blockquote><p><strong>“O verdadeiro mundo só se descobre no pensamento, em nós próprios, eu posso ser dono de tudo o que quiser, desde que busque dentro de mim, no mais profundo do meu ser”.</strong></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Comprei o italiano em segunda mão pelas suas “Palavras e Sangue” (1912), uma coletânea de contos que trago comigo até hoje, editada pela Bruguera, com tradução do poeta e jornalista brasileiro Mário Quintana (1906-1994), que em 1934 publica a sua primeira tradução, estas “Palavras e Sangue”.</p>
<p style="text-align: justify;">São contos sobre homens que se perdem e homens presos por si próprios, entre outros que por lá andam. De todos, vou falar-vos de um que comigo caminha na memória após ter lido um primeiro conto, do “Trágico Cotidiano – O homem que não pôde ser imperador”, o conto-mestre da coletânea, o conto com o qual Papini me insultou e me levou a comprá-lo por ser um <strong>“vilíssimo leitor, pobre diabo mal arrumado, que estás aqui a ler páginas, escutando palpitações da vida de outro, porque não sabes viver por tua conta”</strong>. O homem-Papini, que me apedrejou em modo literário, pretendia ter sido imperador, mas falhou na ascensão ao cargo. O conto que tenho por companhia desde esse período, o que li após o conto-mestre, esse do homem-imperador-falhado, fez-me reaprender que o totalitarismo ou a lógica do partido único eram dominós brancos e máscaras negras – mais à frente já explico melhor isso – e só o li porque o italiano me revelou a importância de falhar na aquisição de cargos imperiais.</p>
<p style="text-align: justify;">O conto-mestre, do “Trágico Cotidiano”, narra a história de um homem que saiu mundo afora com o objetivo de o conquistar, anunciando em todos os lugares a que aportava que pretendia ser rei, pretendendo levar todos os homens para a guerra afim de conquistar o mundo. Mas ninguém o levou a sério. Imaginem que até moeditas lhe atiravam, chamando-o doido! E dada a inaceitação do seu projecto, o homem não se tornou imperador, descobrindo que a falha era consistente com a aquisição da humanidade: <strong>“Compreendi, afinal, o meu destino. Cego fui eu, saindo a conquistar o mundo. O mundo que eu considerava real não o é, não é ele o real, o supremo, mas apenas o mundo das aparências, dos sentidos, do engano (…). O verdadeiro mundo só se descobre no pensamento, em nós próprios, eu posso ser dono de tudo o que quiser, desde que busque dentro de mim, no mais profundo do meu ser”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, o florentino é homem de muitas contradições aparentes e levou-me desse trágico cotidiano para um baile de máscaras, a fim de esclarecer-me quais as vertentes da condição humana.</p>
<blockquote><p><strong>“O homem que se perdeu a si mesmo”</strong></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Giovanni começa o conto dizendo que nunca gostou de bailes de máscaras e acabou indo a um, a convite, apenas para olhar &#8211; “<strong>todos deviam ir de dominó branco e máscara negra e dançar sem dizer uma só palavra”. </strong>E o homem lá foi saltando ao som da música, mas em breve cansado pela falta de hábito e do calor que o sufocava. Ao procurar a saída, deparou-se com um enorme espelho e colapsou ao perceber que se tinha perdido – todos eram iguais no reflexo devolvido pelo espelho, todos com a mesma máscara e os mesmos gestos, homem ou mulher, tanto fazia. <strong>“Onde estou eu entre todos estes? Onde está o meu eu entre todos esses estrangeiros silenciosos? Todos brancos com a cara negra… (…) Perdi-me a mim mesmo… Onde estou? Procurem-me, encontrem-me!”.</strong></p>
<div id="attachment_2311" style="width: 452px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/1189092.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-2311" class="wp-image-2311 size-full" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/1189092.jpg" alt="" width="442" height="600" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/1189092.jpg 442w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/1189092-221x300.jpg 221w" sizes="(max-width: 442px) 100vw, 442px" /></a><p id="caption-attachment-2311" class="wp-caption-text">Foto:rmc</p></div>
<p style="text-align: justify;">Após o desmaio, acorda num hospital e os médicos sentenciam que o homem está louco – ninguém se perde a si próprio… Assim o acharam essas <strong>“bestas pretensiosas”</strong>. Dada a incompreensão, o homem foge passado uns dias e retorna à casa do baile de máscaras, falando com o dono que o convidara para o baile. Tal dono <strong>“não é médico e por isto não deu muita importância ao que me havia sucedido”</strong>, acompanhando-o pela casa toda para lhe assegurar que não tinha ficado em lado algum da residência – nessa noite, ele tinha-se levado a si próprio, pois ali não constava. Conclusão lógica: o homem tinha-se perdido noutro sítio. Onde? Quem poderia saber? O dono deu-lhe a lista de todos os convidados e ele lá foi, não sem antes se recordar da história de Peter Schlemihl, <strong>“que vendera a sua sombra e andava a buscá-la pelo mundo” </strong>(personagem criada por Adelbert von Chamisso, botânico e escritor, que escreveu, em 1814, a ‘muito estranha história’ do homem que vendeu a sua sombra ao diabo e depois percebeu que sem sombra não era aceite em sociedade). Mas esse Peter não se compara com o homem que se perdeu a si mesmo: É que <strong>“eu tinha perdido a alma, o corpo, tudo!”. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O homem em busca de si próprio entra na noite à procura de si, olha para todos a ver se se encontra em algum e <strong>“nenhum deles era eu”</strong>. Quando visitou todos os que foram ao baile de máscaras, as reacções foram tão dispares que entendeu não ser por aí a forma de se encontrar. Nos dias que se seguiram procurou-se nos cafés, em reuniões políticas, nas missas religiosas, na universidade, seguiu muita gente para ver se em alguém estava ele. E nada. Ao que decidiu imprimir cartazes com <strong>“a descrição exata de como eu era antes de perder-me”, </strong>pedindo que o devolvesse à morada de sua casa. Alguns agarraram nele e devolveram-no, contudo, como morava sozinho ninguém lhe abriu a porta….</p>
<p style="text-align: justify;">Após continuar a sua busca, cansado, dirigiu-se aos serviços municipais e participou que se tinha perdido. Pagou e deram-lhe a morada da sua casa… O funcionário <strong>“não quis ou não soube compreender; disse-me que era impossível que alguém se perdesse a si mesmo e que, em todo caso, nada mais podia informar”. </strong>O homem que se perdeu a si mesmo saiu em braços, após muito contestar por não o ajudarem a encontrar-se, e enquanto refrescava as ideias andando de um lado para o outro em frente ao edifico municipal, viu um cartaz que referia <em>“Objetos Perdidos</em>”, e entre vários itens, estava lá escrito “<strong>um dominó branco com máscara negra”</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Na secção dos objectos perdidos encontrou o seu dominó branco e a sua máscara negra. Ficou feliz! Muito feliz! E levou-a para casa. Sem saber bem porquê, vestiu-se como no baile e olhou-se ao espelho. <strong>“Eis-me! Era eu! Sou eu! Encontrara-me. Era sem dúvida eu, em pessoa – eu só. Não havia nenhum outro homem perto de mim”. </strong>Reza a história que desde esse dia, não mais teve coragem de sair de casa ou tirar o dominó branco e a máscara negra com receio de se perder novamente, <strong>“nunca mais…”. </strong>O homem reconhecera-se.</p>
<p style="text-align: justify;">Xénia de Carvalho. Antropóloga & Consultora, Investigadora colaboradora no ​Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA)/Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). <a href="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee.png"><img class="alignnone wp-image-2150" src="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee.png" alt="" width="900" height="103" srcset="https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee.png 788w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee-300x34.png 300w, https://observatoriodaimprensa.net/wp-content/uploads/2019/09/ee-768x88.png 768w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" /></a></p>
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